01/02/2016

[ARTIGO #08] ALDOUS HUXLEY E RAY BRADBURY

Aldous Leonard Huxley, escritor inglês que mudou para Los Angeles em 1937 onde viveu até sua morte em 1963. Ficou conhecido pela obra Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, publicou contos, poesias, literatura de viagem, esse célebre autor contribuiu nas adaptações de filmes como, Orgulho e Preconceito (1940) e Jane Eyre (1943).


Ray Bradbury, foi um escritor americano, atuou como romancista e contista primariamente de ficção-científica e fantasia. Bradbury ficou conhecido pela obra Fahrenheit 451, uma das mais renomadas obras de ficção do século XX, uma das estórias consideradas precursoras do gênero de distopia/ficção especulativa.

Selecionamos dois livros de Aldous Huxley e um de Ray Bradbury, publicados pela Editora Biblioteca Azul.

Admirável Mundo Novo

Sinopse: Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras "pai" e "mãe" produzem repugnância. Um mundo de pessoas programas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. 

Um munto no qual a literatura, a música e o cinema só tem a função de solidificar o espírito do conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. 

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos. Como um alerta de que, ao não se preservarem os valores da civilização humanista, o que nos aguarda não é o róseo paraíso iluminista da liberdade, mas os grilhões de um admirável mundo novo.

Contraponto

Sinopse: Contraponto surpreenderá o leitor que espera outra ficção científica ou um mundo tecnologicamente distante do nosso. Entretanto, confirmará vários dos elementos que estão em Admirável Mundo Novo, e que foram tão caros a Aldous Huxley: o desencontro entre as pessoas, a frieza nas relações, a dificuldade de expressão, e o mundo avassalador que incita os homens, e os afastam. Afora o cenário árido dos sentimentos, sempre a mesma esperança de Huxley, um tanto melancólica, de que as pessoas, finalmente se encontrem.

Publicado em 1930 e presente em várias listas dos Cem melhores romances do século XX, o livro é um retrato da sociedade decadente, que passa a forçadamente rever seus valores qando a aristocracia e o dinheiro "antigo" já não mais sustentam a imagem de uma sociedade ideal.

Contraponto é um mosaico de personagens, agrupados em núcleos, que vão de uma aristocracia decadente a ricos emergentes na sociedade inglesa no início do século XX. E, neste cenário, abre-se todo espaço para que Huxley, a partir das relações entre personagens, teça como que um grande ensaio sobre os valores morais e éticos, a ciência, a religião, a arte. Cada um desses elementos é personificado por uma ou mais personagens, e como numa sinfonia, é possível ir discernindo cada uma das pequenas melodias que a compõem.

É dessa maneira que Contraponto torna-se um delicioso, ainda que melancólico, retrato de nossa época - sim, ainda de nossa época. Melancólico porque há a guerra, a hipocrisia, a mesquinharia e o onipresente dinheiro regendo tudo. Mas delicioso porque a figura da mulher, exemplarmente pintada em Lucy, surge inteligente, independente e emancipada. E o grotesco da sociedade marca o tempo da sinfonia e, se é triste, não deixa de ser um primor da criação de Huxley.

Fahrenheit 451

Sinopse: Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, revolucionou a literatura com um  texo que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Agora, o título de Bradbury, que morreu em 6 de junho de 2012, ganhou nova edição pela Biblioteca Azul, selo da alta literatura e clássicos da Globo Livros, e atualização para a nova ortografia.

A singularidade da obra de Bradbury, se compara a outras distopias, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou 1984, de George Orwell, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético - a moral do senso comum, segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra. Graças a esta percepção, Fahrenheit 451 continua uma narrativa atual, alvo de estudos e reflexões constantes.

O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só tem conhecimento dos fatos por aparelhos de  TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tao instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.

Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie.

21 comentários:

  1. Contraponto e Admirável Mundo Novo já li ♥ Li a muito tempo.
    A cantora Pitty até se baseou em Admirável Mundo novo para uma música dele.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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    1. Sim, para você ver o que autores de qualidade conseguem, mesmo após anos e décadas após morrerem, ainda conseguem influenciar pensamentos, leituras, comportamentos e também música!

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  2. Ah, sou apaixonada por Huxley, li AMN há muitos anos, presente do meu marido heeheh
    Sou doida pra ler Contraponto...

    Ah, eu tenho essa edição de Fahrenheit, lerei ainda esse mês hehehe
    adorei a postagem, amo quando os blogs postam sobre autores clássicos... Distopia é um de meus gêneros preferidos...^^
    bjs

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    1. Obrigado Maria, aqui eu posto sobre ficção científica e distopia, bom ultimamente está sendo mais assim! Por Yvens Castro.

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  3. Clássicos da literatura, duas feras! Excelentes obras foram publicadas por esses mestres.

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  4. Clássicos incríveis, parabéns pelo post!

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    1. Obrigado Mercia, irei publicar mais sobre clássicos, ficção e distopia!

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  5. Oi. quero muito ler Fahrenheit 451, infelizmente não tenho o livro. Aprecio muito a escrita do Huxley, uso bastante Admirável Mundo Nova no âmbito educacional.

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  6. Oi, tudo bem
    Todo mundo fala sobre esse autor, ele é muito elogiado, admirável mundo novo é um clássico. Pretendo ler Fahrenheit 451 e esses dois outros livros que citou, eu não conhecia, mas adorei a sinopse, os textos parecem ser bem fortes e com algumas críticas implícitas. Sua postagem ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  7. Tenho esses dois livros de Huxley aqui em casa, mas ainda não tive curiosidade de ler. Na verdade ganhei de um amigo que me deu por tudo que a obra representa, mas como me decepcionei com a obra de George, achei que com esses seriam a mesma coisa. Mas com esse post, tive um boa visão da obra e despertou o meu interesse para saber mais sobre todos esses elementos que ainda estão tão presentes em nossa sociedade.
    Bjim!
    Tammy

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  8. Oi!
    Acho que Admirável Mundo Novo é um dos melhores livro que já li, é incrível a análise que Huxley faz da sociedade e como a cada ano o enredo fica mais atual.
    Bjs!
    Quem Lê, Sabe Porquê

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  9. Admirável mundo novo até me envergonho de dizer que ainda não li.
    Vejo que Orwell é citado ali, é um dos meus escritores preferidos ♡

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  10. Ainda não tive a oportunidade de ler algo do Huxley, mas é uma das metas para esse ano, pois só ouço elogios sobre sua escrita. Do Bradbury eu li o Fahrenheit 451 e adorei! Genial.
    Adorei seu post! Bem objetivo e informativo.
    Beijos!

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  11. Oiiie,

    Acredita que nunca li nenhum livro deles? Me sinto um peixe fora d'água, pois são clássicos. Espero que esse ano eu possa ter a oportunidade de conhecer um pouco mais das obras desses autores.

    Bjs
    Amantes da Leitura

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  12. Olá, eu não conhecia nada sobre o autor ainda e confesso que me interessei muito nele, eu já sabia do livro Fahrenheit 451 e sei que todos sempre falam muito bem dele, então esse é um livro que eu leria sem sombras de dúvidas!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  13. Oie
    ainda tenho vergonha de nao ter lido Admirável mundo novo, preciso ler esse ano e tentarei haha ótimo post

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  14. Os três Livros eu conheço por nome e sempre quis lê-los, mas nunca prestei atenção na biografia de seus autores, gostei do seu post!

    Beijos
    http://devoreumlivrooufilme.blogspot.com.br/

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  15. Oi,
    Então, não conheço o trabalho de nenhum desses autoras, mas é algo que eu PRECISO fazer em breve, né? São clássicos e precursores do gênero que faz tanto sucesso hoje em dia, a famosa Distopia (que inclusive adoro). Vou tentar adquirir Admirável mundo novo e Fahrenheit 451 em breve.

    Abraço,
    João Victor - De cabeça para baixo | All pop stuff

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  16. Nunca li nada de nenhum dos dois, mas tenho muita curiosidade, principalmente do Aldous Huxley.

    Lisossomos

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  17. Não li contra-ponto, mas li admirável mundo novo e folhas inúteis, amo Aldous Huxley, excelente escritor e bastante crítico. O Ray Bradbury eu nunca li, mas Fahrenheit 451 com toda certeza estará entre minhas futuras leituras, adoro quando alguém aborda sobre escritores como esses, amo esse tipo de leitura, parabéns pelo post, amei.
    Lucas Castelo Viana
    palavrasdelucidez.com.br

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  18. Oi!
    Nunca tinha visto falar desses autores, pois o estilo de publicação deles não é o que eu curto.
    Mas já tinha visto falar de Fahrenheit 451, mas nunca tive tanta curiosidade pra ler também não.
    Parabéns pela postagem, está muito bem estruturada.

    www.gordinhaassumida.com.br

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