[RESENHA #493] OS MENINOS QUE ENGANAVAM NAZISTAS - JOSEPH JOFFO - Saga Literária

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quinta-feira, junho 28, 2018

[RESENHA #493] OS MENINOS QUE ENGANAVAM NAZISTAS - JOSEPH JOFFO


Título: Os Meninos Que Enganavam Nazistas
Autor: Joseph Joffo
Tradução: Fernando Scheibe
Editora: Vestígio
Páginas: 320
Ano: 2017
ISBN: 9788582864104
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal na França… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeus de 10 e 12 anos de idade, eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade. Essa é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre à espreita... “Os meninos que enganavam nazistas” conta a fantástica e emocionante epopeia de duas crianças judias durante a ocupação, narrada por Joseph, o mais jovem. 


Resenha: Escrito pelo autor francês Joseph Joffo, "Os Meninos Que Enganavam Nazistas" é um relato biográfico em que o autor relata e narra todo o drama e dificuldades que ele precisou enfrentar, junto com seu irmão Maurice, durante a Segunda Guerra Mundial na França, precisamente durante o ano de 1941 na cidade da luz, Paris. Naquela época Joseph era um garotinho de aproximadamente 10 anos de idade e ele levava uma vida relativamente normal em meio aos tempos de guerra, Joseph estudava e brincava como qualquer outra criança da sua idade. Mas nesse período sombrio um grande problema cercava a sua família, eles eram judeus, mas ele mal sabia qual o peso de ser um judeu nessa época.

"Parada no vão da porta, a dona Epstein olha para nós. É uma velha búlgara toda enrugada, mais murcha que uva-passa. Mas que estranhamente manteve o rosto bronzeado de quem vive nas grandes estepes. Ali, no vão da porta, sentada em sua cadeira de palha, ela é como um pedaço vivo do mundo balcânico que mesmo o céu cinzento da periferia de Paris não apaga." p. 11.

O clima era de certa tranquilidade, mas tudo muda com a chegada dos nazistas que conquistam grande parte do país, invadindo inclusive a capital Paris onde ocorre uma verdadeira caça aos judeus. Tudo piora para a família Joffo quando a mãe dos garotos precisa costurar uma estrela amarela com a palavra "Judeu" em seus uniformes. Nesse momento a família Joffo percebe que tudo vai piorar, tendo em vista que as perseguições só aumentam. Os pais de Joseph e Maurice  querem proteger seus filhos da guerra, mas pouco podem fazer por eles e por isso eles precisam tomar uma difícil decisão; os garotos devem sair de casa o quanto antes e devem partir para o sul do país por conta própria.
É chegada a hora da separação, os garotos devem sair de casa para que possam sobreviver aos horrores da guerra partindo para o sul da França, região que é considerada zona livre da guerra. O sul da frança é comandado pelo Marechal Pántan que criou um estado francês influenciado pelo governo nazista. O marechal opõe-se as Forças Francesas Livres, força essa que luta contra as Potências do Eixo em prol da liberdade da França.

"Vendo meus filhos dormirem, só posso desejar uma coisa: que eles nunca experimentem um tempo de sofrimento e de medo como eu experimentei durante aqueles anos." p. 260.

Durante o trajeto para o sul os irmãos precisam fingir que não são judeus e enfrentam grandes dificuldades, alguns planos dão errado e eles precisam lidar com imprevistos. Viajando sem qualquer tipo de documento, Joseph e Maurice constantemente escondem suas reais intenções, inclusive suas angústias e medos. Contudo, nessa caminhada para o sul os jovens garotos recebem ajuda de diversas pessoas, muitos arriscam suas vidas para que os garotos possam chegar ao seu destino final. Enquanto recebem ajuda de outras pessoas, os garotos também precisam trabalhar para conseguirem novas roupas e até mesmo alimentos, mas nem tudo é suor e lágrimas nessa jornada, eles conhecem novos e belos lugares e mesmo com todas as limitações, medos e dificuldades, eles tratam essa jornada rumo ao sul como uma grande aventura.
Opinião: Joseph Joffo nos relata de forma incrível e com uma riqueza de detalhes ímpar todas as situações que viveu e sofreu ao lado do seu irmão quando ainda eram apenas dois jovens garotos durante a segunda guerra mundial. Todas essas experiências são contadas através dos olhos de uma criança de 10 anos e a forma como o autor nos conta a história é extremamente envolvente. É impossível deixar de recriar em nossa mente os cenários e situações vivenciadas pelos irmãos, sentimos suas angústias e torcemos para que tudo dê certo para Joseph e Maurice nessa longa jornada em meio à Segunda Guerra Mundial.

Os Meninos Que Enganavam os Nazistas é um livro lindo, intenso e conta com uma relato de vida emocionante. Joseph em certos momentos ameniza toda essa tragédia da guerra com doses de humor e nos presenteia com uma história brilhante e tocante. Eu particularmente adoro filmes e livros sobre história, mas principalmente sobre a Segunda Guerra Mundial e posso dizer tranquilamente que o livro do Joseph Joffo me conquistou. Esse é um livro impecável do início ao fim, é uma leitura imperdível. Recomendo para todos que gostam de uma história emocionante.
Sobre a Edição: A Editora Vestígio (Grupo Autêntica) está de parabéns pela edição apresentada. A diagramação ficou muito boa, as folhas são amareladas, a fonte está confortável e revisão ficou boa. A capa é do filme e isso não me incomoda, condiz com a trama.
Sobre o Autor: Joseph Joffo nasceu em Paris no dia 2 de abril de 1931. Filho de barbeiro, teve uma infância feliz até a chegada da Segunda Guerra Mundial. Durante a ocupação alemã, sua família judaica é perseguida. Joseph conseguiu escapar com seu irmão e só retornou a Paris após o fim da guerra. Escritor, roteirista e ator ele é reconhecido mundialmente por ter contado a sua história no romance “Un sac de billes”, publicado em 1973.

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