[RESENHA #332 CANTOS DO PÁSSARO ENCANTADO - RUBEM ALVES - Saga Literária

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domingo, outubro 15, 2017

[RESENHA #332 CANTOS DO PÁSSARO ENCANTADO - RUBEM ALVES


Título: Cantos do Pássaro Encantado
Autor: Rubem Alves
Editora: Planeta
Páginas: 144
Ano: 2017
ISBN: 9788542209747
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse:
 'Cantos do Pássaro Encantado' é uma reunião de crônicas sobre as fases do amor, desde o encantamento inicial, quando tudo é sonho e os olhos dos amantes só existem para o outro, até o fim melancólico de uma história que, por diversas razões, ou sem razão alguma, não pode mais existir. Mas Rubem Alves nos mostra, com a maestria que lhe é peculiar, que ainda há esperança e que, após a morte do amor, sempre há a possibilidade de ressurreição. Permeando o texto com experiências vividas e sofridas, Rubem Alves nos presenteia com um livro que é uma tradução apaixonada de seus amores, em todo seu enredo de vida, morte e ressurreição.

Resenha: Cantos do Pássaro Encantado é uma coletânea de crônicas e contos que tocam a alma do leitor com textos que falam sobre as metamorfoses que o Amor sofre com a maturidade dos seres humanos. Rubem Alves é conhecido pelo seu exímio talento em emocionar e sensibilizar seus leitores através de crônicas simples, mas que trazem um novo olhar sob a rotina. Ele busca o novo em meio ao comum. Ele destila a sensibilidade para os seres humanos desavisados e dominados pelas telas de celulares, tablets e computadores e busca levar a experimentar a simplicidade do que está ao seu redor.

Nosso escritor divide o livro em fases do Amor. Ele se inicia nos falando do encantamento primordial que antecipa a paixão que escalda nossa mente e vibra como um abalo sísmico em nosso peito e leva os enamorados a idealização do ser amado e sem aviso prévio são levados a um mundo metafísico e transcendental.

Na crônica Até que a morte... somos levados a uma viagem pelos personagens mais famosos no quesito apaixonados, como Tristão e Isolda, mas nossa aterrisagem é nas águas turvas e intensas do amor de Aberlado e Heloísa. Ela uma jovem linda, inteligente e meiga conquista seu professor e o amor surge da relação mais improvável, mas os homens – aqui recaio nas ideias do autor – que nada sabem sobre o amor impedem o relacionamento da jovem de dezessete anos com seu professor bem mais velho. Porém, a coragem e a esperança foram dadas aos enamorados e não aos covardes e o casal decide viver seu amor sem interrupções. 

"A separação dos corpos levou ao máximo a união de nossos corações e, porque não era satisfeita, nossa paixão se inflamou cada vez mais." p. 15.

Em A Ternura nosso autor toca-lhe no assunto da pureza e nos emociona lembrando que o amor começar com o ato de cativar alguém. Ele exemplifica com a situação da raposa e do Pequeno Príncipe. Nessa passagem do livro do francês Saint-Exupéry a raposa ensina ao garoto que quando cativamos alguém, essa pessoa se torna especial para nós e vice-versa e isso resulta num relacionamento. Isso se assemelha aos namorados que anseiam constantemente a presença dos seus amados a todo instante, porque a saudade maltrata e sentencia ao medo de ser trocado ou abandonado.
A Bela Cena nos encontramos com a história de Tomas – personagem da narrativa de Milan Kundera, A Insustentável leveza do ser – que é um jovem que todos os dias deita-se com uma mulher diferente e ao consumar o ato sexual despacha a mesma fora de sua casa. Ele não cria laços afetivos com nenhuma, mas o amor sempre tende a pregar peças com as pessoas e num dia comum, o jovem é levado a conhecer Tereza que estava doente e precisava de abrigo. A vulnerabilidade aliada aos modos da jovem cativaram profundamente a admiração e o coração de Tomas que naquele momento nunca mais desejara qualquer mulher que não fosse sua amada Tereza.


"O que é que amo quando te amo?." p. 21.

Em O Ciúme nos confrontamos com um sentimento ambíguo e perigoso quando ele não nasce da insegura, mas se do desejo errôneo de pose do outro. Temos um marido que ama deliberadamente sua esposa, mas o ciúme começa a tornar sua visão turva e insana. Ele começa a ver coisas sem fundamentos, como a esposa conversar com os amigos e ele achar que ela está mais feliz sem ele e nem sente sua ausência e tomado pela impulsividade dar vazão aos seus modos grotescos e cruéis dar fim ao seu “objeto” amado.

"O ciumento suspeita que o ser amado lhe esconde alguma coisa. Olha na esperança de ver o escondido, de entrar no segredo do outro." p. 34.

O Barbazaul conta-nos a história de um homem rico e poderoso que morava num castelo majestoso e cortejava as mais belas mulheres, mas nunca conseguia casar-se com nenhuma, pois nenhuma dessas passava nas provas de amor que ele dava. Um dia como tantos outros uma jovem doce e diferente se enamorou do homem solitário e foi desafiada como as outras. Ele viajava e deixava sete chaves com elas e dizia para que conheçam todos os sete quartos. Nos seis primeiros tinha festas, comilanças, aventuras e tudo mais, porém o último tinha apenas uma poltrona e um músico que tocava uma canção profundamente triste e esta jovem tomada pela emoção do lugar chora com tamanha beleza da harmonia. Ele então retorna e sente as emoções dela através da chave e se emociona na última, porque a mulher aceitou seu lado mais triste e profundo, porque como o homem dizia: “mas, para me amar, é preciso amar a minha solidão." 

O Pássaro Encantado conta a famosa história do pássaro e sua cuidadora que vivem uma relação de amor. Ele voa para os mais diversos lugares e deixa a saudade no peito da jovem e quando retorna a presenteia com as mais belas canções, só que a jovem tomada pela imaturidade prende o pássaro para não sofrer mais, porém não percebe que quem ama, liberta e não aprisiona.

Opinião: O livro é dividido em cinco partes que correspondem as fases do amor: Encantamento e Paixão, O Amor, A Passagem do Tempo, Foi uma linda história de amor e Morte e Ressurreição. Cada capítulo traz várias histórias de personagens conhecidos ou não que dão veracidade as variadas fase do amar. 

A primeira parte fala-nos sobre o nascer do encantamento por alguém. Quando duas pessoas que antes caminhavam sem necessitar de outra pessoa, como se num passe de mágica começam a se enamorar e querer a companhia uma da outra. Não há explicação lógica na junção de duas pessoas e muito menos o motivo de nos cativamos por uma pessoa e não por outra.
A segunda parte nos elucida pelo firmamento do sentimento. A paixão e o amor vivem lado a lado, como aliados inseparáveis e inabaláveis, porque necessitam um do outro para coexistir. Nessa fase a idealização é apenas uma abstração, porque antes amávamos uma projeção e não a realidade. Agora amamos o ser imperfeito, mas algumas pessoas ainda admiram o inexistente e na próxima fase tendem a terminar seus relacionamentos.

Na terceira fase temos o amadurecimento da relação, na qual as águas turbulentas se foram e um mar calmo e tranquilo sintetizar o sentimento. Aqui há uma convivência sem grandes conflitos, porque a rotina acalma a alma e liberta o coração das emoções que outrora o deixavam em estado de agitação e insegurança.

A fase quatro e a quinta se misturam deliberadamente. Não há como saber onde uma termina e onde a outra começa, porque muitos relacionamentos terminam. Uns porque o sentimento não enraizado, outros que não conseguiram ceder e conviver com as diferenças e inúmeras outras razões que não são pertencentes ao mundo da lógica e após a partida da dor, o amor floresce novamente e uma nova relação se erguerá com um novo amante.

Sou fã incondicional do trabalho magnífico de Rubem Alves que me encantou desde o primeiro contato aos dezenove anos da minha vida. A forma como ele brinca com as palavras e traduz o sensível, metafísico e o tocante, me emocionam sem medidas. Toda vez que tenho contato com seus escritos me encontro com uma nova perspectiva e o renovar de meus votos com a vida. Cantos do Pássaro Encantado é um desaguar de crônicas estonteantes sobre amar e ser amado, não importando a duração, mas a intensidade desse amor.
Sobre a Edição: A capa do livro traduz o multicolorido que a vida nos presenteia colocando o amor em nossos corações. “Sem amor nada seria.” diz Paulo aos Coríntios e sem amor nada seriamos na sociedade. É o amor que nos revela nossa importância na Terra. É disso que Rubem nos fala em seu livro.
Sobre o Autor: Rubem Azevedo Alves (Boa Esperança, 15 de setembro de 1933), foi um psicanalista, educador, teólogo e escritor. Foi autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis. Rubem foi considerado um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos. Durante a sua infância, Rubem enfrentou problemas comuns ocasionados pelas constantes mudanças de estados e escolas. Essas mudanças influenciaram no seu comportamento e o levou à companhia dos livros e da religião, base da sua educação.

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