26/07/2016

[RESENHA #91] A MORTE DE IVAN ILITCH - LEV TOLSTÓI

Título: A Morte de Ivan Ilitch
Autor: Lev Tolstói
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 80
Ano: 2016
ISBN: 9788579492730
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: Célebre por romances monumentais como Anna Kariênina e Guerra e paz, o conde russo Lev Nikoláievitch Tolstói (1828-1910) era também um mestre da narrativa curta, como fica evidente em A morte de Ivan Ilitch (1886), que Paulo Rónai considerava “a mais perfeita e a mais vigorosa” de todas as novelas. Tolstói utiliza a agonia de um jurista bem-sucedido para refletir sobre questões filosóficas como o sentido da vida e a inevitabilidade da morte, e sua opção por uma linguagem simples e direta não deve ser confundida com falta de elaboração literária. Na opinião de Vladímir Nabókov, “ninguém na década de 1880 escrevia assim na Rússia”, e a novela pode ser vista como precursora do modernismo russo, mesclando “toques de fábula”, uma “entonação terna e poética” e um “tenso monólogo mental”, no qual Tolstói aplica a técnica de fluxo de consciência. Despojamento vocabular e sofisticação estilística se unem em uma narrativa profunda e poderosa. Irineu Franco Perpetuo Jornalista e tradutor

Resenha: O romance de Lev Tolstói tem início no momento em que os magistrados, colegas de Ivan Ilitch, tomam conhecimento da sua morte. Ivan Ilitch era casado com Prascóvia Fiódorovna, tinha dois filhos, foi servidor público por toda a sua vida, alcançando o cargo de juiz de instrução, todavia com a sua morte, o cargo fica vago.

"Ivan Ilitch morreu aos quarenta e cinco anos, membro da Câmara da Justiça." p. 15.

No decorrer da leitura vamos conhecendo o que se passa na cabeça dos seus colegas e "amigos", alguns demonstrando total indiferença com a sua morte, outros se preocupando quem vai substituí-lo na função, com possíveis promoções com a vacância não somente do cargo de Ivan, como daquele que o substituir e assim por diante.

Um personagem que se apresente nesse início de história é Piotr Ivanovich, considerado o amigo mais próximo de Ivan, que sente-se no dever de comparecer ao velório e prestar suas condolências para a viúva.

"A dor não diminuía; Ivan Ilitch, contudo, fazia um esforço para se obrigar a pensar que estava melhor. E conseguia se iludir quando nada o irritava. Mas bastava ter uma contrariedade com a mulher, um fracasso no trabalho, cartas ruins no uíste que logo sentia a plena força de sua doença.." p. 36.

O foco do romance não é somente nos amigos, discussões e possibilidades de preenchimento dos cargos, mas também em Ivan ainda com vida, pois até que ocorra o evento da sua morte, no decorre da leitura o personagem descobre a possibilidade da sua morte, assim começa a relembrar a vida, questionando o modo como a viveu. Ivan ainda aborda aspectos como pessoas do seu ciclo de convivência, as angústias sobre a proximidade da morte e principalmente sua impotência diante do fato.

Opinião: A obra de Lev Tolstói faz parte da literatura clássica russa, é um livro bem curto, pode ser considerada uma novela e tem como tema central a morte. O desfecho da história não é nenhum segredo, até pelo fato do título deixar bem claro qual será o final de Ivan Ilitch, por outro lado, é algo que deixou margem para Lev Tolstói dar realismo aos personagens.
Essa obra é um romance intenso e atemporal, intrigante e sucinto. É uma leitura que nos faz refletir sobre o medo da morte, a aceitação da morte e como consequência o questionamento sobre a existência, são aspectos globais, pois creio que as pessoas em dado momento devem questionar sua existência e o medo ou aceitação da morte.
Lev Tolstói em A Morte de Ivan Ilitch faz críticas à sociedade russa, acreditando que esta vivia das aparências, críticas ao regime czarista com a criação de setores desnecessários no governo, com funcionários incompetentes e médicos incapazes, que no caso, é o fato de não descobrirem qual era a doença de Ivan Ilitch.
A Coleções Folha está de parabéns pela edição. A capa é linda e dura, a diagramação está muito boa, tem folhas amareladas, fonte em um tamanho legal e ainda eu não consegui ver erros ortográficos. Recebemos o livro em parceria com a editora. Super recomendo por tratar-se de uma obra clássica e de muita qualidade.

Por Mayara Frossard

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