[RESENHA #334] CENAS LONDRINAS - VIRGINA WOOLF - Saga Literária

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segunda-feira, outubro 16, 2017

[RESENHA #334] CENAS LONDRINAS - VIRGINA WOOLF

Título: Cenas Londrinas
Autora: Virgina Woolf

Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 64
Ano: 2017
ISBN: 9788579493355
Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: As Cenas londrinas foram escritas entre 1931 e 1932, quando Virginia Woolf já havia publicado seus principais romances, como Mrs. Dalloway e Orlando. Escritora consagrada, ela se volta nestes breves e belos relatos para aspectos inexplorados de sua cidade.Mais conhecida por sua prosa intimista, Woolf se vale, aqui, de uma percepção aguda e curiosa dos ambientes que compõem Londres. Da casa do poeta John Keats à Oxford Street, das docas à Abadia de Westminster, todos esses espaços são revisitados com um olhar espirituoso e pouco convencional.Os cinco primeiros ensaios saíram inicialmente em uma revista e só foram publicados em livro na década de 1970. Anos depois, a obra ganhou o acréscimo de "Retrato de uma londrina", cuja personagem revela uma dimensão importante da cidade: "Para conhecer Londres não apenas como um espetáculo deslumbrante, um mercado, uma corte, mas como um lugar onde pessoas se encontram, conversam, riem, casam-se e morrem, era essencial conhecer Mrs. Crowe".Cenas londrinas traz ao leitor a oportunidade de se iniciar na obra de uma das maiores escritoras do século 20 e de ser conduzido por ela pelas ruas de uma das cidades mais vibrantes do mundo. 


Resenha: Cenas Londrinas é um conjunto ensaios da escritora Virgina Woolf que foram publicados originalmente entre os anos de 1931 e 1932 pela revista Good Housekeeping. Ao todo foram seis ensaios (As docas de Londres, Maré da Oxford Street, Casas de grandes homens, Abadias e catedrais, Esta é a Câmara dos Comuns e Retrato de uma londrina) que a autora escreveu e leva o leitor a passear pela cidade de Londres, nos permitindo conhecer os usos e costumes dos habitantes da capital inglesa de sua época.
Em Casas de grandes homens, Virgina Woolf faz uma análise sobre a moradia dos escritores Carlyle e Keats, comentando sobre como as suas moradias podem dizer e expressar mais sobre eles do que qualquer possível biografia que já foi escrita sobre as suas vidas. Virgina leva o leitor para os cômodos e recônditos da casa, deixando no ar uma atmosfera na qual os escritores viveram e que principalmente utilizaram para produzir seus textos e suas obras.

"Felizmente Londres está se tornando cheia de casas de grandes homens, compradas pela nação e integralmente conservadas com as cadeiras em que se sentavam e as xícaras em que bebiam, seus guarda-chuvas e suas cômodas. E não é uma curiosidade frívola que nos leva à casa de Dickens, de Johnson, de Carlyle e de Keats [...]" p. 31.
Virgina Woolf constrói um retrato em Abadias e Catedrais sobre o contraste entre a famosa Catedral de St. Paul (São Paulo) e a Abadia de Westminster, deixando claro as suas respectivas importâncias e funções na cidade londrina, além é claro dos propósitos e características arquitetônicas de cada uma. Por fim, Woolf tece um relato sobre a característica dos frequentadores de cada um desses locais.

"É lugar-comum, mas não se pode deixar de repetir que a catedral de St. Paul domina Londres. Ela incha como uma grandiosa bolha cinzenta a distância; enorme e ameaçadora, paira sobre nós quando nos aproximamos. Então, subitamente, desaparece [...]" p. 37.

Retrato de uma Londrina é o último dos seis ensaios de Cenas Londrinas sendo o único que realmente conta com uma personagem, Mrs. Crowe. Nesse ensaio Woolf mostra a ambientação em Londres, demonstrando o dia a dia da sua personagem, os hábitos e costumes, mas principalmente sua interação com a cidade Londrina.
Opinião: Virgina Woolf em Cenas Londrinas retrata uma Londres suja e desorganizada, focada no trabalho e comércio, na rotina mecanizada e nas disputas entre as classes sociais. A autora nos leva a imergir em uma cidade após a revolução industrial repleta de conflitos. Woolf nos passa a impressão de ter sido uma mulher que se apegava aos pequenos detalhes, demonstrando uma visão para captar as coisas além do obvio, já que é possível durante a leitura observarmos e conhecermos diversos detalhes sobre os becos, as ruas, lojas, catedrais e principalmente sobre as pessoas.
Esse é um livro essencial para os admiradores da escrita da Virgina Woolf e também para aqueles que estão curiosos e querem conhecer o trabalho dessa grande escritora. Esse não é um livro que nos choca, Cenas Londrinas é um livro reflexivo, por vezes triste e somos conduzidos como turistas para conhecer uma Londres que ficou no passado, com os seus usos e costumes, mas que foi imortalizada pela autora. Os textos elaborados por Virgina são simples, porém envolventes. Cenas Londrinas é uma leitura rápida, interessante e agradável. Agradeço à Coleções Folha por ter enviado Cenas Londrinas que faz parte da coleção Mulheres na Literatura. 
Sobre a Edição: Cenas Londrinas é o quinto volume da coleção e mantém o padrão de qualidade encontrado nos primeiros volumes. A revisão ficou ótima, as folhas são levemente amareladas, a fonte o espaçamento estão em tamanhos confortáveis e no geral a diagramação ficou muito boa. A Coleções Folha está de parabéns.
Sobre a Autora: Adeline Virgina Woolf nasceu em Kensington, Middlesex, 25 de janeiro de 1882. Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora britânica que ficou conhecida como uma das mais proeminentes e notáveis representantes do modernismo. A autora era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhou um importante papel na sociedade londrina durante o período entre as grandes Guerras Mundiais. Woolf estreou na literatura em 1915 com o romance "The Voyage Out".

Um comentário:

  1. Dica anotada! Descobri Virginia Woolf há alguns anos e estou me deliciando aos poucos com sua obra.

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