[RESENHA #535] A GAROTA DO ORFANATO SOMBRIO - TEMPLE MATHEWS - Saga Literária

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quarta-feira, setembro 05, 2018

[RESENHA #535] A GAROTA DO ORFANATO SOMBRIO - TEMPLE MATHEWS

Título: A Garota do Orfanato Sombrio
Autor: Temple Mathews
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
Editora: Jangada [Grupo Pensamento]
Páginas: 336
Ano: 2018
ISBN: 9788555391132
Onde Comprar: : Amazon - Saraiva

Sinopse: Echo Stone acorda suando frio num quarto escuro e desconhecido, sem saber exatamente como foi parar ali. Tentando entender a situação, ela descobre que aquele lugar é a "Casa do Meio", um orfanato que abriga crianças e adolescentes. Só tem um problema: Echo não é órfã, seus pais estão vivos! Mas ninguém parece se importar com suas explicações e o único disposto a ajudá-la a fugir é Cole. Mas quando a garota consegue voltar para casa, o problema fica ainda maior: uma fita amarela da polícia indica que um crime horrível e violento aconteceu - seu próprio assassinato! Echo está morta e não sabe como isso aconteceu. Desesperada para ter sua vida de volta, ela inicia uma busca para resolver esse enigma e, à medida que cresce a lista de suspeitos, ela descobre que não é a garota boazinha que julgava ser.

Resenha: Quando Echo Stone acorda assustada, imediatamente, ela percebe que não está em sua casa. O lugar é escuro, úmido e parece ter mais pessoas do que deveria ter, caso fosse seu quarto na casa de seus pais. Por uns momentos, Echo também não conseguiu se lembrar de quem ela era e nem nada de sua família, mas poucos minutos depois, sua memória começa a voltar. Ela sabia que seu nome era, na verdade, era Eileen e que tinha ganho o apelido de Echo por repetir tudo que seus pais diziam quando ela era bem pequena. Percebeu que alguém nas proximidades estava chorando o que fez com que ficasse ainda mais apreensiva. Ela sabia que ali nem perto lembrava sua casa, por isso estava toda desorientada e sem imaginar onde estaria; nada daquele lugar lembrava sua casa com seus cheiros peculiares dos bolinhos de canela de sua mãe e a loção pós barba de seu pai, pelo contrário, ali era apenas o cheiro de fumaça, vinagre e enxofre. 

"Estendi o braço para ver se encontrava um abajur na mesinha de cabeceira, mas meus dedos tocaram algo úmido e fibroso. Ai, meu Deus! O nó no meu estômago apertou um pouco mais e encolhi o braço. Queria que meus olhos se ajustassem à escuridão, mas, quando pisquei, surgiram na minha frente estranhas figuras pulsantes." p. 9.

Echo tinha que sair daquele lugar, então aterrorizada, se levantou e aos passos lentos chegou próxima de duas portas, antes de sair, percebeu que havia alguém logo atrás dela, mas mesmo assim se assustou quando alguém lhe sussurrou que não deveria fazer aquilo que ela estava pretendendo: sair dali. Foi assim que Echo conheceu o primeiro morador da Casa do Meio, Mick, um garoto de cabelos brancos e com passos úmidos naquela escuridão. 
Logo depois ela conhece outra pessoa daquele lugar esquisito, uma mulher que com ares de superiora do local que lhe informa de uma forma bastante rude e enérgica da regra número um do local: Não perambular pelos corredores à noite. Echo até poderia querer sair daquele local o mais rápido que pudesse, mas ela também sabia quando deveria ouvir a voz da razão e depois de ouvir aquela estranha mulher lhe ordenar que voltasse para cama, foi exatamente isso que fez. Não pensou que pudesse cair no sono, mas as lembranças de Andy, seu namorado e amor de sua vida, fizeram com que se acalmasse e caísse no sono.

Quando acordou, depois de uma noite conturbada, teve uma pequena experiência que de certa forma a humilhou ainda mais. Percebeu também que estava rodeada de rostos adolescentes que a olhavam como se fosse um rato de laboratório. Seu humor não era dos melhores e a única coisa que ela poderia ter feito é ter mandado aqueles rostos desconhecidos embora dali. Mas, claro, isso não surtiu efeito nenhum e todos continuaram a observando como uma novata, o que na verdade era exatamente o que Echo era, ela só não sabia disso ainda.

"Não parava de pensar em tudo que poderia ter me levado a ir parar naquele lugar. Pensei em desastres naturais, inundações ou terremotos talvez. Devia ter batido a cabeça, me perdido numa tempestade e chegado inconsciente àquele lugar. Jesus! Vi outra mão numa cesta de roupa suja. Agarrei-a com raiva, pronta para atirá-la também do outro lado do quarto, mas desta vez ela me agarrou!" p. 21.

Echo não pensava que poderia passar muito tempo ali naquele lugar, pois obviamente havia algum tipo de engano. Tinha sido informada que A Casa do Meio era um lar para crianças e adolescentes órfãos. Até aí tudo bem, o único problema era que Echo não era órfã, seus pais estavam vivos, disso ela tinha absoluta certeza. Depois de conhecer todos que moravam na Casa do Meio, Echo já tinha em mente que precisava fugir daquele lugar. Um dos garotos, Cole, parecia que tinha gostado um pouco dela, talvez ele pudesse ajudá-la a voltar para sua casa. Para sua surpresa, Cole disse que iria ajudar sem problema algum, mas que ela não iria gostar do que iria descobrir. 
Uma das coisas que Echo sentiu naquele lugar estranho, foi a fome. Ela sentia uma fome como jamais sentira antes, mesmo que sua excursão pelo refeitório não ter sido uma das melhores coisas de sua vida, Echo, descobriu que na Casa do Meio, você poderia comer o que desejasse sem se importar com dietas, calorias, comidas saudáveis, o que aliás, de saudável aquele refeitório não tinha absolutamente nada. Ela precisa se alimentar para sua fuga noturna, afinal ela não queria ter um "treco" por não ter se alimentado direito, pois já fazia um bom tempo que ela não comia nada. Então, porque não? 

Quando a noite chegou, Cole cumpriu o prometido e a ajudou a sair do orfanato. Echo ficou muito grata por sua ajuda, de alguma forma, outras crianças ficaram sabendo que Echo iria sair e ao invés de lhe impedirem ou lhe dar adeus, todos lhe diziam apenas um até breve. Aquilo não iria acontecer, Echo sairia daquele lugar para não voltar nunca mais. Agora ela só precisava voltar para sua casa, seus pais e seu namorado e amor de sua vida. Echo não poderia estar mais errada e iria descobrir da pior forma possível esse grande erro. Morte, vingança, desespero estavam à poucas horas de encontrar e atormentar Echo Stone, a novata da Casa do Meio, o Orfanato Sombrio para crianças e adolescentes.

"Era tão estranho estar dentre de outro ser humano... Ao olhar para baixo, através de uma chuva de luzes rodopiantes, vi uma mão segurando uma faca de caça - a mesma que haviam cravado em meu peito!" p. 107.
Opinião: Quem me conhece ou vem me acompanhando nos últimos anos, sabe bem que eu sempre gostei de livros do tipo “Young-Adult”. Porém, com um mercado altamente saturado de obras do gênero, às vezes, fica difícil saber o que é bom ou não é. Felizmente, a editora Jangada sabe bem como escolher seu catálogo, pois A Garota do Orfanato Sombrio veio para abrilhantar ainda mais essa ótima editora. Tenho que confessar que Temple Mathews me era totalmente desconhecido até a leitura desse livro, porém, também confesso, que agora ele é um dos autores que irei ficar monitorando à espera de novas obras aqui no Brasil.

A escrita de Mathews é bastante fluída e te prende desde o começo da história em A Garota do Orfanato Sombrio. Para que vocês possam ter ideia, eu li esse livro em apenas três dias, o que, com o tempo que tenho para a leitura, foi muito rápido. Felizmente, mais uma vez, isso geralmente acontece com minhas escolhas da editora Jangada.

O autor consegue desenrolar toda a história de uma forma bem bacana que vai te deixando mais curioso a cada página de “Garota”, mas não só curioso como também surpreso em vários momentos, pois é muito interessante ver como cada personagem que está “hospedado” na Casa do Meio, tem sua importância no decorre da trama.

Echo, apesar de ser uma personagem que em seu inicio acredita-se ser de certa forma “boazinha”, vai se assustando a cada descoberta que tem de si mesma, que deixa a coisa toda muito mais crível e interessante, pois retrata a personalidade de muitos adolescentes dos dias de hoje em meio as tecnologias e à exposição excessiva das redes sociais.

A Garota do Orfanato Sombrio pode ser classificado como um livro de suspense infanto-juvenil, mas que pela linguagem mais adulta que o autor escolheu, vai agradar a qualquer leitor que goste de uma história bem contada e com cenas de violência típicas de livros que envolvem assassinatos e investigações.


Outra coisa muito bacana em A Garota, foram os dilemas que os fantasmas da Casa do Meio tinham de enfrentar mesmo após a morte. Mathews foi brilhante em detalhar as auguras do primeiro amor, do sofrimento do bullying, da solidão, da depressão, raiva, entre outras coisas, divididos entre os personagens, onde cada um trouxe uma dessas características em suas personalidades. Mas, talvez, a maior mensagem que o autor ilustra na trama é o arrependimento.
Muitas vezes nos ressentimos por diversos assuntos do nosso dia-a-dia e nos esquecemos de apreciar tudo aquilo que conquistamos, seja material ou emocional, e isso é demonstrado muitas vezes ao longo da história em A Garota do Orfanato Sombrio, principalmente na personagem de Echo.

Mesmo não sendo uma forma inédita de contar uma história de fantasmas à busca de vingança ou justiça, A Garota do Orfanato Sombrio, é muito bem escrito e alcança muito bem o seu objetivo que é divertir o leitor. Mathews, que também é roteirista de cinema, deixou a trama bastante cinematográfica, o que já lhe rendeu frutos, pois os direitos do livro foram vendidos para o cinema e quem sabe, logo poderemos ver Echo e seus amigos da Casa do Meio nas telas dos cinemas no mundo todo.

A editora Jangada do Grupo Pensamento acertou em cheio em trazer mais essa história cheia de mistério, morte, fantasmas e com um fundo crítico social em meio a toda busca de Echo por justiça e vingança pelo seu assassinato, só por isso já se torna IMPERDÍVEL.
Sobre a edição: A Garota do Orfanato Sombrio de Temple Mathews e publicado pela editora Jangada vem no formato brochura no tamanho de 16 X 23 e com uma capa muito bonita e sombria que ilustra perfeitamente o ambiente de toda a trama. A fonte é bastante agradável e foi impressa em papel amarelado, deixando a leitura bem mais agradável. Agradeço imensamente a editora Jangada pelo envio do livro, o qual me proporcionou momentos de pura diversão e suspense.


Sobre o Autor: Temple Mathews é escritor, diretor e roteirista, com vários filmes em seu portfólio, entre eles as animações da Walt Disney: Peter Pan: De Volta à Terra do Nunca, A Pequena Sereia 2: O Retorno para o Mar e Aconteceu no Natal do Mickey. Escreveu Imaginem Só para a MGM e Oi, Scooby-Doo, para a Warner Bros. Para os estúdios da Universal, ele escreveu o roteiro da animação de Natal All I Want for Christmas Is You, baseado na canção de Mariah Carey e no livro de mesmo nome. É também autor da trilogia New Kid.

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