[RESENHA #315] COLEÇÃO FOLHA LENDAS DO JAZZ - VOLUME 04 - CHET BAKER - Saga Literária

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terça-feira, setembro 05, 2017

[RESENHA #315] COLEÇÃO FOLHA LENDAS DO JAZZ - VOLUME 04 - CHET BAKER

Título: Coleção Folha Lendas do Jazz
Artista: Chet Baker
Autor: Carlos Calado
Editora: Folha de São Paulo
Ano: 2017
Páginas: 48
ISBN: 9788579493027
Onde comprar: Livraria da Folha

Sinopse: No ano em que se comemora o centenário das primeiras gravações de jazz, a Folha lança uma coleção com obras de 30 dos maiores artistas desse gênero musical. De cultuados cantores a conceituados compositores e instrumentistas, a Coleção Folha Lendas do Jazz oferece um extenso panorama do que já se produziu de melhor nessa música que valoriza a improvisação.

Resenha: O grande trompetista norte americano Chet Baker, foi o escolhido para o quarto volume da série Lendas do Jazz e posso dizer que foi uma belíssima escolha. Chesney Henry Baker Jr., nasceu em 23 de dezembro de 1929, em Yale, Oklahoma. Filho de um músico frustrado, ganhou de seu pai, Chesney Baker, um trombone aos 12 anos, mais por seu pai não gostar de vê-lo em concursos musicais que o filho participava para agradar a mãe, do que um incentivo ou achar que o garoto tinha talento, mas como o instrumento era grande demais para o menino, seu pai acabou trocando-o por um trompete. O fato é que Chet acabou se interessando bastante pelo instrumento e em pouco tempo já conseguia acompanhar a gravação de "Two O'Clock Jump, da orquestra de Harry James. Ainda adolescente, um incidente fez com que Chet perdesse um de seus dentes da frente, dificultando e muito tocar o trompete. Porém, ele seguiu em frente e encontrou um novo jeito de tocar, embora não alcançasse mais as notas agudas .

"Para concorrer com outros garotos, que tocavam acordeom ou sapateavam, Chet interpretava um repertório pouco adequado para um pré-adolescente de 12 anos: canções sensuais, como "That Old Black Magic" ou "I Had the Craziest Dream" - capazes de arrancar suspiros tanto de garotas, como de senhoreas bem maduras." p.15.
Mas foi no exército que Chet Baker pode se aperfeiçoar no trompete. De uma certa forma, antes mesmo de completar 17 anos de idade, Chet se alistou mais para fugir das garras da mãe do que por amor pela farda. E foi como primeiro trompetista da banda do exército que Chet teve seu contato com o bebop ao ouvir Dizzy Gillespie no rádio. Em 1948, se desligou do exército já totalmente convertido ao bebop. Acabou voltando ao quartel em 1950 por falta de oportunidades de trabalho e passou a tocar com a big band do 6º regimento em San Francisco, onde pôde se aprofundar na cena de jazz do Norte da Califórnia.

"Se ainda se identificava com o jazz tradicional de Bix Beiderbecke e com o swing de Harry James, Chet começou a rever suas referências musicais, ao ouvir o nervoso bebop (...)." p.20

As coisas para Chet Baker começaram a mudar quando recebeu um telegrama de Charlie "Bird" Parker que pretendia organizar uma audição para selecionar um trompetista. Escolhido, passou a tocar com o grande músico, porém ainda no primeiro semestre de 1952, sabendo que o bebop não era a opção mais adequada ao seu estilo, Chet aceitou o convite do saxofonista Gerry Mulligan, o que resultou no lendário e incomum "quarteto sem piano" de Gerry, um dos grupos mais cultuado do jazz moderno. O destino do grupo não durou nem um ano, pois Gerry Mulligan acabou sendo preso e condenado a seis meses de prisão por posse de heroína. O selo Pacif Jazz viu ali uma oportunidade e convenceu Chet Baker a formar seu próprio grupo, nascendo assim o Chet Baker Quartet e seu primeiro disco homônimo de 1953.
Opinião: Chet Baker foi um dos mais fantásticos músicos de jazz de toda a história. Além de seu estilo melancólico no instrumento, também o transferia para o vocal, sua marca registrada. A Coleção Lendas do Jazz traz uma coletânea praticamente perfeita para quem quer conhecer o estilo magnífico desse grande músico. Chet teve uma carreira de altos e muitos baixos, pois sua escalada no mundo da música acabou se convertendo também ao mundo das drogas, que simplesmente o dilaceraram. Infelizmente, sua carreira adulta foi bastante prejudicada por causa das constantes prisões. Mas essa edição da Folha, apresenta o auge do trompetista com músicas gravadas entre 1955 e 1977, com pérolas como "Summertime", "These Foolish Things Remind Me Of You". Também apresenta músicas com seus vocais suaves ora românticos ora melancólicos em versões como "You're Mine, You", "There Is No Greater Love entre outras.
Chet Baker morreu em 13 de maio de 1988, quando supostamente caiu de uma janela do terceiro andar do hotel onde estava hospedado em Amsterdã. A versão oficial, apresentada pelo consulado norte-americano, disse que teria sido um acidente, mas amigos sustentavam que havia sido assassinato e a própria polícia de Amsterdã teria apontado indícios de suicídio. Sua morte não foi realmente esclarecida até os dias de hoje. Mas o legado desse músico fenomenal ainda perdura como um dos mais cultuados no mundo do jazz.
Sobre a Edição: A Coleção Folha Lendas do Jazz, segue o formato já conhecido da editora e é vendido, principalmente, na bancas de jornal de todo o país, mas também pode ser encontrado na loja da folha pela internet. A coleção é apresentada no formato tradicional do cd/livro, com uma arte muito bonita na capa e a lombada é fragmentada, formando uma cena no final da coleção, muito bacana.

O material é de primeiríssima qualidade, com a capa dura e brilhante e papel interno em couché brilhante também. Em resumo, exatamente como um cd deveria ser. O livro é recheado de fotos e sua fonte é bastante agradável. No final de cada edição, existe um glossário de termos utilizados, uma seção denominada "Frases", recomendações para ler, ouvir e assistir, o repertório do cd e uma breve descrição do autor Carlos Calado. Realmente, uma coleção que vai agradar tanto aos experientes como aos novatos nesse mundo tão maravilhoso chamado, JAZZ!!
Agradeço imensamente a Editora Folha por ter me enviado essa coleção, pois esta me proporcionando ótimos momentos de nostalgia em relembrar todos esses maravilhosos, saudosos e incomparáveis artistas da música. Leitores, a Coleção Folha Lendas do Jazz é ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!

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