[RESENHA #126] RIO: ZONA DE GUERRA - LEO LOPES - Saga Literária

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terça-feira, outubro 04, 2016

[RESENHA #126] RIO: ZONA DE GUERRA - LEO LOPES


Título: Rio: Zona de Guerra
Autor: Leo Lopes
Editora: Avec
Páginas: 205
Ano: 2014
ISBN: 9788567901008
Onde Comprar: Amazon - Fnac

Sinopse: Em um futuro próximo, as desigualdades sociais e econômicas chegaram a níveis tão alarmantes que o Estado não tem condições de manter a ordem e garantir a segurança pública. Todo o poder é concentrado nas mãos de megacorporações multinacionais que criam e impõem as leis por meio de suas milícias particulares, chamadas Polícias Corporativas. No Rio de Janeiro, a Fronteira, uma muralha intransponível que cerca a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, protege os interesses das megacorporações, relegando os habitantes dos demais bairros a uma vida sem lei, em um território dominado pelas gangues. Tudo pode acontecer quando o assassinato de uma prostituta no edifício de uma megacorporação leva um detetive particular a voltar para a Barra da Tijuca, após anos de exílio no que todos se acostumaram a chamar de Zona de Guerra.

Resenha: Zona de Guerra se passa em um Rio de Janeiro do futuro, onde o autor nos apresenta uma enorme segregação social, onde megacorporações e pessoas ricas ficam de um lado enquanto os pobres ficam nos bairros periféricos e nos morros. Para aumentar tal segregação ou afastamento entre as classes sociais, existe uma fronteira física, criada pelas grandes corporações e que é monitorada em tempo real.

"Carlos Freitas estava voltando do mercado. Comia uma maçã enquanto andava calmamente pelas ruas do Méier. Adorava maçãs. O gosto, a textura e o barulho que faziam quando ele as mordia. O saco de papel que carregava junto ao corpo estava cheio delas." p. 11.

Dentro da fronteira os benefícios são diversos, como conforto, segurança, polícia privada e pouca poluição. Já do lado de fora, onde se encontram os pobres, a região é conhecida como Zona de Guerra, onde os pobres se misturam aos marginais. Tal lugar tem como característica, a grande violência, muita pobreza e incerteza sobre o futuro. 

"O holovisor era velho e muito usado, além de não ter as lentes limpas há muito tempo. O resultado era que a projeção tridimensional formada era falha, com pontos onde somente o vapor podia ser visto." p. 76.

Durante a leitura tomamos o conhecimento do abandono e descaso do governo com tais pessoas. Elas precisaram se reestruturar em meio ao caos, construindo casas ao redor dos escombros da guerra, além disso, os territórios são controlados por gangues.

Nesse cenário temos o detetive Carlos Freitas, que é um morador da zona de guerra, muito conhecido e respeitado. Em dado momento, Carlos é chamado para investigar um caso de assassinato dentro da fronteira, porém ele não imagina que tal caso pode levar para um caminho de proporções inimagináveis.

Opinião: Leo Lopes em Rio: Zona de Guerra apresenta uma escrita bastante ágil e articulada. O autor não perde tempo em explicações desnecessárias e apresenta ao leitor um enredo conciso, bem construído e desenvolvido, com cenários bem feitos, Leo apresenta críticas sociais muito relevantes e temos algumas reviravoltas na trama.
Creio que como ponto negativo é o tamanho do livro, são 205 páginas, pela qualidade demonstrada, poderia ser um pouco maior. O livro é uma obra nacional, que mistura romance policial com ficção científica. Outro ponto positivo é que se passa no Brasil, algo animador.
O livro pode ser considerado cyberpunk, subgênero da ficção científica, pois mescla ciência avançada, tecnologia e o tema como a desigualdade social. Por fim, a Avec Editora está de parabéns, não encontrei erros de português, a edição está bem feita, com orelhas, folhas amareladas e fonte em tamanho confortável. Recomendo a leitura para quem quer adentrar no gênero de ficção científica ou mesmo para aqueles que curtem uma obra cyberpunk ou noir.

Por Mayara Frossard

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