[RESENHA #457] ESPERANDO BOJANGLES - OLIVIER BOURDEAUT - Saga Literária

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quarta-feira, abril 18, 2018

[RESENHA #457] ESPERANDO BOJANGLES - OLIVIER BOURDEAUT

Título: Esperando Bojangles
Autor: Olivier Bourdeaut
Editora: Autêntica
Páginas: 128
Ano: 2017
ISBN: 9788551300862
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse:
Apenas um ano após sua publicação na França, "Esperando Bojangles" foi contemplado com diversos prêmios literários, alcançou a marca de 300 mil exemplares vendidos e teve seus direitos de tradução negociados para 29 países. Diante do olhar maravilhado do filho, eles dançam ao som de "Mr. Bojangles" na voz de Nina Simone. O amor que os une é mágico, vertiginoso, uma festa eterna. Na casa deles só cabem o prazer, a fantasia e os amigos. Quem dá o tom, quem comanda toda essa dança é a mãe, qual um fogo-fátuo imprevisível e extravagante. Foi ela que adotou o novo membro da família, Mademoiselle Supérflua, um pássaro grande e exótico que perambula pelo apartamento, bica os convidados e usa coleira de pérolas. É a mãe que os arrasta o tempo todo para um turbilhão de poesia e quimeras. Um dia, porém, ela vai longe demais. E pai e filho farão tudo para que a festa continue. Nunca um louco amor traduziu tão bem a história dessa família.

Resenha: Quando o filho de um casal francês resolve contar sua história com eles, já começa por uma das profissões que seu pai teve que fazer até chegar onde chegou. Dizia ele, o pai, que era caçador de moscas com arpão, mas que teve que parar, pois era muito trabalhoso e também muito mal pago. Depois disso, começou a abrir oficinas mecânicas e aí sim ficou rico. Mas foi graças ao amigo senador que ele, o pai, conseguiu isso, pois esse senador acabou criando uma lei nova que fazia com que todos os carros precisassem de uma revisão para que sempre estivessem em bom estado. Então, com esse tipo de informação privilegiada, o pai era um "abridor de oficinas mecânicas". Depois de abrir muitas delas, acabou se cansando e resolveu vendê-las ao concorrente e aí ficou mais rico ainda.

"Depois da história das oficinas, meu pai já não precisa se levantar cedo para nos dar de comer, então começou a escrever livros. O tempo todo, muito. Ficava sentado em sua mesa grande, na frente do papel, escrevia, ria ao escrever, escrevia o que o fazia rir, enchia o cachimbo, o cinzeiro, a sala de fumaça, e de tinta o papel." p. 11.

Uma coisa engraçada é que o filho nunca entendeu, era que a cada dois dias no máximo, seu pai chamava sua mãe por um nome diferente; Renée, Marylou ou Georgette, nunca repetia e sua mãe como sempre, adorava aquilo. Alías, sua mãe, realmente amava seu pai e vice-versa. Era um amor incondicional e que nada poderia separar. Eles eram cúmplices em tudo, viviam um para o outro, mas também tinham seu imenso amor pelo filho. 
Eles também eram muito alegres e davam festas sempre e dançavam, dançavam o tempo topo e em qualquer lugar. Quando seus pais dançavam, todos paravam para ver, pois era uma coisa muito bonita, elegante e emocionante de se presenciar. Ambos eram amantes de si mesmos, da vida, da dança e, principalmente, da alegria.

A família morava em um apartamento muito grande, pois eles adoravam receber pessoas; o máximo possível delas em todas as festas, que aliás, eram sempre bem frequentadas, com autoridades como o senador, que também era carinhosamente chamado pelo pai de Lixo.

"Durante o dia, ia trabalhar no Palácio de Luxemburgo, que ficava em Paris mesmo, por motivos que eu custava a entender. Dizia ia trabalhar até tarde, mas sempre voltava muito cedo. O senador tinha um estilo de vida curioso. Ao voltar, dizia que sua profissão era muito mais engraçada antes da queda do muro, porque se viam as coisas com muito mais clareza." p. 19.
Nessas festas, a mãe costumava contar a história de Mr. Bojangles, que era o nome da música preferida do casal, na versão de Nina Simone. Eles, mas principalmente, ela, a mãe, dançavam essa música praticamente sem parar e todos os dias. Quando viajavam para o pequeno castelo que seu pai havia comprado no Sul da Espanha, dentre todas as coisas, duas jamais poderiam faltar, o disco de Mr. Bojangles e Mademoiselle Supérflua, uma ave grande, desengonçada e que ficava perambulando pela casa toda, inclusive nas festas.

"Ele vivia em Nova Orleans, embora tivesse sido muito tempo atrás, nos velhos tempos, e nisso não havia nada de novo. No início, viajava com seu cachorro e suas roupas velhas, pelo sul de um outro continente. Depois, o cachorro morreu, e nada nunca mais foi como antes. Então ia dançar nos bares, sempre com as roupas velhas. Ele dançava, o Senhor Bojangles, dançava de verdade, que nem meus pais." p. 21.

Mas como nem tudo é sempre uma festa, após um terrível acontecimento, toda a família tem que enfrentar algo que jamais poderiam imaginar que acontecesse com eles e, quem mais sofreu com isso foi exatamente a pessoa mais festeira de todas: a mamãe.
Opinião: Esperando Bojangles é um daqueles livros que te surpreendem de uma forma bastante positiva. Com uma escrita leve, Olivier Bourdeaut, nos leva a uma viagem bastante divertida ao nos contar a história dessa nada típica família parisiense.

Apesar de os conhecermos pela visão do filho do casal, os que traz uma narrativa um pouco mais romanceada e leve, também temos a oportunidade de descobrirmos como foi que o casal se conheceu através da visão do patriarca da família. Como o próprio filho começa dizendo, a liga que uniu seus pais foi justamente a dança e a música, mais precisamente, Esperando Bojangles na voz da eterna e espetacular Nina Simone.

Pode até parecer um pouco maçante saber que em todas as festas, todas as reuniões ou até mesmo no meio de uma tarde qualquer, o casal se une ao som da voz de Nina para dançarem até o raiar do dia, mas na verdade é que a narrativa e o direcionamento que Bourdeaut nos leva, faz com que aceitemos e de muito bom grado, a presença de Simone nas festividades da família.
Outra faceta dessa história singular, é a fase obscura em que a família acaba entrando e que tem consequências pesadas, principalmente para a mãe. Na verdade, Olivier conseguiu, com uma história até certo ponto, bastante divertida, nos mostrar algumas facetas de uma certa doença, sem precisar e nem necessitar, se aprofundar com termos técnicos e até mesmo enfadonhos. 

É muito interessante ver como o filho encara toda essa caminhada familiar totalmente imerso e participativo em situações adultas e até mesmo impróprias para um garoto da idade dele, mesmo que incerta. Nota-se a inteligência e esperteza do menino, principalmente, nos momentos escolares, que são poucos, mas marcantes e até indicadores da verdadeira condição da criança.

O amor demonstrado entre eles, também é uma marca presente em toda a narrativa, o que chega a ser tocante, pois fica bastante claro a profunda afeição que cada um sente entre si, pois é exatamente esse amor que faz com que a família sempre esteja unida em qualquer situação que seja.

Acredito que Esperando Bojangles de Olivier Bourdeaut, publicado pela editora Autêntica, vá agradar àqueles que gostam de uma leitura leve, divertida e que tem uma visão singular de uma determinada anormalidade humana [que me perdoem os leitores, não irei dizer qual é]. O que posso dizer é que esse livro me cativou e foi uma grata surpresa no final das contas.
Sobre a edição: A edição de Esperando Bojangles tem uma capa muito bonita e que representa muitissimamente bem o casal da trama. O papel é amarelado e com uma fonte bastante agradável. Agradeço imensamente a editora Autêntica pelo envio dessa grata surpresa.
Sobre o autor: Olivier Bourdeaut, nasceu à beira do Oceano Atlântico, em 1980. O Ministério da Educação Nacional francês, recusando-se a entender o que ele queria aprender, muito cedo lhe concedeu sua liberdade. Desde então, e graças à ausência de televisão em casa, ele conseguiu ler muito e sonhar imensamente. Por dez anos trabalhou no mercado imobiliário, indo de fiascos em fracassos, com entusiasmo constante. Depois, durante dois anos, foi responsável por uma agência de especialistas em chumbo, responsável por uma assistente mais diplomada que ele e responsável por caçadores de traças, mas os insetos acabaram corroendo sua responsabilidade. Também foi abridor de torneiras em um hospital, faz-tudo numa editora de livros escolares - o cúmulo! - e apanhador de flor de sal de Guérande, no Croisic, entre outras coisas. Sempre quis escrever, e Esperando Bojangles é a primeira manifestação desse desejo.

16 comentários:

  1. Que resenha show!Despertou muito minha curiosidade de ler esse livro, saber mais sobre essa história. Vou procurar com certeza esse livro para ler. Dica anotada!

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    1. Gil, fico contente que tenha gostado. Muito obrigado pelas palavras e volte sempre, tá. Beijos.

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  2. Olá!

    Eu já tinha visto esse livro algumas vezes, mas não costumo ler muito livros com essa temática, apesar desse ser bem diferente. Que bom que você gostou da leitura e achou ela bem agradável.
    Bjs.

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    1. Thalita, me surpreendeu. Gostei mesmo. Muito obrigado pela visita. Volte sempre, tá?! Beijos.

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  3. Esse livro é daqueles difíceis saber se você irá gostar ou não de ler indo só pela resenha, fiquei bastante curiosa em saber o desfecho dele,mas com receio de não o achar tão bom

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    1. Nay, só te digo que essa leitura me surpreendeu e gostei bastante. Muito obrigado e volte sempre tá?! Beijos.

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  4. Oi, tudo bem?
    Por mais que a capa tenha me chamado a atenção e sua resenha esteja incrível, esse livro não é o tipo de leitura que curto e eu tenho certeza que não conseguirei engatar mesmo com todos os pontos que vi a favor da premissa. Dessa vez deixarei a dica passar.

    Bjs
    Blog Tell Me a Book

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    1. Camila, sem problemas. Agradeço pela sua visita e volte sempre, tá?! Beijos.

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  5. Olá!
    A resenha tá show ! Mas acho que no momento não funcionaria comigo. Nunca li nada da Autentica, gostei muito da capa e fico feliz que pra vc foi uma leitura agradável e surpreendente! Bjs

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    1. Marcia, fica para uma próxima vez. De qualquer forma, muito obrigado pela visita. Beijos e volte sempre.

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  6. Oii!
    Ótima resenha ♥
    Que que o livro te surpreendeu positivamente!
    Mas infelizmente não curto esse tipo de trama! Não conhecia o livro nem o autor. Parece uma ótima dica para os que gostem desse tipo de história!
    Achei a capa linda ♥
    bjs

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    1. Carolina, surpreendeu sim. Beijos e volte mais vezes. Obrigado.

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  7. Olá, ainda não conhecia esse livro mas pela resenha me parece que ele tem uma narrativa bastante singular, única, tenho a sensação de que seria uma leitura que me agradaria ao apresentar um pouco dessa família onde a música era tão presente.

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    1. Mari, muito obrigado e como sempre digo: Arrisque-se. Beijos.

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  8. Não conhecia o livro, mas é sempre muito bom ser surpreendido por um livro pelo qual você nem tinha expectativa.
    Bjs Rose

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    1. Rose, concordo com você. Foi uma bela surpresa. Beijos e volte mais vezes. Muito obrigado.

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