[RESENHA #276] O SEGREDO DE HEAP HOUSE - EDWARD CAREY - Saga Literária

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segunda-feira, junho 26, 2017

[RESENHA #276] O SEGREDO DE HEAP HOUSE - EDWARD CAREY


Título: O Segredo de Heap House
Autor: Edward Carey
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 384
Ano: 2017
ISBN: 9788528617788
Onde Comprar:
 Amazon - Saraiva

Sinopse: Um livro espetacularmente esquisito, cheio de magia, humor astuto e personagens melancólicos e bizarros. Clod é um Iremonger. Ele vive nos Cúmulos, um vasto mar de itens perdidos e descartados coletados em Londres. No centro dos Cúmulos está Heap House, um quebra-cabeça de casas, castelos, cômodos e mistérios recuperados da cidade e transformados em um labirinto vivo de escadas e criaturas rastejantes. Uma tempestade está se formando sobre Heap House. Os Iremonger estão inquietos, e os objetos falantes estão gritando cada vez mais alto. Os segredos que mantêm a casa em pé começam a vir à tona para revelar uma verdade sombria capaz de destruir o mundo de Clod. Tudo, porém, começa a mudar quando ele encontra Lucy Pennant, uma órfã rebelde recém-chegada da cidade...

Resenha: A história de "O Segredo de Heap House" ocorre na cidade de Londres do século XIX. Edward Carey nos traz o jovem Clod, um rapaz de 15 anos que vive em um local conhecido por todos como Cúmulos, um lugar afastado na cidade de Londres onde lixos são descartados. Nesse cenário também conhecemos a história da família Iremonger, uma família de "linhagem pura" proprietária de um conglomerado de cômodos, que formam a famosa Heap House. 

Os Iremonger ficaram ricos através da utilização do lixo descartado por outras pessoas pela cidade e a própria casa foi construída com pedaços de outras casas que os Iremonger iam adquirindo. Para manter a "linhagem pura" e especialmente a riqueza entre eles, os integrantes da família Iremonger, com o passar do tempo, começaram a realizar casamentos entre eles. 

"Aqueles apêndices de carne nas laterais da minha cabeça faziam coisas demais; aqueles dois buracos pelos quais os sons entravam viviam assoberbados. Eu escutava coisas quando não devia." p. 10.

Os pais de Clod inclusive eram primos Iremonger's, todavia haviam morrido e para piorar a situação, o jovem vive adoentado, além de apresentar um porte físico frágil, porém nem tudo era ruim, Clod tem um dom, ele pode ouvir os nomes que os objetos diziam. Na sua família, todos os integrantes ao nascerem, ganham um objeto que simboliza o próprio destino e o garoto Clod ganhou um tampão de ralos, que ele acaba usando em uma corrente, como se fosse um relógio de bolso. O grande problema é que o jovem consegue ouvir o que os objetos estão falando.

O acesso para Heap House é no mínimo curioso, pois ocorre através do subsolo, em uma estação de trem que liga a construção a Londres. A casa é divida entre a parte subterrânea, onde residem os Iremonger considerados mestiços e a parte visível onde temos os "sangue-puro". Os mestiços são vistos como simples serviçais, já os da "pura linhagem" recebem um tratamento diferenciado. 

"Sem dúvida, aquele era um lugar peculiar, cheio de comportamentos peculiares, mas pouco importa, pensei: as pessoas são peculiares." p. 82.

É através de Clod que acompanhamos esse cenário discrepante, em que ele representa o legítimo Iremonger da superfície, enquanto isso, aparece a figura de Lucy Pennant, uma orfã que acaba de chegar a estranha mansão. Lucy é uma garota ruiva, que perdeu os pais para um doença estranha. Órfã, ela foi adotada por um Iremonger, pois acreditava-se que um do seus pais pertencia à família, mas optara por viver fora de Heap House. Lucy é levada para trabalhar na mansão, onde teria um futuro melhor que no orfanato, mas dotada de uma forte personalidade, ela não quer ser apenas mais uma Iremonger. É ao lado de Clod que Lucy parte para desvendar e revelar muitos dos segredos que a família dos Iremonger guardam tem muito tempo.

Opinião: Edward Carey nos apresenta uma história criativa, com descrições que beiram ao exagero, repleto de humor negro e ironia, o autor leva ao leitor um belo livro infanto-juvenil. A narrativa é feita em primeira pessoa, alternando sob o ponto de vista dos personagens Clod e Lucy, intercalando com narrativas de personagens secundários.
O autor nos traz uma história intrigante e consegue prender o leitor na leitura, pois sempre nos surpreende com algo novo, além é claro dos diversos segredos e mistérios que tem no livro. Edward Carey também realiza uma crítica ao retratar os Cúmulos como um sistema totalitário, remetendo ao período em que ocorre a revolução industrial devido ao sistema de mão de obra barata. Outro aspecto positivo é a ambientação, um espetáculo à parte, pois Heap House é quase um personagem, tamanha a quantidade de detalhes.
O Segredo de Heap House foi uma leitura rápida, é um livro que mescla elementos como ficção e fantasia de uma forma estranha e que fascina. O livro me lembrou alguns dos filmes do Tim Burton, com personagens esquisitos e peculiares. Estou ansioso para ler os próximos volumes da trilogia, fiquei encantado pelo o que foi apresentado.
A edição contém diversas ilustrações realizadas pelo autor Edward Carey, que por sinal enfatiza características de diversos personagens, demonstrando um pouco da personalidade de cada um deles. As páginas são amareladas, a revisão está muito boa, os capítulos são relativamente curtos, algo que considero positivo. Agora, a capa tem um ar de melancolia, o que reflete um pouco os Iremongers. Recomendo a leitura de O Segredo de Heap House para todos, principalmente para aqueles que gostam de mistérios.

O autor: Edward Carey nasceu em North Walsham na Inglaterra. Romancista, artista visual e dramaturgo, seus livros foram traduzidos para 13 idiomas. Ele morou na Inglaterra, França, Romênia, Lituânia, Alemanha, Irlanda, Dinamarca e Estados Unidos. Atualmente mora em Austin, Texas, com sua esposa, a autora Elizabeth McCracken e seus dois filhos.

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