[RESENHA #412] FRANKENSTEIN - MARY SHELLEY - Saga Literária

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terça-feira, janeiro 30, 2018

[RESENHA #412] FRANKENSTEIN - MARY SHELLEY


Título: Frankenstein
Autora: Mary Shelley
Editora: ViaLeitura (Edipro)
Páginas: 224
Ano: 2017
ISBN: 9788567097466
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Frankenstein é considerada uma das maiores e mais fascinantes histórias de terros de todos os tempos. A obra de Mary Shelley quebrou paradigmas e lançou vários aspectos importantes para a literatura de ficção. O livro narra a história do ousado doutor Victor Frankenstein, cientista que se lança no experimento de retomar a vida de um ser inanimado. Isso resulta na concepção de uma criatura sobre-humana e monstruosa que passa a lhe perseguir, tornando-se um arquétipo de seu próprio criador. Este aspecto do enredo é responsável pela força da obra. Entre vários aspectos geniais, também se destaca a abordagem das dualidades humano/inumano e natural/artificial. Segundo Mary Shelley, após muita observação das conversas entre Lord Byron e Percy Shelley (uma grande poeta, além de ser marido da autora) sobre doutrinas filosóficas e ciências, como o darwinismo, a autora sentiu-se estimulada a escrever uma obra que trouxesse elementos fantásticos e sombrios associados à ciência. O resultado foi uma produção de tirar o fôlego do mais ávido leitor. 

Resenha: Quando o jovem capitão Walton encontra um náufrago nos confins da Rússia, em uma viajem de São Petersburgo até Arcangel e dali até o Polo Norte, não imaginava a história que estava por conhecer e tampouco o quanto isso iria mudar seus planos de grandeza, reconhecimento e fama.

Enquanto seu navio estava ancorado nos mares gelados do Polo Norte, preso esperando o degelo para que pudessem continuar a viagem, os tripulantes do navio do capitão Walton, foram surpreendidos por uma visão, no mínimo, estranha e que se revelou ser um homem em um trenó. Trazendo o homem à bordo, verificaram que o homem estava à beira da morte, não fosse o resgate, provavelmente teria morrido congelado no meio daquela vastidão gelada.

"Ao notar minha presença, o estrangeiro falou comigo em nossa língua, embora com sotaque. "Antes de embarcar", ele disse, "o senhor faria a gentileza de informar qual seu destino?" pág.27.
Somente dois dias depois aquele estranho homem conseguiu se comunicar melhor, pois já estava um pouco mais recuperado. Foi então que o capitão conseguiu algumas informações dele e ficou sabendo que ele estava em busca de um outro homem que havia fugido dele. Obviamente, o capitão ficou bastante curioso em saber mais detalhes daquela história, mas o estrangeiro não quis mais falar sobre o assunto. Somente dias mais tarde é que o capitão ficou sabendo de tudo o que aquele homem havia passado até ali.

"A vida ou a morte de um homem era um preço baixo pela aquisição do conhecimento que eu buscava; pelo domínio, que eu iria adquirir e transmitir, sobre os inimigos naturais de nossa raça. Enquanto eu dizia isso, uma tristeza sombria se espalhou pelo semblante do meu ouvinte." pág.30.
A confiança e a improvável amizade acabou florescendo entre Walton e aquele homem, mas não foi exatamente por isso que aquele estranho resolveu contar toda a sua história ao bondoso capitão, mas sim, por suas ambições de conhecimento para a humanidade sem saber exatamente qual o imenso preço que poderia pagar. Então, aquele estranho homem que havia sido resgatado de um trenó preso em um pedaço de gelo, revelou toda sua vida até chegar naquela terrível situação. E foi assim que o capitão Walton conheceu a horrível história de Victor Frankenstein.

"Tão certo quanto o sol brilha nos céus, é verdade o que afirmo. Algum milagre deve tê-la produzido, embora as etapas da descoberta tenham sido claras e prováveis. Depois de dias e noites de incríveis esforço e fadiga, tive sucesso em descobrir a cauda da geração e da vida; não, mais do que isso, tornei-me capaz de reanimar a matéria sem vida." pág.55.
Opinião: Frankenstein talvez tenha sida a obra clássica de terror que mais teve adaptações de diversos tipos de mídia até hoje. Mary Shelley nunca teria imaginado que um desafio entre amigos pudesse revelar ao mundo uma das melhores histórias de terror de todos os tempos, juntamente com "Drácula" de Bram Stoker e "O Médico e o Monstro" de Robert Louis Stevenson [ambos publicados pela Editora Edipro pelo selo Via Leitura].  

Frankenstein começa de uma forma muito comum na literatura daquela época, através de cartas. O capitão Walton se comunica com sua irmã e é através dessas cartas que já ficamos muito interessados em conhecer a história de Victor Frankenstein. 

Enquanto conta um pouco dos próprios infortúnios, o capitão Walton nos introduz aos relatos de Victor, os quais resolve registrar. Desse ponto em diante, nos vemos conversando com o próprio Victor onde relata desde antes de sua infância, passando por sua adolescência e a paixão pela ciência. Shelley, nos leva a conhecer as razões de seu personagem a querer criar algo impensável como uma vida. Sua escrita é deliciosamente fluída e não cansa em nenhum momento sequer; na verdade é bastante difícil deixar de lado essa espetacular obra.
O que devemos lembrar é que devido as tantas interpretações de Frankenstein que já foram feitas até hoje, seja no cinema, quadrinhos e até mesmo adaptações literárias, algumas pessoas ao entrar em contato com a obra original, irão notar que existem diversas diferenças tomadas pelas suas respectivas adaptações desde aquela figura caricata de Boris Karloff até a versão mais moderna de Aaron Eckhart. Minha preferida é sem dúvida é "Frankenstein de Mary Shelley", dirigida por Kenneth Branagh, que conta ainda com Robert de Niro no papel da criatura. Obviamente, o filme toma várias liberdades criativas, inclusive no tocante à criação da segunda criatura, que não existe no livro original.

O Prometeu Moderno, como também pode ser chamado Frankenstein, é uma obra que mostra o lado mais sombrio do ser humano, principalmente quando está em busca de algo como o reconhecimento, fama e prestígio. Também nos mostra que, apesar de sempre ter uma escolha, os vilões podem ser forçados a situações que os transformam no que são.

Frankenstein, nasce de uma experiência e é sumariamente rejeitado por seu criador e pai. Daí em diante, a criatura passa a uma vida marginal e de conhecimentos extremos devido à sua aparência. Conhece o amor e os prazeres de uma vida comum, mas também conhece o profundo ódio e a violência desmedida do ser humano.
Toda essas experiências levam aquela criatura, antes vazia de emoções, a conhecer apenas um caminho ao qual se decide por viver. A autora nos mostra essas escolhas, mas também nos mostra todas suas consequências futuras na vida tanto da criatura quanto de seu criador. É impressionante como uma obra publicada originalmente em 1818 [de forma anônima e depois oficialmente em 1831, após revisão da própria autora], soar tão atual e imponente depois de tanto tempo e tantas gerações.

Obviamente, que as escolhas feitas por ambos personagens devem ser analisadas de uma maneira quase metafórica, trazendo-se para os dias atuais e à questões sócio-econômica-culturais, por exemplo. Também há de se lembrar que o forte da obra de Shelley se baseia no Darwinismo, onde a criatura, de uma certa forma, pode ser encarada como uma evolução de espécie ou transmutação, como trata tais teorias.

Querendo ou não, Frankenstein de Mary Shelley, pode ser encarada de diversos pontos de vista, mas o que interessa é que você, leitor, aprecie esta obra fantástica que sem dúvida alguma deve, ou deveria, ser lida por todos. Mais uma vez fica claríssimo que Frankenstein de Mary Shelley é I.M.P.E.R.D.Í.V.E.L.
Sobre a edição: A Via Leitura [Editora Edipro], nos apresenta uma edição em brochura com orelhas bem bacana e com uma capa muito legal que remete aos tempos "exagerados" da ficção científica e terror dos anos 50 e 60. A edição ainda traz as duas introduções da autora para a obra. A fonte é bastante agradável e impressa em papel amarelado, deixando ainda mais prazerosa a leitura. Agradeço mais uma vez a Editora Edipro pelo envio de Frankenstein de Mary Shelley, que faz parte da Coleção "Clássicos da Literatura Universal", o que me proporcionou um prazer inenarrável em reler esse que é um dos meus livros favoritos.
Sobre a autora: Incentivada desde pequena pelo pai a ser escritora, produziu diversos trabalhos, porém infelizmente poucos manuscritos sobreviveram com o tempo. Escritora de grande expressividade na literatura inglesa, publicou contos, séries de dramaturgia e ensaios, mas sua obra mais famosa foi Frankenstein, que lhe rendeu diversas adaptações e traduções. Esposa do poeta romântico Percy B. Shelley, Mary Shelley também se envolvia bastante com o trabalho do marido. Passou boa parte de sua vida dedicada ao filho e à carreira. Morreu aos 53 anos de idade em 01 de fevereiro de 1851.

2 comentários:

  1. A resenha está excelente! muito obrigada por compartilhar da paixão pelos clássicos.

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    1. Muito obrigado, Ma. Valeu pela visita e pode deixar que você sempre vai ver os clássicos aqui no Saga Literária, pois os amamos demais. Beijos e volte sempre, querida.

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