06/04/2017

[RESENHA #220] O FEITICEIRO DE TERRAMAR - CICLO TERRAMAR - LIVRO I - URSULA K. LE GUIN



Título: O Feiticeiro de Terramar - Ciclo Terramar I
Autor: Úrsula K. Le Guin
Editora: Editora Arqueiro
Páginas: 176
Ano: 2016
ISBN: 9788580415216
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O Feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter e Úrsula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman. 

Resenha: Em O Feiticeiro de Terramar, Ursula K. Le Guin, nos leva a uma incrível aventura. Desde criança o pequeno Duny, já mostrava sinais de ser um pouco diferente das outras crianças da ilha de Gont, uma montanha solitária do mar Nordeste e famosa por seus feiticeiros. Quanto tinha sete anos viu sua tia chamar uma cabra que não queria obedecer e depois de ditar uma rima, a cabra veio saltitante até ela. No dia seguinte, enquanto estava pastoreando, ele gritou a mesma rima para as cabras que vieram rapidamente até ele. Gritou novamente, e de repente o menino acabou ficando com medo dos animais e saiu correndo e choramingando para a aldeia. 

"Os aldeões saíram correndo de suas casas para xingar as cabras e rir do garoto. Entre eles, estava a tia de Duny, que não riu. Ela disse uma palavra para as cabras e os animais começaram a balir, pastar e perambular, livres do feitiço." p.15

Levando o sobrinho para sua cabana, ela percebeu que o garoto era dotado de poder e disse que poderia ensiná-lo. Imediatamente, Duny aceitou e após algumas promessas que sua tia o fizera prometer, assim começou sua jornada ante a feitiçaria.  

"No inicio, o que o agradava nas artes mágicas era, de modo infantil, o poder e o conhecimento que isso lha dava sobre aves e outros animais." p. 17

Os anos se passaram e Duny seguiu firme estudando toda a feitiçaria que sua tia poderia ensinar e o suficiente para um garoto de 12 anos em uma aldeia remota. As outras crianças, por sempre vê-lo entre as pastagens elevadas e com uma ave de rapina por perto, acabaram lhe dando o apelido que iria acompanhá-lo por toda a vida: Gavião.
Quando sua aldeia se vê prestes a ser atacada pelo guerreiros do Império Kargad, um povo selvagem e feroz, que adorava sangue e ver as cidades queimarem, Duny foi um dos aldeões que resolveram criar uma resistência aos Kargads, mesmo sabendo que teriam pouquíssimas chances pelo menos de saírem vivos, quanto mais de vencerem a batalha.

"Duny estava com eles. Tinha trabalhado durante toda a noite no fole da força, abrindo e fechando a sanfona de couro de cabra que alimentava o fogo com um sopro de ar. Agora seus braços doíam e tremiam tanto po causa do trabalho que ele não conseguia erguer a lança que escolhera." p. 19

Vendo seu fim, de seu pai e amigos, muito próximo, Duny, vasculha em seus conhecimentos uma forma de deter os invasores. Assim, ele evoca um feitiço de amarração chamado trama-névoa, confundindo os invasores e fazendo com que eles fugissem de medo. Mas o uso do poder sem a experiência fez com que Duny entrasse em um estado de catatonia, ficando assim por cinco dias.

Durante o tempo em que ele ficou deitado, cego e confuso, a história do rapaz que controlou o nevoeiro e espantou os guerreiros de Karg com uma confusão de sombras foi contada por todo o lugar: do vale do Norte à floresta do Leste ao alto da montanha e acima da montanha até o grande porto de Gont.

Quando chega à aldeia de Dez Amieiros, um mago, que ouviu a história dos feitos do garoto, e faz com que Duny acorde de seu sono catatônico, ele promete voltar no dia do seu 13º aniversário para nomeá-lo e fazer a passagem do garoto para a vida adulta. O estrangeiro viera de Re Albi e seu nome era Ogion, o Silencioso, um mago que controlou um terremoto. Dito e feito, Ogion, volta no dia em que Duny completa 13 anos e o nomeia numa cerimônia simples de passagem, seu nome passar então a ser, Ged.

"Nu e sem nome, ele caminhou até as nascentes frias do rio Ar, entre rochas, debaixo de altos penhascos. A medida que entrava na água, nuvens cruzavam a face do sol e grandes sombras se esgueiravam e se misturavam acima do rio ao seu redor." p. 24
Ged, ao fazer a passagem e ganhar seu nome, também se tornou um aprendiz do grande mago Ogion. Após uma longa viajem até Re Albi, Ged, se vê numa impaciência dos mais novos. Fica impaciente por não aprender logo as magias, os encantamentos e tudo o que um mago pode aprender. Ogion, é um homem calado e isso acaba irritando e desanimando Ged, que mais uma vez tenta ir além de seus conhecimentos.

Após um episódio que quase acaba errado, Ogion dá um escolha à Ged: Ficar e aprender com Ogion no seu próprio tempo ou ir para Roke, a cidade onde ensinam as artes elevadas e criadora de magos. Ged, escolhe Roke.

"Ged ficou parado, confuso: o coração perplexo. Ele aprendera a amar aquele homem, Ogion, que o curara com o toque e que não sentia raiva: ele o amava e não percebera isso até aquele momento." p. 32

Quando Ged chega a escola de magos, fica surpreso com tudo o que vê e com tudo o que pode aprender ali. Porém, jovem, inexperiente e orgulhoso, logo encontra um rival e um amigo, Jaspe e Vetch. Ambos são estudante avançados e no caminho de conseguirem seus cajados. Uma noite após uma discussão com Jaspe, Ged se propõe a fazer uma magia proibida e trazer alguém do mundo dos mortos, Vetch tenta evitar, mas Ged, tomado pela ira e o orgulho, inicia o encantamento. E é aí que tudo dá errado. Ged, liberta um ser maligno sem nome e sem corpo, uma sombra, que à partir daquele dia tem somente um objetivo: Tomar o corpo de Ged.

Opinião: Tenho que confessar que quando comecei a ler O Feiticeiro de Terramar, esperava outro tipo de leitura. Porém, essa foi uma das melhores surpresas do livro de Ursula K. Le Guin. Nesse livro não teremos batalhas sangrentas de exércitos medievais ou lutas entre magos poderosos, não. Nesse livro nós teremos uma busca. A história do Mago Gavião, impressiona desde as primeiras páginas, onde nos deparamos com uma criança comum fazendo coisas que qualquer criança faria em sua idade. 

Depois que ele cresce, já com nome Ged, vemos a impaciência, a arrogância e o orgulho típico dos adolescentes. É exatamente, nessa linha de pensamento que a história vai encontrando seu caminho. Ged comete um erro terrível quando está na Escola de Magos em Roke, e por isso, além de carregar as cicatrizes em seu rosto pelo resto da vida, tem que encontrar a redenção pelas consequências de seus atos impensados.
É nessa busca que vemos como o personagem de Ged vai crescendo, através da bondade da servidão e do cuidado. Ged percorre uma longa jornada que vai se tornando cada vez mais perigosa e esse mesmo perigo é o que o faz se afastar de tudo e de todos. Ele precisa encontrar seu medo, enfrenta-lo e tentar vencê-lo, nem que para isso tenha que dar a vida por isso. 
O Feiticeiro de Terramar não é um livro que fala de batalhas sangrentas, mas sim de pessoas e nos apresenta uma história envolvente que mostra que às vezes temos que percorrer um logo caminho para tentar nos encontrar e assim deixar os erros no passado e viver o presente.

O Feiticeiro de Terramar - Ciclo Terramar - Livro I, foi editado pela Editora Arqueiro e tem uma capa belíssima com uma das cenas do livro. O papel é amarelado e tem fonte confortável. No final também temos um posfácio da autora que é muito bacana. O Feiticeiro de Terramar me surpreendeu de uma forma muito boa, pois tive uma leitura extremamente prazerosa.

O Feiticeiro de Terramar - Ciclo Terramar - Livro I, é realmente IMPERDÍVEL.


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Clique aqui para ler a resenha de "As Tumbas de Atuan - Ciclo Terramar - Livro 2.

2 comentários:

  1. Adorei a resenha! Bem pontual e concordo, é um livro sobre pessoas,sobre se conhecer, crescer e melhorar a cada dia. Amo esse livro.

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    1. Keylinha, muito obrigado. Saiba que sua opinião conta muito. O livro é fenomenal mesmo. Beijos.

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