18/11/2016

[RESENHA #144] O CRIME DO PADRE AMARO - EÇA DE QUEIRÓS


Título: O Crime do Padre Amaro
Autor: Eça de Queirós
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 470
Ano: 2016
ISBN: 9788572325318
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: O crime do padre Amaro, primeiro romance de Eça de Queirós (1845-1900), não é apenas “uma intriga de clérigos e de beatas tramada e murmurada à sombra de uma velha Sé”, como o próprio autor escreveu. Mas também não será, como certa crítica defende, uma mera condenação moral e espiritual do clero – e da hipocrisia abjecta das mulheres devotas, que rezam aos santos certos e se entregam a luxúrias com os homens errados. Este romance sobrevive na memória do tempo pela extraordinária força dos seus personagens – em especial de Amaro, o jovem que seguiu o sacerdócio sem real vocação e que sucumbe ao mais prosaico dos sentimentos quando se apaixona por Amélia. Acompanhar os seus atos e pensamentos – a angústia da transgressão; o ressentimento pela liberdade amorosa de terceiros; mas também a fragilidade típica do amante; os seus ciúmes reais ou imaginários; e a dilacerante ambiguidade com que ele contempla o horrendo crime – é conhecer por dentro a tragédia de um homem em carne viva que o leitor irá reconhecer como um de nós. João Pereira Coutinho Professor e colunista da Folha.

Resenha: O Crime do Padre Amaro do autor Eça de Queirós, foi publicado originalmente em 1875, é o primeiro romance do autor. Eça nos conta a história de Amaro, filho de um dos empregados da famosa Marquesa de Alegros, que após a morte dos pais de Amaro, passa a cuidar dele, impondo para ele a profissão da fé, fazendo com que Amaro tornasse padre, com isso é enviado para o seminário.

"Foi no domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé, José Miguéis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sanguíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo comilão dos comilões." p. 9.

Após algum tempo no seminário, Amaro se torna pároco em uma província do interior, porém com o auxílio dos seus protetores e valendo-se da influência que tem junto a filha da Marquesa, a Condessa de Ribamar, Amaro acaba por conseguir uma transferência para Leiria, sede do bispado.

"No primeiro andar duas varandas de ferro, de aspecto antigo, faziam saliência, com os seus arbustos de alecrim, que se arredondavam aos cantos em caixas de madeira; as janelas de cima, pequeninas, eram de peitoril; e a parede, pelas suas irregularidades, fazia lembrar uma lata amolgada." p. 19.

Ao chegar em Leiria, o jovem padre se torna hóspede de Dona Joaneira, na Rua das Misericórdias. A anfitriã que tem uma relação muito boa com o clero, promove com frequências encontros religiosos noturnamente, discutindo a fé cristã e oferecendo jantares, além de jogos e músicas.


É nesses encontros na pensão que o padre Amaro se encanta e conhece Amélia, a filha da Dona Joaneira. Amélia é uma jovem e bela mulher, que com o passar do tempo acaba retribuindo os olhares do padre, porém a jovem é noiva de João Eduardo, que ao perceber a troca de olhares e flerte fica enciumado. Com o passar do tempo existe uma aproximação entre Amaro e Amélia.

No decorrer da leitura a paixão do padre pela bela jovem aumenta e em certa oportunidade, ousando, Amaro beija o pescoço de Amélia, que assustada, acaba fugindo. 

Volta a figura de João Eduardo, sabedor dos contatos que ocorrem entre Amado e Amélia, faz diversas acusações ao clero, citando nominalmente o padre Amaro, porém não consegue obter sucesso com seu intento, pelo contrário, o pároco recomenda que Amélia não case com o mesmo. Eça nos leva para acompanhar os anseios e destinos dos seus protagonistas.

Opinião: A trama apresentada por Eça de Queirós é bem construída e amarrada, trazendo algumas surpresas pontuais. As descrições dos ambientes não são aprofundadas. Existe toda uma construção psicológica dos personagens, mostrando suas angústias e dramas.
Durante a leitura podemos ver o envolvimento político da Igreja, sua força e influência sobre os devotos na época. Além disso vemos a participação da Igreja na construção da sociedade, bem como sua relação nas questões ligadas ao aborto, suicídio e sexualidade. Existe ainda toda uma crítica em relação ao papel e posição da mulher na sociedade da época.
Como ponto negativo, por vezes os diálogos deixaram a desejar, fiquei com a sensação em alguns momentos que foram superficiais. A linguagem apesar de rebuscada, é bem compreensível. O ritmo da história foi lento, o mesmo para a minha leitura. Particularmente achei a obra razoável, talvez as obras subsequentes de Eça possam me agradar mais, tendo em vista que O Crime do Padre Amaro é o primeiro livro do autor.
A Coleções Folha encerrou com a presente obra a coleção Grandes Nomes da Literatura, que por sinal é uma excelente coleção. Nesses 28 volumes, é claro que teve algumas oscilações, ao menos em nossa visão, contudo é uma coleção que tem o seu charme e brilho, certamente vale o investimento para quem está em dúvida, são clássicos, obras marcantes e que tiveram todo o carinho e esmero da editora. 
As obras possuem capa dura, folhas amareladas, fontes confortáveis e as revisões estão boas. Os livros podem ser adquiridos pelo site da Coleções Folha ou em bancas de jornais. Super recomendo a coleção!

23 comentários:

  1. Oie!
    Gostei muito da resenha e a capa do livro é incrível, achei muito legal mesmo.
    Adoro livros onde a psicologia dos personagens é abordada, acho que isso dá mais credibilidade à história.
    Ótima resenha!
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Bhárbara, tudo bem?
      Fico feliz que tenha gostado, obrigado!
      Bjus

      Excluir
  2. Olá, tudo bem?
    Eu nunca li esse livro, acredita? Mas adquiri recentemente e espero poder ler em breve :)
    Gosto muito de obras que tragam essas críticas sociais.
    E geralmente a leitura de clássicos é mais lenta para mim ;( Nunca consigo acabar um clássico rapidinho, por menor que ele seja. Mas geralmente curto a leitura. O problema é que às vezes bate uma preguicinha de começar um novo hahahah. Mas no ano que vem, pretendo ler pelo menos um por mês. E com certeza esse estará na lista. Pode até ser que os outros sejam melhores, mas já que é o primeiro, acho que vale fazer essa leitura =D
    Beijoos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Gislaine, tudo bem?
      Está na hora de ler então, é um ótimo clássico!

      Excluir
  3. Olá! Tudo bem?
    Eu adoro os clássicos, mas esse ainda não li. Conheço a história e acho que de tanto ouvir falar dele, perdi um pouco do interesse pela leitura. Mas é um livro que pretendo ler sim, assim como muitos outros qua ainda não li. Adoro Machado e José de Alencar. Amei sua resenha e é muito bom ver os clássicos sendo resenhados, quase não o vemos! Bj

    ResponderExcluir
  4. Ola!
    Minha filha ama esse livro!
    E por mais que ela insista para que eu leia, não consigo! Ele não me atrai.
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Um dia ela te dobra pelo cansaço! Rsss

      Excluir
  5. Olá... Esses clássicos são ótimos, mas ainda não li esse livro :/
    Amo essa coleção da Folha, diria que é um dos meus sonhos de consumo <3
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa coleção é muito linda, bem feita!

      Excluir
  6. Ola, tudo bem? Eu vou confessar que não conhecia esse livro. Até fiquei tentada a ler, mas sua resenha me deixou com um pé atras. De qualquer forma, vou ler sim vai que a leitura me surpreenda. Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Faby,

      leia sim, quem sabe não vai te surpreender?
      Bjus

      Excluir
  7. Olá !!! Que linda essa capa, as cores e qualidade, realmente dá muito gosto adquirir as obras antigas em versões tão lindas assim. Especialmente se tratando se Eça de Queirós. Amei demais a indicação !!! bjoooo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim Lorena, esses clássicos com "roupagem" nova ficaram lindos!
      Bjuss

      Excluir
  8. Sou louca por esses livros rapaz, é um clássico da nossa literatura tão rica, essa editora me encanta em cada resenha sua, dica super anotada. Sua resenha e fotos ficaram ótimas <3
    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Coleções Folha arrasa!
      Os livros ficaram lindos!
      BJus

      Excluir
  9. Olá!
    Li esse livro para a faculdade e posso acrescentar que em todas as obras do autor, a mulher é sempre quem sofre ou morre para o protagonista se redimir e tudo voltar o que era. É de uma pura hipocrisia, vamos dizer. Não podemos dizer que ele não é um ótimo autor, mas com certeza não é um dos meus favoritos.
    Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Belo ponto de vista Carolina, acho que em parte se deve ao seu tempo, uma sociedade extremamente machista!
      Bjuss

      Excluir
  10. Pausa para essa capa que está uma obra de arte. Bem acaba e altamente linda. Sobre a história: eu sempre quis ler, mas ainda não tive a oportunidade de ler nada do Eça de Queirós. Aliás, quero muito ler Os Maias dele.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quando surgir a oportunidade leia, é um clássico!

      Excluir
  11. Olá!
    eu não li nada do autor, mas lendo a sua resenha fiquei interessada em saber como o relacionamento de Amélia e Amaro termina. Espero que bem, sou uma romântica incurável. Uma pena a leitura não ter te agradado, diálogos superficiais acabam desanimando o leitor, gostamos de profundidade.
    Adorei a sua resenha, soube pontuar bem os pontos negativos e positivos.
    Beijinhos!

    ResponderExcluir
  12. Obrigado pelos elogios Suelen!
    Bjus

    ResponderExcluir
  13. Primeira vez que vejo essa obra, nunca li nada do autor, mas fiquei super interessada. Mesmo tendo esse ponto negativo, me pareceu ainda assim muito bom.
    Fico triste que você não tenha gostado, e que o diálogo tenha ficado sem sentido.
    Mas de repente dou mesmo uma oportunidade em breve.

    Beijos ♥

    ResponderExcluir

INSTAGRAM

Publicações Recentes

recentposts

Publicações Populares