[RESENHA #556] UM LEGADO DE ESPIÕES - JOHN LE CARRÉ - Saga Literária

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quarta-feira, outubro 10, 2018

[RESENHA #556] UM LEGADO DE ESPIÕES - JOHN LE CARRÉ


Título: Um Legado de Espiões
Autor: John Le Carré
Tradução: Roberto Muggiati
Editora: Record
Páginas: 252
Ano: 2017

ISBN: 9788501111159
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: A Guerra Fria está de volta. John le Carré também. 
Peter Guillam, parceiro leal e discípulo de George Smiley no Serviço Secreto Britânico — também conhecido como Circus —, aproveitava a aposentadoria na fazenda da família na costa sul da Bretanha quando uma carta enviada pela agência de inteligência britânica o convoca a ir a Londres. O motivo? Seu passado na Guerra Fria veio à tona para confrontá-lo. As operações de espionagem que costumavam ser a menina dos olhos da agência estão sendo examinadas por uma geração que não possui nenhuma memória da Guerra Fria. Agora, alguém terá de pagar pelo sangue inocente derramado em nome de um bem maior. A hora do acerto de contas chegou. Intercalando passado e presente para que cada um conte a própria história, John le Carré nos presenteia com uma obra-prima da espionagem que vai encantar seus milhares de fãs fiéis e conquistar uma nova geração leitores.

Resenha: Escrito pelo autor britânico John Le Carré e publicado originalmente em 1963, Um Legado de Espiões foi publicado no Brasil pela Editora Record. No livro conhecemos Peter Guillam, um ex-espião e integrante da MI6, que está aposentado e desfrutando da merecida paz e sossego, frutos do período que trabalhou para o governo britânico. No passado ele foi assistente e discípulo de George Smiley no Serviço Secreto Britânico, mas agora ele é um homem velho e um tanto esquecido. Guillam mora com a sua família em uma fazenda tranquila na região da Bretanha, França. Mas os seus dias de tranquilidade acaba, pois Guillam recebe uma importante carta no qual ele é convocado, devendo retornar com urgência para a Inglaterra, a sua terra natal.
"Um oficial de inteligência profissional não é mais imune aos sentimentos humanos do que o restante da humanidade. Para ele, a questão reside em ser capaz de ocultá-los, suprimi-los, seja em tempo real, ou, no meu caso, cinquenta anos depois. Até poucos meses atrás, deitado na cama, à noite, na remota fazenda na Bretanha que chamo de lar, ouvindo o mugido das vacas e o cacarejo das galinhas, eu lutava, determinado, contra as vozes acusadoras que, de tempos em tempos, tentavam tumultuar meu sono [...]" p. 5.

Chegando em Londres, Guillam conhece o motivo de toda essa urgência, parentes de vítimas da Guerra Fria, estão prestes à iniciar um processo civil contra o governo da rainha com o objetivo de receberem uma indenização volumosa, entre eles estão os agora filhos de Alec Leamas e Elizabeth Gold  que processam a agência britânica pelas mortes de seus pais. Guillam era um espião durante a guerra e participou junto com George Smiley da operação secreta Windfall que ocorreu no ano de 1959, mas essa operação não deu certo e foi um grande fracasso.

"Como sempre, estacionei ao lado do muro que cerca a velha cervejaria de Köpenick, agora abandonada. Não havia nenhum outro carro à vista, e, à beira d'água, apenas alguns pescadores sentados, que nos ignoravam [...]" p. 74.

Agora Guillam precisa lidar com a velhice e o esquecimento enquanto luta e tenta contar tudo o que sabe sobre a operação onde essas duas pessoas morreram, ele também busca defender-se dos agentes e advogados que questionam o seu envolvimento na operação. Guillam é instruído a ler constantemente documentos e relatórios e é questionado sobre esses documentos. Ele também tem o seu próprio advogado, mas não sabe se pode confiar plenamente nele. Aos poucos conhecemos os enganos e traições que vem à tona.
Opinião: Le Carré é um autor octogenário que escreve com competência e vigor "Um Legado de Espiões". O autor optou por alternar a narrativa entre passado e presente, misturando aspectos como remorso e nostalgia, algo que acho particularmente interessante. O enredo é narrado em primeira pessoa e além disso conta com mistérios, pistas erradas e testemunhos falsos. Essa proposta do autor é simplesmente para confundir o leitor, para que ele possa ser conduzido por um falso caminho e tenha a sua percepção embaçada, assim não conseguimos definir quem de fato está certo ou errado, quem é o bom ou o mau da história.

Carré apresenta uma trama constante e bem construída, existe um toque de humor na história e cada frase tem o seu valor no enredo. Os personagens apresentados por Carré são interessantes e não carecem de profundidade, mas em especial quero destacar Peter Guillam, ele é um personagem fascinante. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do autor e posso dizer tranquilamente que gostei do que foi apresentado, fiquei com vontade de conhecer outros livros do autor, ainda mais por ter como pano de fundo a Guerra Fria, mas também porque quero conhecer mais sobre o personagem George Smiley. Em suma, o autor nos apresenta uma trama repleta de conflitos e momentos de tensão. Sim, eu recomendo a leitura de "Um Legado de Espiões".
Sobre a Edição: A Editora Record realizou um bom trabalho na edição de "Um Legado de Espiões". A capa é áspera, conta com o nome do autor bem destaco em cor prata/metálico. Ao todo temos 13 capítulos, o que dá em média 19 páginas por capítulo. As folhas são levemente amareladas, a fonte está de bom tamanho e a revisão ficou muito boa.
Sobre o Autor: David John Moore Cornwell (nascido em 19 de outubro de 1931), que escreve sob o nome de John le Carré, é um autor de romances de espionagem. Entre os anos de 1950 a 1960, Cornwell trabalhou para o MI5 e MI6, e começou a escrever romances sob o pseudónimo de John le Carré . O seu terceiro romance "O Espião que veio do do frio" (1963) tornou-se num best-seller internacional e continua a ser uma das suas mais conhecidas obras até à data. Depois do sucesso do romance, ele deixou o MI6 para se tornar um autor a tempo inteiro. Le Carré desde então tem escrito vários romances que o têm estabelecido como um dos melhores escritores de espionagem de ficção na literatura do século XX. Em 2008, o The Times classificou-o como 22º na sua lista de "Os 50 maiores escritores britânicos desde 1945 ".

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