10/06/2016

[RESENHA #64] ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - ALDOUS HUXLEY

Título: Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 256
Ano: 2016
ISBN: 9788579492723
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha


Sinopse: Você já sentiu um gosto de vida controlada em nome do bem social? Já sentiu que o mundo a sua volta parece uma gaiola de felicidade? Ou um manual da vida perfeita? Num mundo desses, todos deveriam ler Admirável mundo novo, de Aldous Huxley (1894-1963). Membro de uma família da elite britânica, envolvida com discussões que iam da teologia ao darwinismo, Huxley inventou esse mundo admirável para denunciar o risco das utopias (o sonho de um mundo perfeito). Sua distopia (o contrário de uma utopia) descreve um futuro horrível fruto de uma utopia que deu errado. Essa utopia é o projeto utilitário. O utilitarismo é a escola ética de maior impacto no mundo contemporâneo, pois elegeu como princípio maior da vida a eliminação do sofrimento e a otimização do bem-estar. Sempre preocupados com a administração pública, os utilitaristas imaginaram um mundo sem contradições. Por isso, em nome da felicidade, sacrificariam a liberdade. Bem-vindos ao nosso mundo. Luiz Felipe Pondé Colunista da Folha.

Resenha: Huxley em sua obra nos apresenta como personagens principais Bernard e Lenina, eles são pessoas consideradas normais, todavia possuem pensamentos distintos, ele repudia a promiscuidade e levanta questionamentos acerca dos valores e práticas existentes na sociedade, tal atitude não é boa para a Comunidade.

"Um edifício cinzento e atarracado, de trina e quatro andares apenas. Acima da entrada principal, as palavras CENTRO DE INCUBAÇÃO E CONDICIONAMENTO DE LONDRES CENTRAL e, num escudo, o lema do Estado Mundial: COMUNIDADE, IDENTIDADE, ESTABILIDADE." p. 17.

Em dado momento Bernard resolve convidar Lenina para ir em uma Reserva Selvagem nos EUA em um passeio de férias, lá a vida é quase como conhecemos atualmente, as pessoas possuem emoções, famílias, tradições e a vida, o nascimento surge da relação entre o homem e a mulher. Lenina se vê horrorizada com a natureza, com a experiência que passa, pois as mães amamentam seus filhos, existem pessoas idosas, assim como religião e sujeiras.

Na obra tomamos conhecimento que a história é dividida entre antes de Henry Ford e depois de Henry Ford, semelhante ao calendário cristão e ainda vigente, além disso as religiões foram abolidas, as doenças não mais existe, assim como a solidão e tristeza. A história ocorre 600 anos d.f (depois de Ford), especificamente após a Guerra dos Nove Anos.

"[...] Durante um período muito longo antes de Nosso Ford, e até no decurso de algumas gerações posteriores, os brinquedos eróticos entre as crianças eram considerados anormais (houve uma gargalhada); e não apenas anormais, mas realmente imorais (não!); e eram, portanto, rigorosamente reprimidos." p. 43.

"- A Guerra dos Nove Anos, o Grande Colapso Econômico. Era preciso escolher entre a Administração Mundial e a destruição." p. 57.

Em "Admirável Mundo Novo" também somos levado por Aldous Huxley para uma sociedade, um mundo distópico onde o Estado Mundial tem como lemas a Comunidade, Estabilidade e Identidade, nessa sociedade os seres humanos permanecem jovens e saudáveis, a vida não ultrapassa dos 60 anos, a sociedade desta forma cultua a beleza, a juventude e a vaidade. Os relacionamentos existentes em tal sociedade são puramente convenções sociais, é claro a ausência de amor ou paixão, e a poligamia é algo comum. 

A concepção dos humanos mudou drasticamente nessa nova sociedade, agora os humanos não nascem mais do ventre materno, são fabricados, condicionados em castas, que vai dos conhecidos como Ípsolons, Gamas, Deltas, Beltas e Alfas, esta é a classe superior. O destino, a forma física e inteligência das pessoas são programadas ainda na fase embrionária, e o desenvolvimento dos mesmos tem o acompanhamento do Centro de Incubação e Condicionamento.

Ford é o mentor desse regime social vigente, sendo considerado como a maior referência dos personagens. Voltando as castas, os alfas são aqueles que gozam de regalias, se mantém com o trabalho das castas inferiores. Na obra tomamos conhecimento que o consumo é bastante estimulado e as formas existentes de reaproveitamento são rejeitadas, bem como os conceitos de privacidade e família.

As pessoas nesse mundo distópico, nessa sociedade possuem o soma, um tipo de droga que não possui efeitos colaterais, mas que na verdade afasta as preocupações e deixa o usuário em um estado de felicidade, serenidade. Tal droga tem por objetivo buscar o ápice, a potencialidade e desenvolvimento máximo do ser humano.

Aldous Huxley nos leva para essa sociedade distópica, cheia de mudanças comportamentais, de valores e tradições, onde visualizamos as diferenças entre a "velha sociedade" e a "nova sociedade", cisão ocorrida pela influência de Henry Ford.

Opinião: A distopia de Huxley foi escrita na década de 30, apesar de ser um obra que pode ser considerada antiga é na verdade bem atual, pois se assemelha em muito com a nossa sociedade atual, digo isso pelo fato da alienação estar muito presente na sociedade da obra, assim como está bem presente nos dias de hoje. Além desse detalhe, existe a busca incessante pela felicidade que ocorre através do consumo de bens materiais, da invasão da privacidade, da padronização da bela ou mesmo pelo uso de drogas para fugir da realidade e viver em um mundo de felicidades.
Huxley nos proporciona uma obra magistral, a leitura é bem trabalhada, envolvente e  rica em reflexões, além disso o enredo é brilhante, nos mostrando ambos os lados da história, mostrando os pontos de vistas dos "fordianos" e dos "selvagens", são diversas as questões filosóficas apresentadas pelo autor, até que ponto a diversidade pode ou não afetar a sociedade de forma positiva e negativa. Recomendo essa obra para todos que querem começar a ler ficção científica/distopias, trata-se de um clássico e uma obra prima, uma leitura obrigatória, entrou em minha lista de favoritos.

Recebi a obra em parceria com a Coleções Folha (Folha de S. Paulo), o livro é o terceiro volume da coleções Grandes Nomes da Literatura e como sempre é outra belíssima edição, vem em capa dura, folhas amareladas e a diagramação está muito boa.
Obs: Os exemplares podem ser adquiridos nas bancas e também pelo site da Coleções Folha.

Por Yvens Castro

2 comentários:

  1. Sou suspeito a comentar pois amo distopias. Já tinha ouvido falar sobre a de Huxley, mas nunca me aprofundei muito no assunto da obra. Depois de ler sua resenha percebi que ele faz várias referencias históricas com a realidade.
    Além disso, o fato de se aprofundar em assuntos reflexivos e filosóficos me atrai.
    Parabéns pela resenha! Filipe Penasso - Pena Pensante

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  2. Eu ouvi falar desta coleção, mas não cheguei a ler nenhum livro dela. É incrível como um livro tão antigo consegue ser tão atual tantos anos depois. Fiquei bem interessada, ainda mais por ser uma distopia.
    Bjs, Rose.

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