08/03/2017

[CRÍTICA] LOGAN


Crítica: Logan marca da despedida de Hugh Jackman interpretando o personagem James Howlett, conhecido por alguns como Carcaju, comumente por Logan e talvez por todos como Wolverine, algo que Hugh Jackman fez ao longo de 17 anos distribuídos em nove filmes. 

A trama apresentada por James Mangold se passa em 2029, um futuro em que os mutantes estão em extintos e os X-Men não existem mais. Logo no início somos apresentados a um Logan (Hugh Jackman) em idade um pouco avançada, deixando nítido para todos que os seus dias de glória ficaram no passado, aliado a esse fato, o seu fator de cura não funciona mais como outrora. 
O protagonista trabalha como motorista de limusine, levando pessoas para festas, eventos e mesmo um enterro, é nesse momento que de fato a trama inicia, pois vemos uma mulher latino-americana pedindo ajuda ao velho Wolverine, para que ele proteja sua filha Laura.

A obra de James Mangold nos mostra um cenário onde os mutantes estão praticamente extintos e nos apresenta um pequeno núcleo de mutantes composto por Logan, Caliban, pelo cativante Professor Charles Xavier (Patrick Stewart) e Laura Kinney, uma menina nascida por meio de um projeto genético em que utilizaram o DNA de Logan.
Após algumas breves apresentações, o filme nos leva para uma jornada a caminho de Dakota Norte, onde Logan e Xavier intencionam levar Laura para um lugar conhecido como Éden, um possível paraíso e local seguro para os mutantes sobreviventes, contudo eles precisam enfrentar um grupo de mercenários liderador por Donald Pierce (Boyd Holdbrook), que quer capturar a garota Laura.

Ao longo do filme acompanhamos as dificuldades enfrentadas por Logan e Xavier, oriundas de suas limitações, em parte pelo modo como Logan leva a sua vida e em parte pela idade avançada de Xavier, que possivelmente está com Alzheimer, uma enfermidade incurável que o leva a involuntariamente utilizar os seus poderes e para isso, ele tomar alguns medicamentos como forma de controlar os mesmos.

Opinião: A obra apresenta um tom de melancolia, com um protagonista (Logan) e seu coadjuvante (Xavier) envelhecidos e aparentemente mal cuidados. O filme nos deixa claro que é uma história para adultos. A brutalidade está presente de forma clara nas cenas de ação, que funciona em equilíbrio com o texto e este universo em decadência que nos é apresentado, além disso dá aquele clima sombrio que de fato o Wolverine tem.
Eu li as HQ Old Logan tem alguns anos e posso dizer que existe aquele sentimento e clima de faroeste ou mesmo pós-apocalíptico em alguns momentos, que pode ser visto através das paisagens desérticas. Assim, como nos quadrinhos, existe aquela forte sensação de que Wolverine não é mais aquele mutante invencível, mas sim, um homem cheio de falhas, dor e sentimentos.

Hugh Jackman certamente fez a sua melhor interpretação como Wolverine, que vai muito além da violência na sua interpretação, destoando em muito dos filmes anteriores. Patrick Stewart novamente me conquistou por meio de sua interpretação magistral que faz em Charles Xavier. É comovente ver o estado do professor que alterna momentos de lucidez com momentos em que fica divagando, aliado ao seu débil estado de saúde que necessita de cuidados, vemos uma figura extremamente frágil e que lamenta profundamente em determinado momento de uma pequena parte do seu passado.
Dafne Keen interpreta Laura e a pequena atriz se mostra uma gigante, dominando bem sua personagem extremamente instável e altamente violenta, que em alguns momentos consegue se mostrar uma criança doce e atenciosa com Charles. Boyd tem o seu destaque com o vilão Donald Pierce, apresentando um forte sotaque e uma grande indiferença com tudo que ocorre ao seu redor, se mostra um antagonista que funciona muito bem na narrativa.
Logan é uma obra ímpar e legítima, que mostra ser uma grande experiência visceral. James Mangold nos leva a refletir e questionar sobre a vida e a morte, as escolhas que fizemos no passado e que permanecem impactando em nossas vidas, bem como a possibilidade da redenção. O filme não é uma obra de super-herói como estamos acostumados a ver, mas sim uma obra dramática e melancólica, uma obra violenta e cruel, porém humana. É um fim de uma era que fecha com chave de ouro.

Um comentário:

  1. Ainda não assisti e não sei quando conseguirei fazê-lo. Mas, achei muito tocante sua crítica. Parece que fugir um pouco desse clima corrido de filmes de heróis, e buscar mais esse tom melancólico, coroa o fim de uma saga, de um personagem por aquele ator, e o sentimento dos fãs.

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