[RESENHA #287] A MENINA QUE TINHA DONS - M. R. CAREY - Saga Literária

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sexta-feira, julho 21, 2017

[RESENHA #287] A MENINA QUE TINHA DONS - M. R. CAREY


Título: A Menina que tinha dons
Autora:  M. R. Carey
Editora: Fábrica231 (Rocco)
Páginas: 384
Ano: 2014
ISBN: 9788568432020
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.

Resenha: Escrito por M. R. Carey, roteirista de X-Men, A Menina Que Tinha Dons é um livro ambientado numa Inglaterra pós-apocalíptica onde o mundo foi assolado por um vírus que originou os famintos, seres que na verdade são zumbis. Eles são mais rápidos que qualquer ser humano, possuem o olfato apurado mas por outro lado tem a visão debilitada. Nesse cenário, conhecemos a Dra. Caldwell, que trabalha em uma base habitada por soldados e professores, que tem por objetivo realizar pesquisas em crianças, que são cobaias humanas, para descobrir a cura pela infecção gerada pelo fungo que assolou os seres humanos.

"Melanie gosta muito do nome Pandora, mas não se pode escolher. A Srta. Justineau atribui nomes a partir de uma lista grande; as crianças novas recebem o primeiro nome da lista dos meninos ou o primeiro nome da lista das meninas e, segundo a Srta. Justineau, é assim e pronto." p. 7.
Os professores estão na base para cuidarem do ensino das crianças especiais, observando os seus avanços, bem como o quanto cada criança consegue absorver de informação. No meio dessas crianças, conhecemos Melaine, uma garotinha muito especial, educada e gentil, de apenas 10 anos. Melaine é acordada todos os dias aos berros pelo sargento Parks e seus soldados na cela em que vive, além disso é amarrada em uma cadeira para acompanhar suas aulas diariamente, algo que tornou-se natural para ela. Ela apenas questiona uma coisa: o que ela é?

Por onde Melaine passa, desperta medo ou raiva nas pessoas, a única pessoa que ela ama e recebe o mesmo sentimento é sua professora, Srta. Justineau. Com o passar do tempo, os estudos da Dra. Caldwell começam a deixar Melanie assustada. Em certo momento, a base em que a garota vive é ataca por lixeiros, humanos que se recusaram a se juntar aos sobreviventes, e também pelos famintos.

"Ele despeja cerca de um terço da água que lhe resta, segura o saco firmemente pelo pescoço e sacode por mais ou menos meio minuto. Depois abre e espreme um pouco da pasta resultante diretamente na boca." p. 305.
Com esse ataque à base, os planos de Caldwell para descobrir a cura são frustrados, obrigando-a a formar um grupo formado por ela, Melaine, uma professora de infectados e dois soldados. Juntos, vão precisar enfrentar o caos que está instalado no mundo, buscando sobreviver em uma jornada suicida repleta de famintos e obstáculos inimagináveis, com a esperança de chegar até Beacon.

Opinião: Narrado em terceira pessoaA Menina Que Tinha Dons é uma distopia envolvendo crianças em um cenário pós-apocalíptico em que os seres humanos foram infectados e viraram famintos (zumbis). Nessa trama vemos que as crianças são utilizadas como cobaias em busca da cura e para isso, são colocadas sob observação, além de viverem reclusas. É chocante a forma como os experimentos são conduzidos nessas crianças, como elas são abertas e usadas pelos cientistas e por fim, são descartadas.
Melaine é uma personagem que gera conflitos, pois em alguns momentos queremos gostar dela e em outros momentos não. Por um lado ela é uma menina gentil e educada. Por outro lado, ela é perigosa e é capaz de fazer estragos caso perca o controle. Dito isto, ficamos acompanhando sua história de perto, esperando que ela possa sair dos trilhos, enquanto vai ganhando a nossa atenção.
Gostei bastante desse livro, pois o autor criou a possibilidade de nós leitores, acompanharmos de perto os medos, expectativas e anseios dessas pessoas nesse mundo com poucas esperanças. Carey nos traz a mensagem sobre acreditar e confiar uns nos outros, fala sobre o laço de amor e proteção que criamos por outras pessoas. É possível compreender porque alguns personagens escolhem determinadas condutas e descobrimos, que mesmo não concordando com certas ações, elas ainda podem ser justificadas.
É perceptível que o autor realizou pesquisas para elaborar o seu livro, tendo em vista que o fungo realmente existe e que contamina formigas, mas foi transportado para esse cenário, descrevendo a doença que acometeu os seres humanos com detalhes. A Menina Que Tinha Dons é um livro cruel e ao mesmo tempo consegue ser sensível, contém sofrimento e tristeza, mas também esperança.

Sobre a Edição: A capa é simples e bonita, com cores em amarelo e detalhes em branco e vermelho, contém ainda a silhueta de uma menina. A capa ainda me passou ao toque a sensação de emborrachada. A diagramação está boa, fonte e espaçamento em bom tamanho, as folhas são amareladas e a revisão ficou muito boa. A Menina Que Tinha Dons foi uma ótima leitura e deixo essa dica para todos.
Sobre o Autor: Mike R. Carey nasceu em Liverpool (Inglaterra), é um escritor com diversos quadrinhos publicados pela DC Comics/Vertigo e Marvel/Comics, além de ter sido o responsável por um quadrinho com a bibliografia de Ozzy Osbourne na década de 90. O seu livro A Menina Que Tinha Dons foi adaptado para o cinema em 2016.

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3 comentários:

  1. amo esse livro, é um dos meus favoritos, depois que li praticamente perdi a fé na humanidade, já tem o filme?
    https://dose-of-poetry.blogspot.com.br/

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    1. Eu coloco esse livro como uma das melhores leituras de 2017. Já tem o filme sim, foi lançado em 2016.

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  2. Olá Yvens, tudo bem?
    Que máximo esse livro. Eu não conhecia, mas me encantei pela história. Tem uma premissa interessante daquela que nos prende inteiramente. Gosto de distopias, mas não leio muitas, apenas aquelas que me prendem e essa é definitivamente uma delas. Eu também não sabia desse filme vou colocar ambos na minha lista espero curtir tanto quanto você. Mais uma resenha linda sua que me conquista.
    Parabéns e muito sucesso!

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