[ENTREVISTA #10] CONVERSAMOS COM LOU ANDERS - Saga Literária

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terça-feira, 10 de abril de 2018

[ENTREVISTA #10] CONVERSAMOS COM LOU ANDERS

Leitores da Saga, é com muita alegria que trazemos outra entrevista internacional, agora com o competente autor de literatura fantástica Lou Anders, para quem ainda não sabe, ele é um autor do Grupo Editorial Pensamento e os livros da trilogia Tronos & Ossos são de literatura fantástica, confira a nossa entrevista abaixo.

1. Primeiro quero agradecer por essa entrevista. Segundo, você poderia fazer uma breve apresentação para os leitores brasileiros que ainda não o conhecem? 

L. A.: Com certeza. Eu sou fã de fantasia e gamer ávido há muito tempo. Eu comecei a minha carreira profissional como jornalista em Hollywood, visitando sets de séries de ficção científica e escrevendo sobre elas (na maioria das vezes) para revistas inglesas. Então eu trabalhei como editor e diretor de arte de livros de ficção especulativa por quase quinze anos, antes de parar para escrever em tempo integral. Eu vivo no Alabama, no sul dos Estados Unidos, com a minha esposa e meus filhos. Nós jogamos muito Dungeons & Dragons e Skyrim. Além disso, eu gosto de cerveja forte, de chocolate amargo, e eu sou muito fã dos filmes e séries da Marvel. 

2. Antes de Tronos e Ossos, o senhor já havia escrito contos para diversas antologias e também para revistas especializadas em SF (Science Fiction), além de também ter trabalhado como editor, diretor de arte e jornalista por muitos anos. Como era a vida de Lou Anders antes da Trilogia Tronos e Ossos?

L. A.: Eu me sinto sortudo de ter tantas funções, de ter feito tantas coisas. Eu estudei teatro em Londres, eu escrevi e dirigi (péssimas) peças em Chicago, eu trabalhei como jornalista em Los Angeles, eu trabalhei na indústria dotcom em São Francisco, e eu criei e administrei uma gráfica de ficção científica e fantasia para uma editora em Nova Iorque antes de voltar para o Alabama. Eu amava a agitação frenética, esperançosa e desesperada de estar em Hollywood, e apesar de não morar lá há mais de duas décadas (e não visitar há anos também), eu tenho um amor profundo e nostálgico pela Califórnia e o tempo que vivi lá. Sobre o meu tempo “do outro lado da mesa”, eu adorei trabalhar com escritores e artistas e tive sorte de trabalhar com alguns dos melhores no negócio. Eu adoro trabalhar com artistas em particular, e eu me sinto privilegiado de ter feito tanto em quase duzentas capas. Mas tem um sentimento que vem de criar seu próprio trabalho, colocar suas próprias ideias no mundo, e isso é insuperável. 

3. Quando o senhor realmente decidiu que era hora de escrever seu próprio romance e porque fantasia e não SF?

L. A.: Eu acho que depois de quinze anos trabalhando com outras pessoas para ver as visões delas serem trazidas à vida, eu queria fazer meu próprio trabalho. Na realidade, lá em 2010, eu coeditei uma antologia de histórias de Sword & Sorcery, e enquanto escrevia eu percebi que tinha em mãos aquele que sempre foi meu gênero favorito. (Não para publicar no livro – eu não faria isso). Eu escrevi naquela época um conto sobre uma mestiça de Gigante do gelo chamada Thianna. O conto era horrível. Eu o mandei para alguns lugares, e eles legitimamente o rejeitaram. Mas ele me fez escrever, e eu comecei a trabalhar num texto para um livro. Eu tive dois livros recusados antes de pensar em escrever fantasia. E durante aquele tempo todo, a mestiça de Gigantes do gelo estava lá esperando num canto da minha mente. Então um dia eu percebi que ela deveria ter tido uma infância horrível e boom – a ideia para meu livro nascia.

E sobre porque fantasia e não ficção científica...Provavelmente há duas razões. A primeira é que eu trabalhei com alguns dos autores mais talentosos de ficção científica do mundo (Ian McDonald, eu estou falando de você), e tendo trabalhado com os melhores, eu podia claramente ver o espaço entre onde eles estavam e onde meus próprios esforços na ficção científica estavam. Mas a outra razão é que quando eu era criança eu amava Tolkien e Moorcock e Leiber e Dungeons & Dragons, e eu queria criar algo que pudesse inspirar as pessoas hoje do jeito que esses trabalhos e mundos me inspiraram. 
4. A Trilogia tem diversos personagens muito divertidos e a história toda em si também tem muitos momentos divertidos, além de toda a aventura que Thianna e Karn enfrentam. Foi tão divertido quanto parece para o senhor escrever a trilogia?

L. A.: Cada livro foi muito diferente. Quando eu escrevi o primeiro livro (Jornada no Gelo), eu não tinha uma editora ou um público, então eu tinha que escrever apenas para mim mesmo. Eu estava motivado, trabalhando toda noite até tarde, trabalhando nos finais de semana e no horário de almoço. Eu não sabia se conseguiria, eu apenas sabia que a história tinha que ser contada. Eu lembro disso como sendo uma escavação, ou uma escultura, tentando tirar essa coisa da pedra que eu sabia que estava lá, e diligentemente, determinadamente trabalhando para desenvolver as ferramentas que ele precisava para sair. O segundo livro, O Enigma do Chifre, eu lembro que foi mais fácil. Eu tinha uma ideia clara do enredo desde o começo, e a confiança de já ter feito isso antes. Minha esposa diz que não é assim, mas eu lembro que escrever foi uma alegria absoluta. Quanto ao terceiro livro, A Batalha Final, bem...Eu o escrevi num inverno muito, muito gelado, onde eu estava congelando o tempo todo, e meus dedos estavam estalando e sangrando por causa do ar gelado e até doía para digitar. Eu estava extremamente infeliz, então meu editor me fez fazer uma revisão enorme. Então eu me lembro que foi uma experiência terrível, mas ironicamente, dos três é o livro preferido da minha esposa, e eu escuto muito isso dos leitores também. E quando eu penso sobre as minhas cenas preferidas da trilogia, todas elas são do terceiro livro. Assim como alguns dos meus personagens preferidos. 

5. Não tem como não se lembrar do dragão Smaug quando o Orm aparece na história de Tronos e Ossos. De certa forma, talvez, toda vez que alguém criar um dragão para qualquer história que seja, Smaug, será lembrado. Não que isso seja ruim, mas para muitos uma comparação não seria adequado. O que o senhor acha dessas comparações entre histórias de fantasia em geral?

L. A.: Você sabe, quando eu escrevi para criar Orm, eu queria muito que ele fosse seu próprio dragão, diferente das memórias de Smaug. E, com todas as desculpas a Benedict Cumberbatch, foi o ator Richard Boone, que fez o papel de Smaug no filme animado Hobbit de 1977, que resumiu para sempre para mim como um dragão deveria soar. Então quando eu fui descrever Orm, eu fui para o Facebook e perguntei para os meus amigos “quem deveria fazer a voz de um dragão?” e eu recebi centenas de respostas (Avery Brooks e Gary Oldman foram duas das minhas sugestões favoritas). Então eu escolhi uma, e toda vez que eu ia descrever Orm, eu assistia entrevistas antigas com a celebridade em questão, para baixar a voz dele, e depois eu descreveria Orm falando. Então...quer saber um segredo? Em minha mente, quando Orm fala, ele soa como...David Bowie. 
6. Tenho que lhe dizer que adorei os Trolls e me diverti muito em cada aparição deles. Qual o feedback que o senhor tem tido desses e outros personagens secundários?

L. A.: Os leitores têm sido ótimos. Eu mostro fotos dos trolls quando eu faço visitas a escolas e elas vão bem. Um dia eu gostaria de visitar a cidade de Trollheim e conhecer o rei troll. 

7. Karn e Thianna também foram muito bem construídos ao longo da história. Dois adolescentes que tiveram que enfrentar muita coisa de uma hora para outra e sem ajuda nenhuma, até que ambos se encontraram e resolveram se ajudar. Acredito que tenha aí nessa premissa uma mensagem para os adolescentes que pode ser transmitida em qualquer época: Seja em qualquer situação a amizade sempre será de grande ajuda. O senhor concorda com essa visão?

L. A.: Sim! Também é uma história sobre pessoas que não dão valor para suas próprias forças, sobre encontrar alguém com uma visão de mundo muito diferente, e entender tanto o valor da “alteridade” nos outros quanto encontrar um novo valor em suas próprias qualidades. Nossas diferenças nos fazem mais fortes quando nos encontramos. 

8. Já faz muito tempo que as histórias de fantasia e Si-fi sempre são criadas para sequências, Tronos e Ossos foi assim também ou isso veio só depois do projeto do primeiro livro mostrar capacidade para uma trilogia?

L. A.: Originalmente, Karn e Thianna se separariam no final do primeiro livro. Eu não tinha intenção de que eles se encontrassem novamente, e eu pensei que eu poderia escrever livros separados sobre cada um deles tendo suas próprias aventuras. Então minha esposa disse “Oh não, eles precisam estar juntos no próximo livro”. E então meu agente disse “Oh não, eles precisam estar juntos no próximo livro”. Então ele o vendeu, e meu editor disse, “Oh não, eles precisam estar juntos no próximo livro”. Então eu fui vencido. E foi uma coisa boa. 

9. Em cada livro da trilogia é apresentado um jogo de tabuleiro de uma diferente cultura e que é parte integrante e também essencial em toda a história. Existe a possibilidade de comercialização desses jogos apresentados nos livros?  Se é que já não existem, pois aqui no Brasil esse tipo de jogo ainda é pouco difundido.
L. A.: Eu adoraria também, mas não há planos no momento. Mas eu adoro ver tabuleiros feitos em casa pelos leitores. 

10. O senhor está escrevendo mais algum livro ou algum outro tipo de projeto? Num futuro, poderemos ter mais aventuras de Karn e Thianna?

L. A.: Eu estou escrevendo vários livros novos. Eu tenho dois livros, um quase terminado e outro na metade, os quais se passam no mesmo mundo, mas com novos personagens. E eu estou escrevendo bem devagar um terceiro livro sobre uma Desstra um pouco mais velha e sozinha. E então eu estou escrevendo algo secreto do qual não posso falar, mas pelo qual estou muito ansioso. (deve ser anunciado no final de abril, ou em maio). 

11. Como é o seu processo de escrita? Existe algum horário do dia que prefere escrever?

L. A.: Quando eu escrevi Jornada no Gelo, eu escrevi de segunda a quinta-feira, das nove da noite à uma da manhã, e em alguns domingos num café, das nove da manhã às cinco da tarde. Agora eu tenho um escritório próprio, e escrevo durante o dia quando as crianças estão na escola. 

12. Quais são suas inspirações literárias?

L. A.: Obviamente, JRR Tolkien, Michael Moorcock, e Fritz Leiber foram demais quando eu era mais novo. Atualmente, eu realmente admiro JK Rowling, Cressida Cowell, e Tui Sutherland. Como editor, eu trabalhei com dois escritores de fantasia chamados James Enge e KV Johansen e pelo trabalho maravilhoso de construir mundos, eu não poderia deixar de recomendá-los. Eu não consigo deixar de dizer o quão importante foi me aventurar em mundos de fantasia de jogos como Dungeons & Dragons.

13. Sr. Anders, agradeço imensamente a entrevista. Por favor, deixe uma mensagem para os leitores e fãs brasileiros.

L. A.: Foi um prazer. Eu estou muito animado de ter a trilogia inteira publicada no Brasil. Mesmo que eu nunca tenha estado em seu país, eu tive interações maravilhosas com leitores e críticos. Eu fiquei muito impressionado com o entusiasmo com ficção fantástica lá. Muito obrigado. Espero visita-los um dia, e boas leituras!

8 comentários:

  1. Tudo bem? Eu ainda não li esses livros, apesar de ter interesse. Uma amiga em quem sempre confio na opinião leu e amou. Então fiquei curiosa.
    Adorei saber mais um pouco sobre o autor.

    Beijos.


    www.alempaginas.com

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  2. Olá!
    Eu não conhecia e achei super bacana a entrevista qto as informações sobre os livros, vou com certeza ficar de olho, já salvei! Bjs

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  3. Eu conheço o autor, mas ainda não li nenhum livro dele. Achei a entrevista muito legal e curti as respostas dele, muito simpático! Agora com escritório próprio deve ficar bem mais fácil de escrever e fazer o próprio horário, com os filhos na escola então, melhor ainda.

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  4. Olá!
    Parabéns pela entrevista. Não conhecia esse autor e nem suas obras, mas adorei conhecer mais da sua jornada e de ver que se sente entusiasmado com nossos leitores.
    Para os fãs de sua obra seria uma beleza se viesse em uma dessas Bienais.
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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  5. Olá!
    Eu não conhecia nem o autor, nem os livros, mas costumo ficar muito empolgada de conhecer as obras depois de uma entrevista tão bem feita com o autor, ainda mais se ele for tão simpático quanto este. Adorei a entrevista e espero ler os livros em breve!
    Abraços

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  6. Oi Yvens, que legal a sua entrevista, parabéns! Não tive o prazer de ler a serie ainda, mas agradeço pela oportunidade de conhecer um pouco melhor o autor.
    Bjs Rose

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  7. Olá!Tudo Bem?
    Que entrevista suoer interessante.E ainda internacional,gostei bastante.
    Não conhecia sobre essa trilogia adorei conhecer essa fantasia e o autor.
    Beijos

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  8. Oi, conheço o autor de nome e de divulgação dos livros dele, mas infelizmente, ainda não os li. Eu amei a resposta dele sobre não escrever Ficção Científica, ele se mostrou humilde e sincero. Uma pessoa que tem inspiração em Tolkien, a gente tem que parar para ler.

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