[RESENHA #501] UM BANQUETE PARA HITLER - V. S. ALEXANDER - Saga Literária

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quinta-feira, 12 de julho de 2018

[RESENHA #501] UM BANQUETE PARA HITLER - V. S. ALEXANDER



Título: Um Banquete para Hitler
Autor: V. S. Alexander
Tradução: Cristina Antunes
Editora: Gutenberg
Páginas: 304
Ano: 2018
ISBN: 9788582355206
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: 
"Eu, Magda Ritter, conheci Hitler. Eu era uma das quinze mulheres que provavam sua comida, pois o Fürher era obcecado com a possibilidade de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores dentro de seu círculo pessoal. Ninguém, exceto meu marido, sabe o que eu fiz. Nunca falei sobre isso. Eu não podia falar... Mas os segredos que guardei por tantos anos precisam ser revelados. Às vezes, a verdade me oprime e me apavora. É como uma queda sem fim em um poço fundo e escuro. 

Mas, ao escrever minha história, descobri muito sobre mim mesma e sobre a humanidade. E também sobre a crueldade dos homens que fazem leis para se adequarem aos seus próprios interesses. Eu conheci Hitler... E minha história precisa ser contada." 

Unindo a história e a ficção, Um banquete para Hitler mostra os extremos de privilégio e opressão sob a ditadura do Fürher, expondo os dilemas morais da guerra em uma história emocionante, cheia de atos de extraordinária coragem em busca de segurança, liberdade e, finalmente, vingança. 

Resenha: Em Um Baquete para Hitler vamos acompanhar a história de Magda Ritter, uma moça de classe média que morava na cidade de Berlim e que precisou deixar a casa dos pais para ir morar com um tio. A mudança de Magda foi motivada pelos constantes ataques aéreos que a capital alemã estava sofrendo e seus pais preocupados com a segurança da filha resolvem enviá-la para morar no interior, para a casa de seus tios em Berchtesgaden.

"No ano anterior, eu havia olhado para o céu quando soaram as sirenes de ataque aéreo. Não vi nada, exceto nuvens altas se movendo rapidamente como rabos de cavalos brancos sobre minha cabeça. As bombas dos Aliados causaram poucos danos e nós, alemães, achamos que estávamos seguros. No final de janeiro de 1943, meu pai suspeitava que o prelúdio de uma chuva de fogo e destruição havia começado." p. 11.

Magda não sabia exatamente o que estava acontecendo no seu país, ela apenas vida o medo e a preocupação por todos os lugares. Nessa época a guerra estava à todo vapor e a comida foi ficando casa vez mais escassa para todos, é nesse momento que a sua tia Reina diz que Magda precisa arrumar um emprego para ajudar nas despesas da casa. A pressão para que a jovem arrume um emprego é constante e Magda é levada até um determinado lugar para tentar arrumar um emprego qualquer, mas ela não é filiada ao Partido de Hitler. 

Arrumar um emprego naquele tempo não era uma tarefa fácil para quem não queria ser associado ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Magda cadastra-se na Liga do Reich e após um breve período ela é chamada para assumir uma função secreta e perigosa, mas ela recebe poucas informações sobre o seu novo trabalho, ela só sabe que vai ter que morar no lugar onde vai trabalhar que é em Berghof, perto de onde seus tios moram. 
Algumas semanas depois o seu maior pesadelo da jovem torna-se realidade: ela vai servir diretamente ao comandante supremo da nação Adolf Hitler como uma das provadoras de sua comida. Agora o seu trabalho é de vida e morte, o seu trabalho é de grande perigo e o medo de morrer torna-se algo real em sua vida, pois toda vez que vai provar alguma comida para o líder nazista ela fica com medo da morte. Todos ao seu redor acreditam que essa sua posição é de honra, pois ela serve ao Führer com muita proximidade, mas ela não vê dessa forma.

Em Berghof a jovem conhece outras pessoas, entre elas Ursula, outra provadora das comidas do Hitler, a cozinheira Cook e o Capitão Karl Weber, por quem acaba criando simpatia. Com o passar do tempo Magda acostuma-se com o perigo, mas ela não nutre qualquer admiração pelo Führer, ela inclusive não acredita no que ele fala e não leva fé em seus discursos, mas em nenhum momento deixa isso vir à tona, pois esse seu pensamento é algo extremamente perigoso.

"Depois de cerca de duas semanas, finalmente provei uma refeição sem tremer. Ursula e os cozinheiros haviam me provocado, tão implacavelmente, na verdade, que me forcei a relaxar. Eles me asseguraram que nenhum veneno passaria por eles [...]" p. 55.

Magda aprende que na corte de Hitler há mais que provas comidas e quando o Capitão Weber deixa transparecer que possui algumas inclinações e pensamentos iguais as delas, Magda fica ao mesmo tempo desconfiada e surpresa, pois poderiam estar testando ela. Mas tudo muda quando ocorre uma tentativa de assassinar o Führer através de um envenenamento. Esse fato deixa tudo mais claro entre a jovem e o capitão, mas também deixa Magda ainda mais preocupada se a comida vai ou não estar envenenada.
Opinião: Uma Banquete para Hitler é um romance inspirado em fatos reais e isso veio à tona em 2013 quando Margot Woelk revelou ao mundo que trabalhou durante a Segunda Guerra Mundial como uma das provadoras de Adolf Hitler. O livro tem diversas cenas baseadas no relato de Margot, contudo não é um livro considerado biográfico, já que boa parte da trama foi realizada com base em pesquisas que o autor fez. A trama foi bem elaborada e desenvolvida pelo autor, Magda é uma personagem que nos cativa e o mais interessante é acompanhar o seu desenvolvimento e amadurecimento no decorrer da história, ela vive e presencia situações em que o ser humano consegue ser extremamente cruel com o próximo.

Durante a leitura pude perceber diversas referências históricas e ordens dadas por Hitler, passando pelos campos de concentração, bem como várias tentativas de assassinato ao líder nazista como a famosa e mal-sucedida Operação ValquíriaAlexander nos apresenta a visão e a perspectiva de uma jovem mulher durante a guerra e seu posicionamento sobre o líder de seu país, Magda não concordava com as atrocidades cometidas pelo Terceiro Reich, mas ela não poderia trazer à tona o seu posicionamento e pensamentos, pois ela poderia ser morta, abolindo os direitos individuais.

Eu gostei dessa leitura, é tocante e demonstra os horrores da guerra, a protagonista tem uma vida marcada pelo sofrimento e pelas perdas. Um dos pontos positivos da história é a relação entre Karl e Magda, primeiro por ser uma relação proibida e segundo pelo fato de tudo girar em torno deles. Em suma, esse é um livro que nos emociona, nos choca e nos leva a refletir sobre a capacidade do ser humano para cometer atos voltados para o bem, mas principalmente para o mal.

Sobre a Edição: O livro possui uma boa diagramação, a capa tem total relação com a trama, o livro conta com vinte e três capítulos e epílogo. O livro foi impresso em papel off-white 70. A edição que recebi está sujeita a revisão e realmente encontrei algumas palavras repetidas, acredito que na versão vai estar tudo corrigido.

Sobre o Autor: Estudante de História com um forte interesse pela música e artes visuais, V.S. Alexander é um pseudônimo. Algumas das maiores influências na sua escrita incluem Shirley Jackson, Oscar Wilde, Daphne du Maurier, ou qualquer trabalho das requintadas irmãs Brontë. V.S. vive na Flórida e está trabalhando em uma terceira novela histórica.

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