[RESENHA #474] ENCARCERADOS - JOHN SCALZI - Saga Literária

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segunda-feira, maio 21, 2018

[RESENHA #474] ENCARCERADOS - JOHN SCALZI


Título: Encarcerados
Autora: John Scalzi
Editora: Aleph
Páginas: 328
Ano: 2018
ISBN: 9788576573203
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: 'Um assassinato ocorre em um quarto de hotel em Washington. Junto à vítima está um homem banhado em seu sangue, que alega não ter sido responsável pelo crime. 
O caso logo se torna da alçada do FBI, pois envolve uma nova e especial classe de indivíduos. Os hadens são pessoas que, devido a uma síndrome, tiveram sua mente encarcerada em um organismo imóvel. Para viver em sociedade, eles transferem sua consciência para estruturas robóticas ou alugam o corpo de indivíduos saudáveis. A investigação desse assassinato leva agente Shane e sua parceira Vann não apenas a mergulhar no mundo dos hadens, mas a descobrir uma rede de interesses políticos e econômicos envolvendo sua cultura e seus veículos robóticos. Em mais um de seus best-sellers, John Scalzi, ganhador do prêmio Hugo, constrói um mundo futurista plausível e bem explicado. Encarcerados é uma mistura perfeita de ficção científica e romance policial, repleto de intrigas políticas e polêmicas sociais e tecnológicas.'

Resenha: Ambientado em um futuro muito próximo, em Encarcerados o autor nos apresenta uma nova configuração da sociedade, pois o mundo foi afetado por uma terrível gripe, algo que tornou-se rapidamente uma epidemia. Essa gripe matou cerca de 400 milhões de pessoas ao redor do mundo, porém aqueles que sobreviveram desenvolveram uma doença que ficou conhecida como Síndrome de Haden, só nos Estados Unidos cerca de 4,5 milhões da população é portadora dessa síndrome. A maioria da pessoas afetadas não apresenta qualquer sintoma da síndrome.

Por volta de 1% da população afetada apresenta algum tipo de sequelas, a principal delas é incapacidade de se moverem, mas essas pessoas estão conscientes, as suas mentes estão em plena atividade, mas elas estão literalmente aprisionadas em seus corpos. Essas pessoas paralisadas ficaram conhecidas como Hadens, nome dado em homenagem à então presidente dos Estados Unidos, uma das vítimas dessa síndrome. Com suas mentes presas, encarceradas em seus corpos e sem conseguir ao menos interagir com outras pessoas e muito menos comer, diversas pesquisas surgem com o intuito de ajudar e proporcionar uma vida além do estado vegetal para essas vítimas. Eis que por meio das pesquisas surgem os C3, robôs extremamente avançados que por meio de uma interface neural, permite aos encarcerados a possibilidade de levarem uma vida praticamente normal, onde podem trabalhar, estudar e deslocar para onde bem quiserem.

"Meu primeiro dia de trabalho coincidiu com o primeiro dia da Greve dos Hadens e, não vou mentir, foi um acaso um tanto inoportuno. Um vídeo meu entrando no prédio do FBI teve muitas exibições em sites de notícias e fóruns sobre hadens. Não erra o que eu precisava no meu primeiro dia." p. 11.
Além dos encarcerados existe também os Integradores, pessoas que foram acometidas pela Síndrome de Hadens, mas que não chegaram ao final da doença. Essas pessoas tiveram seus cérebros modificados com a instalação de um mecanismo tecnológico que permite receber a consciência das vítimas do encarceramento, basicamente os encarcerados podem utilizar e controlar os corpos dos Integradores para vivenciarem um pouco do mundo, eles podem se locomover e participar de reuniões por exemplo. Ainda existe nesse mundo de integradores e encarcerados o Ágora, um universo virtual criado para os Hadens, local esse que serve como base e ponto de encontro para essas pessoas, muitos inclusive preferem viver nesse mundo virtual do que no mundo real propriamente dito.

"(...) Fazer as pessoas mudarem porque você não pode lidar com quem elas são não é o caminho. O que precisa ser feito é que as pessoas parem de olhar apenas para o próprio rabo (...)" p. 97.


É nesse cenário pós-epidemia que conhecemos Chris Shane, filho do bilionário Marcus Shane, um ex-famoso jogador de basquetebol que agora dedica-se à política. A família de Shane possuí uma bela condição financeira e ele sempre teve C3 de última geração. Porém, Shane quer seguir o seu caminho, não quer depender dos pais e por isso decide trabalhar para o FBI quando este cria uma divisão de Hadens. Em seu primeiro dia de trabalho uma nova lei é promulgada, lei essa que retira subsídios para os Hadens e isso gera uma enorme revolta, um grande caos. Em seu primeiro dia, Shane conhece a sua parceira, Leslive Vann. Shane e sua parceira são convocados para analisarem uma cena de crime e logo se deparam com uma complicada situação, o integrador capturado no local alega não ter qualquer lembrança sobre o que ocorreu na cena do crime e protegido por lei, ele não é obrigado a revelar a identidade do seu cliente, daquele que estava controlando o seu corpo no momento do crime.

"Para os hadens, o espaço pessoal é um assunto delicado. No mundo físico, sempre houve um debate sobre o espaço de que um haden realmente precisa. Nossos corpos não se mexem, e a maioria deles está em berços clínicos especializados de maior ou menor complexidade. Um haden precisa do espaço para seu berço e para os equipamentos médicos que se ligam a ele, e, estritamente falando, é tudo de que precisamos." p. 153.

Shane e Leslie dão início a uma investigação complexa e intrincada, algo que revela-se ser mais do que um simples assassinato, mas uma conspiração que envolve pessoas ricas e poderosas, mas que também envolveram interesses sociais e industriais, tecnologia robótica, mas também algumas mortes misteriosas. Shane e Leslie precisam correr contra o tempo para evitar mais mortes e que o caos instale-se de vez.
Opinião: John Scalzi tornou-se um dos meu autores favoritos, por sua escrita e pelo humor que ele emprega em seus livros. É interessante todo o detalhamento desse mundo pós-Síndrome de Haden ao longo da história, Scalzi nos mostra as transformações que ocorreram na sociedade após essa terrível epidemia. Outro fato relevante e que me despertou interesse é todo o debate acerca dos Hadens, suas limitações, o investimento do governo em pesquisas para melhorar a qualidade de vida dos portadores dessa síndrome, a evolução tecnológica, o preconceito que parte das pessoas que não foram afetadas pela síndrome apresenta em face aos Hadens, mas apesar dos inúmeros detalhes, essa narrativa passa longe de ser enfadonha, a leitura foi extremamente rápida e principalmente prazerosa. 

Outros aspecto positivo é que o humor de Scalzi continua presente, assim como foi nos livros de "Guerra do Velho", em "Encarcerados" é um diferencial. Scalzi também preocupa-se com um tema atual e relevante, a representatividade, já que vemos personagens homossexuais ou mesmos negros, em ambos os casos representam uma parcela de homens de negócios, pessoas ricas e poderosas. Por fim, "Encarcerados" mostrou ser um belo suspense sci-fi. Esse é um livro obrigatório na sua estante. Agradeço a Editora Aleph por me enviar esse livro espetacular!
Sobre a Edição: A Editora Aleph está de parabéns pelo projeto gráfico apresentado, a capa ficou muito maneira e tem tudo a ver com o enredo, apesar de ser "apenas" uma mão e uma mãe, percebe-se diversos detalhes em ambos. As folhas são amareladas, a fonte está no tamanho padrão da Aleph, a revisão ficou muito boa, eu não encontrei qualquer erro.
Sobre o Autor: John Scalzi nasceu em 1969 em Los Angeles (Califórnia), Estados Unidos. Scalzi é mais conhecido por escrever livros de ficção científica, gênero pelo qual venceu o Prêmio John W. Campbell em 2007, além de nomeações ao Prêmio Hugo pelo melhor romance nos anos de 2006, 2008 e 2009. Scalzi foi Consultor Criativo para a série de televisão de ficção científica Stargate: Universe.

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