[RESENHA #274] O MENINO QUE PERDEU A MAGIA - CELLY BORGES - Saga Literária

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sexta-feira, junho 23, 2017

[RESENHA #274] O MENINO QUE PERDEU A MAGIA - CELLY BORGES


Título: O Menino que Perdeu a Magia
Autora: Celly Borges
Editora: Estronho
Páginas: 128
Ano: 2014
ISBN: 9788564590670
Onde Comprar: Amazon - Estronho

Sinopse: Essa história me foi contada. É repleta de sonhos - alguns encontrados, outros perdidos - e seres fantásticos. Fala sobre um homem chamado Conrad, senhor Conrad Filho, mas começa quando ele ainda nem havia recebido o título de "Senhor" e foi horrivelmente obrigado a abandonar a sua magia, os seus sonhos. Ou assim acreditavam as pessoas que haviam perdido as suas magias há muito tempo. Nossa história começa assim: Daniel Conrad era feliz e apreciava sua infância...

Resenha: Daniel Conrad é uma criança muito sozinha, apesar de gostar muito de sua infância. Ele vive em uma casa enorme que em um grande jardim também, pois seus pais gostam de mostrar que podem ter uma casa grande com jardim. Mas eles não deixavam Daniel brincar com ninguém, pois não queriam que ele se misturasse com outras crianças para que não o influenciasse negativamente. E, já que estamos aqui, vamos falar dos pais de Daniel. Ambos eram frios, pois não acreditavam em carinho e coisas assim, somente em coisas concretas, como o dinheiro, por exemplo.

"- Quem precisa de carinho? Todos precisam de dinheiro para viver! - dizia o senhor Conrad. - Carinho não faz com que a comida apareça no prato, muito menos que bolsas de grife surjam no guarda-roupa - gritava a senhora Conrad de seu armário cheio de sapatos e bolsas das marcas mais caras, que ela usava uma ou duas vezes no máximo, pois dizia que repetir roupas e acessórios estava fora de moda." p.14.
Os pais de Daniel também não tinham paciência para cria-lo, então isso ficava para as babás, a televisão e os professores, é claro. Era dever deles educar seu filho. Também não brincavam com ele, pois estava sempre muito ocupados com muitas coisas inúteis. A futilidade dos pais de Daniel eram tamanha que a mãe focava-se nos programas de fofoca o dia todo, pois acreditava que só assim poderia estar "por dentro" dos acontecimentos da alta sociedade. Seu pai achava que coisas de criança não davam em nada, muito menos em dinheiro, que era o que realmente importava. Daniel tinha um pouco de alegria apenas com a empregada, Dona Rosinha, que o acordava todas as manhãs cantando uma musiquinha e com o motorista, João, que o levava e o trazia da escola, sempre tocando cds de Heavy Metal. Na verdade, era a única opção de socialização que o pequeno Daniel tinha na vida.

"- Não podemos perder tempo com bobeira de criança - falava o pai de pijama, esticado no sofá, tomando cerveja, comendo aperitivos e assistindo qualquer coisa na televisão. A mãe tinha uma voz esganiçada e se achava muito bonita e elegante, mas era magra demais, alta e com pele esticada de tanta plástica desnecessária." p.17.
Mas as coisas para a família de Daniel estavam para mudar. Em uma manhã como outra qualquer na vida dos Conrad, seu pai saiu cedo, mais logo voltou e estava muito nervoso e aos berros. Tinham perdido toda a fortuna, tudo, não tinha sobrado nada. Então, às pressas, todos tiveram que sair de casa, pois os cobradores logo iriam bater ali e segundo o pai de Daniel, eles deviam muito dinheiro. Foi nesse dia que ele se sentiu mais triste ainda, não pelo dinheiro, mas pela forma que seus pais o trataram dali em diante. Depois de pegar o que podiam e com o carro carregado de coisas, os três partiram daquela casa e foram para o seu novo lar, pois o Sr. Conrad, já tinha tudo preparado.

"(...) - Então, que seja! Pare de bancar a criança. Olhe como você criou esse seu filho estúpido - gritou para a esposa que não se importava com "simples palavras", o pai apontava com raiva para o garoto. Sua voz saia cada vez mais esganiçada. - Seu traste, vai trabalhar para nos sustentar! Suba para o seu quarto e faça suas malas com seus pertences mais necessários, vamos embora daqui! - ele gritava e babava aos mesmo tempo. - Agora, inútil!" - p.41.

A nova moradia dos Conrad era muito diferente do que estavam acostumados. Foram para uma vizinhança com edifícios gastos e velhos, feios e amedrontadores. Porém, uma coisa estranha aconteceu com Daniel. Ele ouviu os prédios falando dele e com ele. Achou que estava delirando, mas logo viu que estava mesmo ouvindo os prédios falarem. Quando entrou no prédio em que iria morar, tomou um susto quando um degrau da escadaria falou com ele e sem acreditar, só conseguiu ficar ali parado e olhando para aquele degrau. Achando que tinha enlouquecido, quase se convenceu disso quando outro degrau entrou na conversa e quando estava atordoado por ter visto e falado com degraus, uma menina apareceu no topo da escadaria e falou com ele e, imaginem só, ela perguntou exatamente o que tinha acabado de acontecer, se o degrau já tinha falado com ele. Daniel não sabia ainda, mas estava para entrar num mundo totalmente diferente do mundo cinza em que vinha vivendo até aquele momento. Um mundo colorido, divertido e feliz.

"O menino ficou com cara de nada, pois é assim: quem não entente nada, fica com cara de nada - mas isso é mais comum para quem não lê e não estuda. - Ei, você! - gritou uma menina no alto da escada. - Falou com o degrau chamado Segundo Degrau de Baixo Para Cima?" - p.52.
Opinião: "O Menino Que Perdeu A Magia" de Celly Borges, entra para a categoria de surpresas literárias do ano. Realmente, a história de Daniel Conrad me conquistou e acredito que possa conquistar muitos leitores mais. A escrita de Celly Borges é muito boa, fluída e aconchegante. Ela conseguiu mostrar um mundo mágico dentro de um cenário desolador tendo como protagonista uma criança que apesar de ser inteligente, sensível e criativa, vivia numa redoma criada por seus pais dominadores e fúteis. Quando tudo muda na vida de Daniel, ele começa a ver como as coisas podem ser diferentes, como a magia da infância e do "acreditar" pode ser a chave para ser feliz. É muito interessante cada personagem apresentado nesse mundo de fantasia em que tudo é possível desde que você acredite. A autora criou um mundo chamado Fantas, onde, obviamente, tudo é possível. Realmente, foi uma jornada muito gratificante ver como ela conduzia a vida do pequeno Daniel Conrad. Mostrando a infância aterradora, passando pela descoberta da magia, sua vida adulta e sua velhice.
A mensagem do livro é bastante clara quanto a nossa vida e no que colocamos nossos esforços e onde os esquecemos. Lembra-nos que certas coisas não deveriam nunca ser esquecidas, mas que de uma forma ou de outra, acabamos deixando passar. Claro, que sempre temos alguma oportunidade de nos redimirmos, desde que tenhamos esse desejo. A história de "O Menino Que Perdeu A Magia" é uma bela amostra do que nunca deveríamos esquecer e Celly Borges, nos apresenta isso de uma forma muito bela e sensível.
Esse livro faz parte da Coleção Fantasia de Bolso da editora Estronho, e sua edição está muito bem feita. Tem uma bela capa com orelhas, fonte bastante agradável e papel amarelado. Também conta com muitas e belas ilustrações da artista Carolina Mancini, o que deixa essa aventura ainda mais bonita e emocionante.
Realmente, como disse lá em cima, mais uma surpresa literária do ano. Espero que seja para vocês também, pois "O Menino Que Perdeu A Magia" de Celly Borges com ilustrações de Carolina Mancini é sim, IMPERDÍVEL.

2 comentários:

  1. Uau! Obrigada pela resenha! Fiquei imensamente feliz e emocionada com suas palavras. E espero que a magia esteja sempre com você! rsrs.

    Abraços da Celly, ou Heidi. =)

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    1. Eu que agradeço, Celly. Adorei o livro. Muito obrigado. Beijos.

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