[RESENHA #293] ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS? - PHILIP K. DICK - Saga Literária

Novidades

domingo, julho 30, 2017

[RESENHA #293] ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS? - PHILIP K. DICK


Título: Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?
Autor: Philip K. Dick
Editora: Aleph
Páginas: 269
Ano: 2014
ISBN:9788576571605
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente e coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro - um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separada o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava. Em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.

Resenha: Rick Deckard não esperava nada além de mais um dia de trabalho quando seu despertador automático do sintetizador de ânimo lhe enviou uma gostosa onda elétrica para acordá-lo. Sua esposa dormia ao seu lado e, ao contrário de Deckard, não queria e não iria se levantar. Ela havia programado seu sintetizador para o modo mais fraco e iria passar o dia na melancolia. Depois de uma breve discussão e um rápido café da manhã, Deckard, já pronto para o trabalho, saiu de seu condapto e subiu até o terraço onde estava sua ovelha. Ela era falsa, mas era o que ele podia pagar no momento. Uma ovelha real custava uma fortuna, assim como quase todo animal de verdade depois da Guerra Mundial Terminus. Muitos dos sobreviventes acabaram migrando para as colônias interplanetárias, mas quem ficou na Terra teve que se proteger da Poeira, que a longo prazo era fatal. Até então, todos os exames de Deckard estavam normais.

"O ar da manhã - transbordando partículas radioativas acinzentadas por todos os lados, encobrindo o sol - arrotava ao redor dele, infestando seu nariz; involuntariamente, farejou a contaminação da morte." p. 20.
Depois da guerra e do assentamento da Poeira, todos as pessoas tinham ou melhor, eram mais bem vistas se tivessem seu animal de estimação verdadeiro. Esse era o maior sonho de consumo das pessoas no período pós guerra e Deckard não era diferente. Seu maior desejo era trocar sua ovelha elétrica por uma real, mas isso custava um bocado de dinheiro, segundo o catálogo da Sidney's Animais & Aves Domésticas. Naquela manhã, Deckard chegou atrasado e a primeira pessoa que viu foi seu chefe que queria uma reunião logo as nove e meia. Deckard já sabia que algo tinha acontecido, só não imaginava o que era.

Do outro lado da cidade, John Isidore, que era o único morador de um enorme condomínio que foi abandonado depois da guerra, se preparava também para ir trabalhar. Isidore era um "cabeça de galinha", um pária da sociedade. Ele não tinha conseguido passar no teste de QI e por isso não poderia emigrar, nem se casar e muito menos ter filhos e tudo isso de acordo com a Lei. Mesmo assim, Isidore teve sorte, pois conseguiu um trabalho como motorista da empresa de consertos de animais falsos; O Hospital Van Ness para Bichos de Estimação. John Isidore tinha apenas um passatempo: O programa do Buster Gente Fina. Antes de sair para o trabalho, Isidore se espantou por ouvir uma televisão ligada, que não era a sua. Com um misto de surpresa e alegria, John percebeu que não estava mais sozinho naquela imensidão de apartamentos mortos.

"Naquela época, a precipitação era esporádica e altamente variável; alguns Estados estavam quase livres dela, outros tornaram-se saturados. As populações errantes se moviam à medida que a Poeira se movia. A península sul de San Francisco foi o primeiro lugar a ficar livre do pó, e um grande número de pessoas respondeu ao fato indo morar ali; quando a Poeira chegou, alguns morreram e o restante partiu. J. R. Isidore ficou." p. 29.
Deckard, ficou espantado e preocupado em saber que seu companheiro de trabalho, Dave Holden, o melhor caçador de androides do departamento havia sido ferido gravemente. O inspetor Bryant lhe informou os detalhes do que havia acontecido, dizendo que o caçador tinha sido pego por um dos androides, uma das novas unidades Nexus-6. Seis deles estavam na Terra sem autorização. Dave tinha sido pego numa tentativa de comprovar se Max Polokov era um dos seis androides Nexus-6, através do teste mais eficaz: o Teste Voigt-Kampff. Deckard teria que ir atrás de cada um dos seis androides que estavam na lista de Dave, porém, o inspetor Bryant ainda precisava saber se ele daria conta da missão. Então, manda Deckard até a Associação Rosen, os criadores dos androides, e testar um dos novos modelos Nexus-6.

Enquanto isso, John Isidore, conhece a nova moradora no edifício abandonado. Seu modo abobalhado não deixa de notar que ela é diferente, mas Isidore está sozinho a tanto tempo que ele não se importa, mesmo a garota ter batido a porta na cara dele, ainda assim havia conhecido Pris Stratton ou melhor, senhorita Stratton.

"Os dois membros da família Rosen o estudaram apreensivamente, e Rick sentiu quão ocos eram seus modos; indo até lá, ele levara o vácuo até eles, escoltara o vazio e a quietude da morte econômica. Eles controlam um poder exorbitante, pensou. Esta empresa é considerada um dos pivôs industriais do sistema; na verdade, a fabricação de androides havia se ligado tanto aos esforços de colonização que se um deles se arruinasse, o outro logo entraria em colapso." p. 55.
Depois de voltar de um teste estranho, mas bem sucedido nas dependências da Associação Rosen em Seattle, Decker volta para San Francisco e vai diretamente falar com Bryant, que finalmente lhe entrega as anotações de Dave. Sua missão agora é "aposentar" seis androides da linha Nexus-6 e o primeiro é Polokov que trabalha catador de lixo. Deckard vai até os escritórios da Corporação de Catadores de Bay Area, mas não tem sucesso em sua busca. Nesse meio tempo, Bryant lhe informa que terá que trabalhar com um agente russo que está na cidade para "observar". Mas Deckard já percebe de cara que Sandor Kadalyi é mais do que aparenta ser.

"No tunado hovercar do departamento, Rick voou em seguida para o prédio onde morava Polokov, em Tenderloin. Nunca vamos pegá-lo, disse para si. Eles, Bryant e Holden, esperaram demais. Em vez de me mandar para Seattle, Bryant deveria ter me mandado acossar Polokov, na noite passada mesmo, logo que Dave foi ferido." p. 92.

Opinião: Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? de Philip K. Dick, foi o livro que inspirou o filme de Riddley Scott, "Blade Runner, o Caçador de Androides" com Harrison Ford no papel de Rick Deckard, entre outros atores famosos da época em 1982. Mas foi exatamente isso que me levou a querer ler o livro de Philip K. Dick e tenho que dizer que não me arrependi em nenhum momento. Porém, se você espera uma réplica do filme no formato de livro, esqueça, não é bem assim. As duas mídias são bastante diferentes entre si, mas acredito que uma completa a outra, de uma certa forma.

A história do caçador de androides Rick Deckard é bastante cativante desde suas primeiras linhas onde Philip, mostra que mesmo depois de uma guerra devastadora, ambientada em um futuro distópico, cheio de regras de sobrevivência e convivência, as relações humanas continuam as mesmas. Deckard é casado, tem um trabalho estressante e, assim como todos os humanos pós-guerra, sonha em ter um animal de verdade. Porém, a situação financeira de Rick só lhe presenteia com uma ovelha elétrica. As coisas começam a mudar quando ele tem que caçar os seis androides Nexus-6, pois o dinheiro extra para aposentar todos eles era bastante compensador.
Seguindo essa linha, o autor vai nos apresentando um mundo cheio de tecnologia futurista como o Hovercar, sintetizadores de ânimo, armas laser entre outras coisas. E, isso tudo lá no futuro anos 90. Isso mesmo, no futuro de 1990. Chega a ser engraçado imaginar um ano de 1990 nos termos que o autor nos apresenta no livro, ainda mais quando vemos que uma loja de animais é o local mais desejado de todo mundo, mas temos que lembrar que sua primeira edição foi em 1968. Porém, isso em nada tira o brilhantismo da obra de Philip K. Dick, pois além desse "futuro", temos embutido em toda a história a velha e ótima critica social personificada nos próprios androides e na ironia do porque de terem sido criados e ainda mais nos motivos pelo que devem ser "aposentados". Philip também não deixa de lado a inquietude da crítica social e econômica em um mundo onde quase tudo é mortal ao ser humano, principalmente o próprio ar que se respira. Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? é um livro recomendado aos leitores de qualquer estilo, não só de ficção científica, pois ele engloba situações muito maiores do que apenas um estilo literário. 

Sobre a edição: A editora Aleph optou por uma linha minimalista na maioria dos livros do escritor Philip K. Dick e em "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?" o título vem em um adesivo sobre uma capa pontilhada onde acima podemos ver o nome do autor e que ficou muito bacana. Essa edição vem com uma jacket ou "meia-luva" [muito bem feita, diga-se de passagem] mostrando uma imagem do ator Harrison Ford e o título do filme: "Blade Runner, o Caçador de Androides", que deixa ao livro mais bonito ainda.
Internamente, as folhas são amareladas e com fonte bastante agradável. A edição da Aleph, além de manter as datas originais da história e com o título traduzido fielmente, também traz um posfácio do tradutor, Ronaldo Bressane bastante esclarecedor, por isso não deixem de ler. A Editora Aleph realmente fez um belíssimo trabalho com essa obra-prima. Assim, meus caros leitores, tanto o filme "Blade Runner, o Caçador de Androides", como o livro "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?" são, sem sombras de dúvidas, IMPERDÍVEIS.
Sobre o autor: Philip Kindred Dick nasceu nos Estados Unidos em 1928. Autor de mais de 120 contos e 36 romances, entres eles "Valis", "Ubik", "Os Três Estigmas de Palmer Eldritch" e os premiados "O Homem do Castelo Alto" e "Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial". Philip K. Dick morreu em 1982, aos 53 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral.

14 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Gosto bastante de distopias e Androides sonham com ovelhas elétricas está na minha listinha de livros para serem lidos há um bom tempo. Sua resenha me deixou ainda mais curiosa com a leitura. :) Abraços

    https://souldomundo.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado, Patrícia. Leia sim, pois é muito bacana. Beijos.

      Excluir
  2. Oiii tudo bem?
    Sou apaixonada por distopias, mas acho que esse livrinho não iria me agradar o quanto que eu gostaria, achei a capa meio sem graça com esse homem ahahahahah mas adorei saber a sua opinião.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Morgana, muito obrigado. Leia sim, dê uma chance. Beijos.

      Excluir
  3. Eu não me lembro muito bem do filme, mas cheguei a vê-lo. Foi bom você ter avisado que um é diferente do outro, assim quem for ler não vai com as expectativas do livro. Achei o enredo bem maluco, mas ao mesmo tempo interessante, e espero gostar como você.
    Bjs, Rose

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rose, muito obrigado. Adoro o filme e já queria ler o livro faz muito tempo. Gostei bastante e como viu recomendo mesmo. Beijos e mais uma vez, obrigado.

      Excluir
  4. Não assisti esse filme, mas fiquei interessada. Achei muito interessante esse cenário e curiosa para saber a ligação entre Decker e de Isidore.

    www.viagensdepapel.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nara, muito obrigado pela visita. Assista sim, mas antes, dá uma lida no livro para a experiência ficar mais completa. Beijos.

      Excluir
  5. Oie amore,

    Sendo bem sincera não é um livro que tenha me interessado, dessa vez passo a dica.
    Sua resenha está muito boa e as fotos também, parabéns!

    Beijokas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grazi, mesmo assim, agradeço muito pela visita. Muito obrigado mesmo. Beijos.

      Excluir
  6. Olá!
    Não conhecia a obra, mas depois de ler a sua resenha fiquei bastante curiosa para conhecer, vou adicionar à minha lista de leituras! Obrigada pela dica!

    https://a-lilianaraquel.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Liliana, fico muito feliz por isso. Cada vez que isso acontece, vejo que atingi o objetivo da resenha. Muito obrigado pela visita. Beijos.

      Excluir
  7. Oi,Jeffa :)
    Confesso que o meu interesse maior nessa obra é justamente por conta do filme que para mim é espetacular!!!
    Tentar imaginar um futuro distópico onde não se é possível diferenciar um humano de um andróide é aterrorizante mas que ao mesmo tempo é fascinante e intrigante.
    Pela resenha a obra me parece ser bem intensa. Fiquei na curiosidade para saber se pode ser uma leitura rápida ou se é preciso digerir tudo devagar para não se perder.
    A capa não me chama muito atenção devo confessar, mas o que importa mesmo é o conteúdo.
    Fico bastante surpreso em saber que a obra se diferencia da mídia feita para as telonas. Esperava uma adaptação fiel, mas creio que só lendo os a ver essas mudanças e cortes.
    Parabéns pela resenha e por se aventurar nesse leitura.
    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruno, muito obrigado. Tem bastante diferenças entre o filme e o livro, mas é uma obra que pode ser lida rapidamente como eu fiz. Mesmo não sendo fiel, o filme é um espetáculo mesmo. Eu, como você percebeu, gostei bastante do livro, mesmo indo na [quase] certeza, como você, de encontrar uma réplica do filme. Leia sim que vale a pena. Abraços.

      Excluir