[RESENHA #97] MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS - Saga Literária

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segunda-feira, agosto 01, 2016

[RESENHA #97] MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS


Título: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Autor: Machado de Assis
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 392
Ano: 2016
ISBN: 9788520926208
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: Quando penso na minha vida de leitor, confesso que nenhum outro livro de língua portuguesa me impressionou tanto como este Memórias póstumas de Brás Cubas. Não apenas pela situação insólita de ter um defunto como galante autor, o que significa acompanhar a sua alma leve e sardônica por uma existência terrena feita de ilusões e fracassos. O assombro que senti estava na agilidade técnica de Machado (1839-1908) , revolucionária para a época; no gosto pela subversão da Literatura (com maiúscula) e de todas as suas convenções (românticas, realistas, não interessa); e, finalmente, na capacidade de Machado em transformar a miséria da natureza humana – nossas vaidades; nossas mentiras; nossos amores por mulheres que retribuem o sentimento “durante quinze anos e onze contos de réis” – em material simultaneamente popular e erudito, lúgubre e jovial, pessimista mas libertador. Se hoje escrevo, em parte devo-o a este “livro que cheira a sepulcro”. E como é doce o odor dos vermes! João Pereira Coutinho Professor e colunista da Folha.

Resenha: Em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), o autor nos apresenta o personagem principal que leva nome ao título do livro. Conhecemos Brás Cubas na sua infância, ele é filho de uma família rica e pertence a alta sociedade do Rio de Janeiro. Ele se apresenta como um menino extremamente levado, conhecido pelo apelido "menino diabo".

"Algum tempo hesitei se devia abrir estas Memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte." p. 11

O garoto tinha como brinquedo o negrinho Prudência, que lhe servia de montaria e também para maus-tratos em geral. Na escola era muito amigo de Quincas Borba, seu companheiro de traquinagens. Durante a sua infância ele descobre e revela o romance secreto entre dona Eusébia e o Dr. Vilaça, algo que só faz jus ao seu apelido.

"Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor. Nasci; recebeu-me nos braços a Pascoela, insigne parteira minhota, que se gabava de ter aberto a porta do mundo a uma geração inteira de fidalgos." p. 41.

Ao chegar à vida adulta, Brás conhece uma jovem muito bela chamada Marcela, acaba se apaixonando por ela, porém ela é uma prostituta de luxo e por causa desse relacionamento, ele chega próximo de levar sua família para a falência. Seu pai, tomando conhecimento dos gastos do filho com a prostituta, acaba obrigando ele a se mudar, dessa forma o jovem Brás vai para Lisboa, onde deverá morar e estudar, para que possa se tornar um bacharel em Direito.

"Vaguei pelas ruas e recolhi-me às nove horas. Não podendo dormir, atirei-me a ler e escrever. Às onze horas estava arrependido de não ter ido ao teatro, consultei o relógio, quis vestir-me, e sair." p. 181

Em Portugal, Brás instala-se em Coimbra, estudando Direito e após alguns anos bacharelando no curso, com isso, ele acaba retornando ao Rio de Janeiro, após pedidos do seu pai, pois sua mãe encontra-se com a saúde debilitada. Em sua volta, diversos encontros e reencontros acabam acontecendo, sendo que algumas coisas ele não esperava que acontecesse, como ingressar na carreira política.

Opinião: A obra Memórias Póstumas de Brás Cubas é de extrema importância na literatura nacional e talvez a mais importante de Machado de Assis, aborda diversos fatores como o adultério, prostituição, escravidão, preconceito, ambição, inveja, alegria e tristeza.
Outro aspecto para ressaltar é a narrativa feita em primeira pessoa, onde Brás Cubas, já morto, começa a relatar sua vida pelo seu óbito e não pelo nascimento, mostrando ao leitor sua vida e o seu nascimento. Diante dessa situação, o narrador aproveita-se para falar de tudo e todos, sem nenhum pudor ou culpa.
O livro de Machado tem uma forte pegada filosófica e pessimista, nela o leitor precisa estar atento para as alusões e citações inseridas no texto. Essa é uma obra com vocabulário característico de época, no início poderá criar dificuldades ao leitor, mas com o decorrer da leitura, vai fluindo, a leitura vai ficando mais fácil de ser compreendida e também divertida.
Esse é o 18º volume da coleção Grandes Nomes da Literatura, é publicado pela Coleções Folha, que mantém seu alto padrão de qualidade e com capa dura, diagramação muito boa. Recomendo a leitura para quem gosta de literatura nacional e principalmente para os jovens que vão prestar Enem e Vestibulares.

Por Mayara Frossard

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