[RESENHA #428] VOZES DO DESERTO - NÉLIDA PIÑON - Saga Literária

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quarta-feira, fevereiro 28, 2018

[RESENHA #428] VOZES DO DESERTO - NÉLIDA PIÑON

Título: Vozes do Deserto
Autora: Nélida Piñon
Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 320
Ano: 2017
ISBN: 9788579493423

Onde Comprar: Coleções Folha - Livraria da Folha

Sinopse: 
Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, "Vozes do Deserto" é, antes de tudo, uma homenagem à arte de contar histórias. Ao mesmo tempo que explora as aventuras de Scherezade?narradora dos contos das "Mil e uma Noites" e uma das personagens mais famosas da literatura ocidental?, este livro envolve o leitor com suas imagens sobre o poder da fabulação. O plano de Scherezade é conhecido. Apaixonada por justiça, ela decide dar um basta na carnificina promovida pelo Califa, que todos os dias ordena a morte de uma de suas jovens esposas. Pretende casar-se com o soberano e seduzi-lo com sua imaginação, mantendo-se viva enquanto sua narrativa despertar a curiosidade do ouvinte tirânico.

Resenha: Vozes do Deserto foi escrito pela carioca Nélida Piñon e a autora nos traz uma releitura, uma reconstrução sobre os bastidores de "Mil e Uma Noites" através do ponto de vista Scherezade, sua irmã Dinazard e a escrava Jasmine, mas também pelo ponto de vista do Califa que a ameaça de morte. O Califa é o soberano e traído pela esposa, resolve casar-se todos os dias com alguma jovem mulher do seu reino para em seguida matá-la, isso acontece logo após a noite de núpcias.

"Scherezade não teme a morte. Não acredita que o poder do mundo, representado pelo Califa, a quem o pai serve, decrete por meio de sua morte o extermínio da sua imaginação." p. 7.

Para evitar a morte de mais mulheres, de mulheres inocentes, Scherezade elabora um plano e corajosamente resolve casar-se com o despótico Califa, mas para evitar a sua morte ela precisa entretê-lo, precisar contar histórias que, noite após noite a mantêm viva. Durante 1001 dias a jovem conta inúmeras histórias com o objetivo de preservar a própria vida e a vida de mais mulheres, com isso Scherezade consegue subverter todo o esquema instaurado pelo temido Califa. Noite após noite a jovem esposa vai enrolando o Califa através de uma nova aventura e aos poucos vai conquistando a simpatia desse homem poderoso.

"Também o Califa não se despoja dos mistérios confirmados à sombra do trono. De um poder que não o protege das aflições, ou da lembrança Sultana que, ao saciar a luxúria com os próprios escravos, maculara o leito [...]" p. 65.
Opinião: Vozes do deserto apresenta uma excelente premissa, porém o enredo é mediano, a narrativa assemelha a estrutura da narrativa de Mil e Uma Noite, porém a abordagem conta com muito erotismo. Existe um clima de tensão no ar entre os personagens e as três mulheres ficam isoladas no palácio. O ritmo do livro é singular, os capítulos parecem iguais, parecem se repetir, porém a autora introduz novas passagens e variações que expandam a narrativa sobre esse reino de Bagdá.

Essa foi a minha primeira experiência com a escrita de Nélida, pude perceber que ela é de fato uma contadora de histórias, é perceptível a sua capacidade de elaborar personagens, ela os envolve em sua trama e traça um destino para eles. Eu não fiquei decepcionada com essa leitura, apenas fiquei com a expectativa lá em cima. Recomendo essa leitura para quem gostar de prosa poética, para quem quer sair da zonar de conforto e ter uma boa história em mãos.

Sobre a Edição: Vozes do Deserto é o décimo segundo volume da coleção Mulheres na Literatura e como nos volumes anteriores a Coleções Folha mantém um padrão de qualidade muito bom. A revisão ficou ótima, as folhas são amareladas, já fonte e o espaçamento estão confortáveis, a edição conta ainda com capa dura.
Sobre a Autora: Nélida Piñon nasceu em 03 de Maio de 1937 na cidade do Rio de Janeiro.  Por ser de uma família originária da Galícia que há 70 anos vivia no Brasil, Nélida estudou por 13 anos na Espanha antes de cursar jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Nélida foi a quarta mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e primeira a presidir a instituição, ela é uma referência na literatura brasileira. Passando a ocupar, em 1990, a cadeira que antes pertencera a Aurélio Buarque de Holanda, foi eleita Secretária Geral da casa em 1995 e no ano seguinte já era a presidente da Casa de Machado de Assis.

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