[RESENHA #552] VIAGENS DE GULLIVER - JONATHAN SWIFT - Saga Literária

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

[RESENHA #552] VIAGENS DE GULLIVER - JONATHAN SWIFT


Título: Viagens de Gulliver
Autor: Jonathan Swift
Tradução: Luis Reyes Gil
Editora: Autêntica
Páginas: 192

Ano: 2018
ISBN: 9788551303801
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Publicado em 1726, Viagens de Gulliver é uma crítica contundente ao homem, suas instituições e seu amor exacerbado pelo poder e pelo dinheiro. Clássico da literatura de língua inglesa, o livro tem o título original de As viagens através de várias e remotas nações do mundo, por Lemuel Gulliver, primeiramente cirurgião e depois capitão de vários navios. São quatro viagens, e em cada uma delas há críticas à Inglaterra do século XVIII e à humanidade em geral. 
Nesta edição, apresentamos as duas viagens mais conhecidas, a Lilliput e a Brobdingnag. Em Lilliput, Gulliver encontra homenzinhos minúsculos, diante dos quais ele é um verdadeiro gigante. Os liliputianos estavam em guerra constante com os também minúsculos habitantes de Blefuscu, a ilha vizinha. Brigavam para defender seu ponto de vista sobre o lado certo de quebrar o ovo, o mais fino ou o mais largo – e Gulliver, naturalmente, acaba se envolvendo na guerra, pelo lado de Lilliput. 

Em Brobdingnag, inverte-se a situação: os habitantes do reino são gigantes, e Gulliver, agora muito menor que um anão, torna-se um brinquedo e uma atração para o povo, embora fosse bem-tratado e bem-cuidado por todos e tivesse longas e produtivas conversas com o rei. Num texto cheio de ironia, de sátiras à sociedade da época e à própria vida do autor, o livro questiona e critica os motivos fúteis pelos quais a Inglaterra e a Europa entravam em guerras, a facilidade em dominar os outros quando se é superior, física ou economicamente, a utilidade dos exércitos, as guerras, as traições e intrigas palacianas, o governo inglês e seus governantes.

Resenha: Viagens de Gulliver foi publicado no século XVIII após o sucesso de Daniel Defoe com o livro Robinson Crusoé e tornou-se um dos precursores dos romances modernos e também é considerado um dos clássicos da literatura. Gulliver é um médico-cirurgião que trabalha em navios e ajuda os navegantes se por ventura algum deles apresentar qualquer problema de emergência. Logo em uma primeira viagem, uma tempestade atinge o navio em que ele estava trabalhando e o barco é completamente destruído pela força descomunal desse evento da natureza. Gulliver e alguns marinheiros pegam um bote, mas tamanha é a força do mar que eles ficam à deriva e sem o bote.
"Quanto a mim, nadei guiado pela providência, empurrado para a frente pelo vento e pela maré. De vez em quando, abaixava as pernas e não sentia o fundo, mas quando já estava perdendo os sentidos e não tinha mais forças para lutar, senti que a água dava pé, e a essa altura a tempestade já amainara." p. 17.

Depois de algum tempo lutando pela própria vida contra todas as dificuldades, Gulliver consegue chegar na ilha Lilliput. Nesse local todas as pessoas são extremamente pequenas, são miniaturas do ser humano e lá Gulliver é literalmente um gigante, mas logo de início ele é capturado e o prendem, pois eles ficam receosos com a presença de um gigante em suas terras. Aos poucos, um contato é estabelecido entre o médico e os habitantes locais e o sentimento de confiança floresce entre eles. No local, ele consegue comer e beber e em pouco tempo consegue dominar a língua nativa. Com o domínio do idioma local Gulliver aproveita para melhorar o seu saber e conhecimentos sobre a sociedade de Lilliput. Após um período de convivência com os moradores, o médico consegue retornar para a sua terra natal, Inglaterra.
Em seu país, Gulliver espera por outra oportunidade de desbravar o mar e não satisfeito com a sua experiência e aventura em Lilliput, agarra a primeira oportunidade que surge em seu caminho.  Em sua segunda viagem, Gulliver conhece um local chamado Brobdingnag que é habitado por gigantes que possuem um olho só, são os lendários Ciclopes. Ao contrário dos moradores de Lilliput, nesse novo mundo Gulliver é um verdadeiro anão. Nesse local o personagem é acolhido por uma humilde família, mas por trás desse acolhimento existe um interesse financeiro, pois Gulliver passa a ser exposto ao público e posteriormente é adquirido pela família real, onde vive com algum luxo.

"Sua majestade convocou então três grandes eruditos, que estavam ali para sua entrevista semanal com o rei, como era o costume naquele país. Esses cavalheiros, depois de um tempo examinando detidamente minha forma, deram opiniões diferentes a meu respeito [...]" p. 127.


Buscando novas aventuras, Gulliver conhece a flutuante ilha de Laputa onde os habitantes trabalham em diversas pesquisas. Em sua última viagem, o médico conhece um país chamado Houyhnhnms e esse mundo é comandado por cavalos que são dotados de inteligência e conduzem a sua sociedade de forma ímpar. Em Houyhnhnms os humanos também estão presentes, mas são seres bestiais, falta inteligência e racionalidade para esses humanos e também apresentam características semelhantes aquelas apresentadas na sociedade de Gulliver. A contragosto, o personagem retorna em definitivo para o seu lar, pois novamente estava acostumado com o modo de viver de outras raças que não a sua, principalmente a dos Houyhnhnms, dos quais ele gostou e ficou acostumado com o modo distinto deles de viver.
Opinião: Narrado em primeira pessoa Viagens de Gulliver tem um enredo muito bom e o autor nos permite por meio da sua narrativa que é bem detalhada sentir e imaginar as experiências vivenciadas pelos personagens nesses diferentes locais e sociedades que conheceu. O autor nos traz reflexões importantes sobre o comportamento humano, as relações entre as pessoas na sociedade e no mundo. Jonathan Swift aborda temas como o machismo, preconceito, religião e a política durante essas viagens de nosso personagem. Ele também abre espaço para criticar a sociedade inglesa de sua época e há um toque de humor na trama. A linguagem utilizada pelo autor é de fácil compreensão e por isso acredito que vá agradar diversos leitores. Eu adorei a leitura e super recomendo para quem gosta de livros clássicos e também aventura.
Sobre a Edição: Essa é uma edição brochura, formato 22x15. A capa é bem bonita, tem uma bela combinação de cores e ilustração que está ligado diretamente a trama. O papel utilizado foi o off-white 70 e tem uma boa gramatura, as folhas são amareladas e a revisão está ótima. O livro conta com diversas ilustrações que enriquecem o projeto gráfico. Por fim, os capítulos são curtos e facilitam a leitura.
Sobre o Autor: Escritor irlandês nascido em Dublin, considerado como o satirista mais ferino e brilhante na língua inglesa. Órfão de pai, com um ano de idade, foi levado secretamente por sua ama para a Inglaterra, porém dois anos depois, voltou para Irlanda em virtude dos problemas políticos. Passou a infância sob a dependência de seu tio Godwin que o mandou estudar na escola Kilkenny, em Dublim (1673). Na infância teve boa educação, mas sofreu constantemente de crises de surdez que o ameaçou pelo resto da vida. Matriculou-se no Trinity College de Dublin (1681) onde só se distingue pelas punições (1682-1686). Recebeu um diploma da congregação (1688) e, com a morte de seu tio, neste mesmo ano, foi para Leicester viver junto de sua mãe. Com ela não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo, é obrigado a procurar um emprego e sustentar-se. Fixando-se em Moor Park, Surrey, tornou-se (1689) secretário do estadista e escritor de grande prestígio, Sir William Temple (1628 -1699). No emprego adquiriu gosto pelos livros e, continuando seus estudos, graduou-se na Universidade de Oxford (1692) e foi ordenado pela igreja anglicana (1695). Nomeado deão da catedral de Saint Patrick, em Dublin (1713) passou a participar ativamente da vida política da Inglaterra. Em 19 de Outubro (1745), surdo e louco, morreu em Dublin e foi enterrado na Catedral de São Patrício, cujo epitáfio em latim escrito em sua lápide, foi escrito por ele mesmo. Entre seus magníficos trabalhos ficaram-se A Tale of a Tub (1704), Gulliver's Travels (1726), um dos maiores sucesso da literatura universal, e Modest Proposal for Preventing the Children of Poor People from Being a Burden to their Parents or the Country (1729).

6 comentários:

  1. Nossa, eu li As Viagens de Gulliver a muito tempo, durante meu ensino fundamental, e lembro de ter amado de coração. Sua resenha me lembrou muito desses tempos, está muito bem escrita!

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  2. Oii. Ainda não li esse clássico, mas, atraves da sua resenha, acabei lembrando que já assisti o filme que é baseado no livro.
    Espero um dia ter a oportunidade de ler e, assim como você, entender as formas de crítica do autor sobre a sociedade.

    Ótima resenha.
    Cupcakeland

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  3. Tenho muita vontade de ler esse livão, inclusive está na inhame etapa o ano. Essa edição parece estar muito bonita e gostei da resenha. Abraços

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  4. Oi Yvens! Eu já vi o filme que tem esse nome e, a não ser que eu esteja muito esquecida rs, não lembrava dele indo para outro lugar a que não Lilliput. Enfim rs
    Achei muito interessante a história que o livro trás e fiquei bem curiosa para poder fazer a leitura. Vou colocar logo na wish list. E adorei o modo como você construiu a resenha, parabéns. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  5. Que interessante este livro, gostei da sua forma de resenha lo. Não sei se seria uma opção legal para ler atualmente, por ter as palavras mais eruditas e a interpretação ser um pouco mais delicada devido o contexto historico e cultural do periodo.

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  6. Ainda não li, ou não lembro kkk. Mas a resenha me fez lembrar de muitas coias vistas em filmes baseados.

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