Título: Flores Para Algernon
Autor: Daniel Keyes
Tradução: Luisa Geisler
Editora: Aleph
Páginas: 288
Ano: 2018
ISBN: 9788576573937
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Uma cirurgia revolucionária promete aumentar o QI do paciente. Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual severa, é selecionado para ser o primeiro humano a passar pelo procedimento. O experimento é um avanço científico sem precedentes, e a inteligência de Charlie aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que o planejaram. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até o papel de sua existência. Delicado, profundo e comovente, Flores para Algernon é um clássico da literatura norte-americana. A obra venceu o prêmio Nebula e inspirou o filme Os Dois Mundos de Charly, ganhador do Oscar de Melhor Ator, um musical na Broadway e homenagens e referências em diversas mídias.


Resenha: Escrito pelo autor estadunidense Daniel Keyes, Flores para Algernon foi publicado originalmente no ano de 1959 na forma de conto pela revista The Magazine of Fantasy & Science. Daniel Keyes ampliou o conto e no ano de 1966 publicou o seu trabalho na forma de romance. Com Flores para Algernon o autor venceu os prêmios Hugo e Nebula. No ano de 1968 o seu livro recebeu uma adaptação para os cinemas (Os dois mundos de Charly) e inclusive rendeu o Oscar de Melhor Ator para Cliff Robertson.

Em Flores para Algernon acompanhamos a história de Charlie Gordon, um homem de 32 anos que apresenta uma deficiência intelectual muito grave, ele na verdade tem 68 de QI e por isso é classificado como um retardado mental funcional. Charlie é uma boa pessoa, ele é prestativo e vê todos à sua volta como amigos. Apesar de todas as dificuldades e deficiências intelectuais, ele tem como grande motivação aprender novas tarefas e atividades, ele quer ser um homem inteligente e em certo momento da sua vida surge uma possibilidade ímpar em seu caminho, Charlie poderá se tornar o homem que ele tanto quer ser.

"Doutor Strauss diz que eu deveria iscrever o que eu penso e mi lembra de tudo que acontece de agora endiante. Não sei por que mas ele diz que é importante e então eles vão poder ver se vão mi usar. Quero que eles mi usem porque a professora Kinnian disse que tal vez eles possão mi fazer intelijente [...]" p. 9.
Charlie estuda em uma escola para adultos especiais e a sua professora Alice Kinnian reparou o esforço e a vontade de seu aluno em se tornar inteligente, foi então que ela lembrou de um projeto desenvolvido na universidade local que visa tornar pessoas com déficit intelectual inteligentes. Esse projeto é um experimento científico que foi elaborador pelo Doutor Strauss e o Professor Nemur. Charlie procura os responsáveis pelo projeto e é submetido a diversos testes, entre eles participar de uma competição com um rato de laboratório chamado Algernon para ver quem conclui primeiro um teste em que precisam chegar ao final de um labirinto e a cada caminho errado escolhido, Charles toma um leve choque. Os testes a que Charlie é submetido servem para ver se ele poderá participar como cobaia do projeto e, para a sua felicidade ele é aprovado.

Após sua aprovação, Charlie Gordon é submetido a uma cirurgia para ficar inteligente, mas também para que as pessoas possam, desse momento em diante, amá-lo de verdade. Após realizarem o procedimento cirúrgico em seu cérebro, Charlie fica com os olhos vendados por alguns dias, mas para ele essa cirurgia foi um tempo perdido, ele não acredita que obteve qualquer resultado, pois nos relatórios que ele precisa escrever continuava escrevendo errado e continuava sem entender muito bem as coisas. Contudo, com o passar dos dias ele vai obtendo uma melhora pequena, imperceptível para ele, pois ele acreditava que seria muito inteligente da noite para o dia. Com o passar do tempo Charlie vai demonstrando interesse por diversos campos como: teologia, política, economia e ciência. Ele passa a demonstrar uma enorme facilidade para absorver novos conhecimentos, mas algo nele além do intelecto também mudou, as suas emoções.

" [...] Ninguém naquela sala me considera um indivíduo - um ser humano. A constante justaposição de 'Algernon e Charlie' e 'Charlie e Algernon' deixava claro o que pensavam de nós dois, um par de animais experimentais que nunca existiram fora do laboratório. No entanto, além da minha raiva, eu não conseguia tirar da cabeça que havia algo de errado." p. 150.

Com essa enorme e rápida mudança em seu ser, um campo ainda precisa de atenção e ser trabalho, é o campo das emoções. Charlie é um homem imaturo para a sua idade, ele não consegue compreender muitos dos sentimentos que passam a fazer parte de si. Antes a vida para ele era só alegria, ele era basicamente uma criança, não compreendia as maldades e mazelas do mundo e via todos como seus amigos. Mas agora ele passa a questionar o mundo e todas as pessoas que estão presente em sua vida, ele passa fazer uma análise da sua própria vida, refletindo todos os traumas que passou a recordar desde quando era criança até a sua fase adulta, incluindo a traumática convivência com sua irmã e mãe. 

Para piorar a situação, Charlie precisa lidar com outro aspecto no campo emocional, pois aqueles que ele considerava que eram seus amigos passam a sentir-se inferiorizados e com isso acabam se afastando dele e ele compreende finalmente que eles na verdade nunca gostaram dele, apenas o utilizavam como um alvo para piadas, sarcasmos e esquemas sujos no local de trabalho. Charlie Gordon finalmente passa a conhecer a "selva de pedra" e o mundo hostil em que vive. Enquanto tenta se ambientar nesse "novo mundo", o nosso protagonista busca uma forma de conquistar e expressar tudo o que sente por Alice Kinnian.
Opinião: Flores para Algernon já está entre os meus livros favoritos de todos os tempos. Daniel Keyes tem uma narrativa incrivelmente envolvente e o texto é de fácil compreensão. Mas quero ressaltar que a narrativa não é leve, pois envolve temas tristes e pesados, como agressões verbais, o descaso do ser humano com o próximo, a solidão e a incapacidade de receber amor, mas também de amar o próximo que apresenta algum tipo de incapacidade ou deficiência, seja ela física ou psicológica. O autor aborda a necessidade de compreender e respeitar as diferenças, a necessidade de amar e a importância que o amor tem em nossas vidas. 

As experiências que Charlie precisa enfrentar desde criança até a fase adulta são dolorosas, tristes e chocantes, eu fiquei consternado com tudo o que ele precisou enfrentar até tornar-se inteligente para poder compreender todas as suas experiências de vida. Outra aspecto que podemos refletir é se o caminho para ignorância pode nos levar a felicidade, pois enquanto era considerado "burro" e intelectualmente defasado, Charlie Gordon era um ser humano feliz, mas à partir do momento que tornou-se um homem inteligente, passanso por um turbilhão de emoções e experiências, o mundo se torna complexo em relação ao seu passado e a felicidade é algo que está longe em sua "nova vida". Daniel Keyes simplesmente nos presenteia com um livro incrível, um livro emocionante e melancólico, mas que certamente tem o seu lugar entre os grandes clássicos da ficção científica e merece o lugar conquistado. Flores para Algernon é a melhor leitura que realizei esse ano. Agradeço à Editora Aleph por esse livro incrível.
Sobre a Edição: A Editora Aleph está de parabéns pelo projeto gráfico apresentado, Flores para Algernon recebeu uma edição em capa dura e a capa está de acordo com o enredo, pois me passa a impressão de mistério sobre a identidade do protagonista, sobre quem ele é de verdade. Os capítulos são divididos em relatórios de progressos (dias como subcapítulos) e isso deixou a leitura bem fluída. A letra é no padrão das edições 14x21, o espaçamento ficou bom e as folhas são amareladas (pólen soft e cartão supremo). A revisão ficou muito boa e a tradução ficou por conta da Luisa Geisler.
Sobre o Autor: Daniel Keyes foi professor e escritor norte-americano de Ficção Científica. Keys graduou-se em Psicologia, Inglês e Literatura pela Universidade do Brooklyn. Ganhador dos Prêmios Hugo e Nebula em 1959 e 1966 pela publicação do conto e, posteriormente, do livro, "Flores para Algernon". O ator Cliff Robertson recebeu um Oscar da Academia por sua performance na versão cinematográfica de 1968 (Os dois mundos de Charly). Flores para Algernon foi traduzido em múltiplos idiomas com direito a versão musical em Londres, Washington e na Broadway; foi adaptado para a televisão nos Estados Unidos e Japão e para o teatro na França, Polõnia e Japão. Keyes gravou a versão em audio book do livro. O conjunto de suas obras foi titulado na Alemanha com o Kurd Lasswitz para Melhor Autor Estrangeiro (1986) e com o Locus Award em 1998. Nominado para o Prêmio Edgar (Mystery Writers of America) e como Author Emeritus pela Science Fiction and Fantasy Writers of America em 2000.