[RESENHA #300] A CABANA DO PAI TOMÁS - HARRIET BEECHER STOWE - Saga Literária

Novidades

sábado, agosto 12, 2017

[RESENHA #300] A CABANA DO PAI TOMÁS - HARRIET BEECHER STOWE

Título: A Cabana do Pai Tomás
Autora: Harriet Beecher Stowe

Editora: Amarilys (Manole)
Páginas: 672

Ano: 2017
ISBN: 9788520439425
Onde Comprar: Amazon - Manole

Sinopse:
 Tido por muitos como um dos estopins da Guerra Civil Americana, que culminou com a derrota do Sul escravocrata e a consequente abolição legal do cativeiro de africanos e descendentes em todo o território dos Estados Unidos, A cabana do Pai Tomás tornou-se um testemunho fundamental no convencimento de que a escravidão não era natural. O próprio Abraham Lincoln (1809–1865) teria se dirigido à autora, a abolicionista norte-americana Harriet Beecher Stowe (1811–1896), congratulando-a como a pequena mulher que escrevera um livro capaz de iniciar uma grande guerra. A obra, que narra o drama do velho Tomás, escravo humilde e religioso cuja vida sob cativeiro mudou drasticamente depois de súbitas trocas de dono, discute assuntos e problemas ainda incômodos. Assuntos capazes de explicar o interesse despertado pelo romance mais de um século e meio depois. 

Resenha: O romance A Cabana do Pai Tomás foi escrito pela autora norte-americana Harriet B. Stowe e retrata a escravidão norte-americana. A trama começa com uma reunião que ocorre entre dois homens em uma fazenda no estado do Kentucky. Um dos homens é o senhor Shelby, que apesar de ter uma certa quantia monetária e também prestígio social, esses aspectos não foram suficientes para que ele quitasse as suas dívidas com Haley, um mercador de escravos. Shelby e Haley em determinado momento acabam entrando em discordância sobre a dívida. 

"No fim da tarde de um dia frio de fevereiro, dois cavalheiros sentavam-se sozinhos com seus copos de vinho, em uma sala de jantar bem decorada, na cidade de P --------, no Kentucky. Não havia serviçais presentes, e os cavalheiros, com as cadeiras bem próximas, pareciam discutir algum assunto de suma importância." p. 29.

Haley insiste que Shelby deverá ceder dois escravos para sanar a dívida, incluindo o melhor deles que é Tomás, porém essa ideia não agrada Shelby, já que Tomás é o melhor escravo que alguém poderia ter, inteligente, dedicado e responsável. Apesar de não gostar da proposta, Shelby acaba aceitando a mesma, pois está completamente falido, contudo impõe uma condição, que Pai Tomás não seja vendido antes de um ano para que ele tenha a oportunidade de recomprá-lo. Healy acaba convencendo Shelby a ceder um garotinho esperto, filho da escrava Elisa.
No outro dia, quando Healy vai buscar as suas "mercadorias" para dar quitação da dívida, não esperava que a mãe do garoto pudesse ouvir toda a conversa, com isso, ela foge durante a noite com o seu filho em direção ao Canadá para salvá-lo, fato esse que deixa o mercador de escravos furioso, e o quanto antes parte em busca deles. Enquanto o seu novo dono parte em busca do pequeno escravo e sua mãe, Pai Tomás após se despedir dos seus filhos e sua amada esposa e prometer voltar para eles um dia, o velho acaba embarcando em um navio e aceitando de bom grado esse novo caminho que surge em sua vida. Pai Tomás em sua viagem fica conhecendo Evangelina, uma garotinha doce, que encantada com o velho escravo, pede ao seu pai para comprá-lo e isso é feito.

"O Rosto sincero, tão cheio de dor, e com uma expressão de afeição e simpatia tão pungente, impressionou o amo. St. Clare colocou a mão sobre a mão de Tomás e encostou a testa sobre ela." p. 455.

Na nova fazenda, Pai Tomás sempre fora bem cuidado, mas não era feliz, não pela escravidão, mas por estar com saudades de sua família, algo que o deixava profundamente triste. Evangeline notando a tristeza do velho escravo, pede dessa vez ao pai que o liberte da escravidão. O senhor Saint-Clare percebendo que a filha não teria muito tempo de vida, resolver aceitar o pedido da mesma e prepara os papéis de alforria, só que o destino é cruel com Pai Tomás, pois o seu senhor morre e ele fica nas mãos da cruel senhora Saint-Clare que acaba vendendo-o para o mercado de escravos em Nova Orleans. Lá Pai Tomás não sabe o que mais pode esperar para a sua vida.

Opinião: A Cabana do Pai Tomás foi um livro impactante em sua época quando foi publicado em 1852, ou seja, quinze anos antes da abolição da escravatura nos Estados Unidos. O livro de Stowe emocionou e comoveu parte do povo americano naquela época com as ideias libertárias da autora. Tamanha é a importância desse livro que segundo Abraham Lincoln, a autora Harriet Stowe teve papel fundamental para provocar a guerra civil americana.
 O livro ainda é impactante nos dias atuais, pois nos emociona com a história de Pai Tomás, uma vida repleta de dramas e sofrimentos vividos não somente por ele, mas também por Elisa e seu filho. Pai Tomás nos dá um grande exemplo de fé em Deus, inabalável mesmo diante de todas as dificuldades e sofrimentos que precisou enfrentar, sempre acreditou que Deus teria um propósito para ele e que a sua alma nunca poderia ser aprisionada.

Confesso que fiquei emocionado enquanto lia A Cabana do Pai Tomás, essa é uma história real, tocante e nos faz refletir sobre as nossas vidas, sobre os valores cultivados em nossa sociedade, sobre a existência do racismo mesmo após mais de 150 anos de quando ocorre essa trama. Esse livro traz um registro sombrio sobre o comportamento humano, nos lembrando que tais mazelas jamais devem ser repetidas.
Sobre a Edição: A edição é em formato capa dura, a revisão ficou muito boa, as folhas são levemente amareladas, o livro foi impresso em papel chambril. A fonte é a mesma apresentada no livro O Homem que Ri. Agradeço a Amarilys (Manole) por ter me enviado o livro.
Sobre a Autora: Harriet Elizabeth Beecher nasceu em Litchfield (Connecticut) em 14 de Julho de 1811. Abolicionista e escritora estadunidense, escreveu mais de dez livros entre eles o mais famoso é o romance A Cabana do Pai Tomás, publicado entre os anos de 1851 e 1852. O seu romance com ideias libertária serviu para comover o povo norte-americano e segundo Abraham Lincoln serviu como estopim para ocasionar a Guerra Civil nos Estados Unidos.

18 comentários:

  1. Parabéns, Yvens. Ótima resenha. E quero ler esse também..kkkkkk Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sei que você gosta de clássicos, leia A Cabana do Pai Tomás, é muito bom!
      Abraços!

      Excluir
  2. Gosto muito de histórias reais, e ainda quando retratam a escravidão. Recentemente terminei de ler O Escravo de Capela, uma releitura do Saci onde o autor descreveu o Brasil Colônia, também na época da escravidão, só que aqui né hehehehe.
    Livros assim nos tocam mesmo, leituras que gosto muito de fazer.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Helana! Eu acabei de ler O Escravo de Capela, foi uma leitura muito boa também, achei original por se tratar do Brasil Colônia, assim como é original a trama de A Cabana do Pai Tomás. É verdade, essa foi uma leitura que me emocionou!
      Bjus

      Excluir
  3. Olá!
    Eu tenho esse livro aqui faz um tempão, porém, não tinha lido a sinopse dele e achava se tratar de romance espirita ( foi uma amiga que ama Zíbia Gasparetto que me deu) então nem fiz muito caso e esqueci.
    Bem, depois de ler a resenha vou colocá-lo na pilha de livro a ler!
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Marcia!

      Nada, está longe de ser romance espírita (rssss), pode ler que é sensacional!
      Bjs

      Excluir
  4. Ola
    Nao conhecia esse livro, mas fiquei bem curiosa quanto ao desenvolvimento e adorei poder conferir suas impressões a respeito. Não tenho dúvidas de que deve ser uma leitura impactante e cheia de emoções. A edição deve estar incrível.
    Beijos, F

    ResponderExcluir
  5. Oiii
    Nunca tinha visto livros com esse tema pq também não é um dos meus temas favoritos,Mesmo assim as histórias do livro o livro todo em si o conhecimento que é aplicado no livro reais,Parece ser um livro que retrata mesmo tudo isso a capa dele me lembra um pouco umas coisas etc

    ResponderExcluir
  6. Olá, tudo bem?
    Vou ter que admitir que nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, o que chega a ser uma vergonha considerando sua relevância. A princípio, não seria uma obra que eu leria, por não fazer muito meu estilo. No entanto, pela importância da obra e pela temática, além de ser um livro escrito por uma mulher, em uma época em que as escritoras tinham tanta dificuldade para ter seu trabalho reconhecido, acabei ficando curiosa para ler.
    Adorei sua resenha e fiquei feliz de saber que a obra te emocionou tanto. Deve ser uma leitura muito intensa e comovente. Anotei a dica e espero ler em breve.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  7. Olá...
    Adorei sua resenha!
    Ainda não conhecia essa obra, mas, gostei bastante de seus comentários! Achei a premissa muito interessante e já vou anotar nos desejados.
    Essa edição está linda <3
    Beijos

    ResponderExcluir
  8. Oi, tudo bem?
    Não conhecia esse livro e fiquei interessada em lê-lo. Muito bom ver livros que tiveram um impacto tão grande para difundir as ideias libertárias sendo publicados atualmente. Não me restou dúvidas que é uma história comovente e que merece ser inclusa na lista de leituras "obrigatórias".
    Ótima resenha!
    Abraços

    ResponderExcluir
  9. Olá, ótima resenha. Tenho muita vontade de ler esse livro, parece ser uma história forte, o protagonistas é um personagem interessante, e também me interesso pela repercussão que a obra teve em uma época onde ainda havia a escravidão.

    ResponderExcluir
  10. Dá para imaginar o reboliço deste livro em sua época, assim como eu posso imaginar o quão impactante seja a leitura aínda hoje. Eu não li ainda, mas tenho muito interesse nele.
    Bjs Rose

    ResponderExcluir
  11. Oi Yvens!
    Arrasou na resenha, garoto! Adorei!
    Já conhecia o livro e ele aborda um assunto que muito me interessa. Sei que será uma leitura bem emocionante, afinal retrata uma época marcante da história. Confesso que o tamanho me intimida um pouco, mas quero muito fazer a leitura no ano que vem, sinto que vai ser uma experiência edificante.
    Beijos

    ResponderExcluir
  12. Olá Ivens, tudo bem?
    Resenha numero 300 hein? Parabéns e muito sucesso e vocês!
    Confesso que não conhecia esse livro, mas agora que li suas impressões fiquei curiosa pela leitura.
    Gosto de histórias reais que abordam escravidão. É uma época impactante da nossa história e por isso só deixa a obra emocionante. A edição, pelo que as suas fotos mostraram, está linda o que só contribui na intenção da leitura
    Amei a sua resenha e dica.
    Vou tentar ler o quanto antes.
    Beijos

    ResponderExcluir
  13. Oie,
    Não tinha conhecimento sobre esse livro, e adorei poder conhecer através da sua resenha.
    Gostei muito como conta sobre o livro e nos deixa curiosos quanto a história.
    Beijos

    ResponderExcluir
  14. Esses livros com o tema da escravidão doem demais em mim... não dá pra entrar na cabeça a pessoa ser tratada como objeto desse jeito. Já li alguns mas parei, o que curto mesmo em leituras é a oportunidade de me afastar da realidade por um tempo e com livros assim não dá. É com certeza uma obra de muita importância, mas pelo menos por enquanto eu não leria.

    ResponderExcluir
  15. Olá, Yvens!
    Não conhecia o livro, mas percebi que é uma leitura muito rica de conteúdo histórico, gosto de narrativas assim mesmo que as leituras sejam mais densas e intricadas. Fiquei curiosa e achei a edição muito linda, assim que tiver uma chance quero conhecer o livro!

    Beijos,

    Rafa [ blog - Fascinada por Histórias]

    ResponderExcluir