02/09/2016

[RESENHA #116] A REDOMA DE VIDRO - SYLVIA PLATH


Título: A Redoma de Vidro
Autor: Sylvia Plath
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 240
Ano: 2016
ISBN: 9788501051394
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: Único romance de Sylvia Plath (1932-1963), que se suicidou um mês após sua publicação, A redoma de vidro é um misto de ficção e autobiografia. Como a autora, também a protagonista é depressiva e suicida, embora sua história e personalidade sejam diferentes. Por isso mesmo, o romance é também uma representação simbólica de mulheres de classe média que, na década de 1950, tinham pouco acesso a informações, a rupturas sociais e morais e à liberdade sexual, causando, entre outras coisas, estados de transtorno mental. O tratamento com choques elétricos, recebido por Esther Greenwood, é só uma das faces do problema, ainda atual, de enfrentamento dos distúrbios psiquiátricos. Com humor, coloquialidade, ironia e agilidade, acompanhamos a jornada de uma escritora jovem e bonita, convidada a passar um mês como correspondente de uma revista de moda em Nova York, em meio a jantares fúteis, festas de coluna social e amizades fugazes, entre as quais ela se sente inútil e amplamente deslocada. Conhecida como poeta, Sylvia Plath revela-se aqui como uma romancista que faz com que o leitor, como se ele também submetido a uma redoma de vidro, perca o fôlego e se sinta tão aprisionado quanto a própria Esther Greenwood. Noemi Jaffe Escritora e crítica literária.

Resenha: Em A Redoma de Vidro, Sylvia Plath, nos conta a história de Esther Greenwood, uma mulher bonita, brilhante e talentosa. Esther é estudante de uma famosa universidade e trabalha na redação de um popular revista de Nova York. Em teoria, a vida de Esther é perfeita, porém, dia após dia vai entrando em declínio, se sentindo presa e sufocada dentro de si mesma.


"Era um verão estranho, sufocante, o verão em que eletrocutaram os Rosenberg, e eu não sabia o que estava fazendo em Nova York." p. 7.

Ao longo da história, o leitor vai conhecendo mais Esther Greenwood e acompanha algumas de suas desaventuras e experiências de quem viveu na faculdade. A protagonista não conseguia se socializar com as pessoas, não tinha amigos e afasta até mesmo as pessoas que tentavam socializar com ela.

"Não sei há quanto tempo estava dormindo quando ouvi as batidas na porta. No início não dei bola porque a pessoa batendo dizia "Elly, Elly, Elyy, me deixa entrar", e eu não conhecia nenhuma Elly." p. 25.

Após o término do seu estágio, Esther volta para a casa de sua mãe, onde o sentimento de isolamento aumenta, onde os sentimentos de vazio e solidão aumentam. A personagem é então internada em uma clínica, onde acompanhamos suas atribulações.

"A parte mais antiga do cemitério era melhor, com suas lápides gastas e monumentos cobertos por musgos, mas logo me dei conta de que meu pai devia estar enterrado na parte nova, datada a partir dos anos quarenta." p. 162.

No decorrer da leitura vemos as brigas de Esther com a sua mãe e também com as companheiras de clínica. Esther passa então por duas clínicas, onde é submetida a diversos procedimentos traumáticos, como tratamentos de choques. Apesar das dificuldades, Esther acaba por se adaptar na segunda clínica, onde começa a confiar na médica responsável por seu tratamento. 

Percebemos porém, que em dado momento, o principal sentimento de Esther em uma das clínicas, é o de sentir-se presa em uma redoma de vidro, que abafa e sufoca, distorcendo tudo o que está ao seu redor.

Opinião: O livro é uma autobiografia de Sylvia Plath, que teve um duro combate contra a depressão. Sylvia fala com propriedade sobre o dia a dia da personagem que enfrenta os seus demônios. A Redoma de Vidro se tornou um dos símbolos do movimento feminista, em grande parte pelos questionamentos constantes de Esther acerca da função e participação da mulher na sociedade.
Apesar da obra tratar de uma temática um tanto quanto delicada e ao mesmo tempo pesada, a leitura se mostrou leve. O tempo necessário para digerir toda a história é maior do que o necessário para terminar a leitura. Sylvia escreve de uma forma magistral, que nos faz largar sua obra quando ela definitivamente termina.
O livro foi publicado sob o pseudônimo Victoria Lucas, isso pelo fato de conter histórias reais, dessa forma, Sylvia não queria comprometer a integridade das pessoas que aparecem no enredo. O desfecho do livro é sugestivo, aberto para interpretações.
A Coleções Folha mantém o seu padrão de qualidade nesta edição. O livro apresenta capa dura, folhas amareladas, fontes confortáveis e a lista completa da coleção Grandes Nomes da Literatura.

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