[RESENHA #344] TRISTÃO E ISOLDA - JOSEPH BÉDIER - Saga Literária

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quarta-feira, outubro 25, 2017

[RESENHA #344] TRISTÃO E ISOLDA - JOSEPH BÉDIER


Título: O Romance de Tristão e Isolda
Autor: Joseph Bédier
Editora: Via Leitura (Edipro)
Páginas: 128
Ano: 2016
ISBN: 9788567097237
Onde Comprar: Edipro

Sinopse:
 Uma história de amor que atravessou os séculos, O Romance de Tristão e Isolda remonta às lendas transmitidas oralmente de geração em geração pelos povos celtas. A história chega ao nosso tempo remontada a partir de seus mais antigos registros escritos, organizados pelo historiador francês Joseph Bédier. Tristão é um jovem e corajoso cavaleiro da Cornualha. Como presente ao seu protetor, o rei Marcos, o herói conquista a mão de Isolda, a Loira, da Irlanda. Quis o destino, entretanto, que os jovens bebessem a poção de amor reservada ao matrimônio real, estando, a partir daí, entrelaçados por um sentimento que resistirá à própria morte. Bédier despe o conto dos costumes da cavalaria medieval que o revestiram com o passar dos anos, relacionando a lenda, inclusive, ao Ciclo Arturiano. Nesta versão, são retomadas as vestes bárbaras primitivas da lenda, que enriquecem essa história de grandes viagens, monstros míticos, batalhas de espada, ousadia e perigo. 

Resenha: Escrita por volta do século XII em forma de poesia, Tristão e Isolda foi adaptada por Joseph Bédier e publicado pelo selo Via Leitura da Edipro Editora, trata-se de uma das mais famosas e belas histórias de amor. No livro conhecemos Tristão, filho da Rainha Brancaflor irmã de Marcos da Cornualha com o Rei Rivalen de Leônis. Tristão ao nascer tornou-se órfão, já que a sua mãe morreu após lhe dar a luz e o seu pai morreu em uma batalha, na qual o Duque Morgan invadiu suas terras. O garoto foi dado como morto e recebeu esse nome por ter nascido em um triste período.

"Em tempos antigos, o rei Marcos reinava na Cornualha. Tendo tomado conhecimento de que seus inimigos guerreavam contra ele. Rivalen, rei de Leônis, cruzou o mar para lhe prestar socorro. Ele o serviu por meio da espada e do conselho, como o teria feito um vassalo, tão fielmente que Marcos lhe deu, em recompensa, a bela Brancaflor, sua irmã, a quem o rei Rivalen amava com um maravilhoso amor." p. 22. 

O órfão foi levado por Rohalt, guarda da rainha e amigo do seu pai, o qual buscou escondê-lo e protegê-lo deixando este sob a responsabilidade de um velho sábio para criá-lo e assim evitar a ira do Duque. Desde cedo viveu entre os plebeus e ainda jovem começou a aprender todas as qualidades que um nobre deveria possuir. Com apenas 12 anos, Tristão se meteu em um grande enrascada em um navio norueguês, pois ele vai atrás de Governal, um homem que o treinava para ser cavaleiro e ao entrar em uma briga para ajudar o seu mestre, ele acaba ficando preso. Algum tempo depois a dupla consegue sair do navio e são deixados em uma terra vizinha onde o soberano é o Rei Marcos.
Tristão acaba servindo ao Rei Marcos com quem cria um bom relacionamento. O jovem é fiel ao rei, luta por ele e acaba descobrindo que Marcos é o seu tio, irmão de sua mãe Brancaflor. Por ser muito amado pelo rei, Tristão acaba levantando inveja nos outros nobres do reino, que exigiram o casamento do rei e que este gerasse um herdeiro para assim Tristão não suceder ao trono. O Rei Marcos pede ao sobrinho que realize uma viagem para buscar a dama dos cabelos dourados chamado Isolda com o objetivo de que ela seja a esposa do rei e rainha da Cornualha.

"Quando chegou o tempo de entregar Isolda aos cavaleiros da Cornualha, sua mãe recolheu ervas, flores e raízes, misturou tudo no vinho e fez uma poção poderosa. Tendo-a finalizado por ciência e magia, ela a verteu em uma jarra [...]" p. 43.

Durante o caminho, por devido ao destino ou pelas peças que a vida prega, Tristão e Isolda acabam se apaixonando, é um amor praticamente instantâneo, é um sentimento puro e impossível de ser apagado ou esquecido. Mas esse amor está ameaçado, já que o pai de Isolda é um tirano que almeja o poder e quer a morte do jovem Tristão, assim como deseja conquistar todo o reino da Cornualha. Tristão vive dois dilemas, um no campo da moral e outro no campo do amor, ele não quer decepcionar o seu tio e não quer abrir mão desse amor considerado impossível. 

Opinião: Tristão e Isolda é uma linda história de amor com leves toques de fantasia, composta por um herói e uma donzela. A relação entre os dois jovens é de um amor puro e verdadeiro, cheia de encantos. O vilão na trama foge dos padrões, já que aqui o vilão que assombra o casal é o próprio amor considerado impossível. Tristão é um fiel e valoroso cavalheiro do seu tio e rei Marcos, porém ele tem um grande dilema entre continuar servindo aos desejos do tio e recusando os sentimentos que brota em si ou seguir em frente e lutar pelo seu grande amor.
Esse foi um livro que me prendeu, cativou e eu simplesmente amei por ser um romance atemporal, muito dinâmico e cheio de vida. A escrita de Bédier é brilhante e deixa a história com mais encanto. Eu recomendo a leitura de Tristão e Isolda por se tratar de uma antiga lenda que ainda desperta emoções e tira o nosso fôlego, e também cheia de reviravoltas. Essa obra continua conquistando inúmeros leitores mesmo após tantos anos.
Sobre a Edição: A edição foi publicada em 2016, conta com uma capa retratando Tristão e Isolda, as folhas são levemente amareladas, conta com orelhas, sumário, tipologia pequena, espaçamento razoável e capítulos curtos, algo que facilita em muito a leitura e a revisão ficou muito boa. Tristão e Isolda faz parte da coleção Clássicos da Literatura Universal.

Sobre o Autor: Joseph Bédier nasceu em 28 de Janeiro de 1864 na cidade de Paris, França. Bédier passou sua infância na Ilha Reunião e mais foi escritor, professor e historiador, lecionando Literatura Medieval Francesa na Universidade de Friburgo (Suíca) e no renomado Collège de France, em Paris. Seus estudos influenciaram teorias modernas sobre as fábulas e as poesias épicas. O historiador é responsável por reviver antigos e importantes textos franceses como O Romance de Tristão e Isolda, A Canção de Rolando e Les Fabliaux.

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