[RESENHA #554] AUGUSTUS - JOHN WILLIAMS - Saga Literária

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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

[RESENHA #554] AUGUSTUS - JOHN WILLIAMS

Título: Augustus
Autor: John Williams
Tradução: Alexandre Barbosa de Souza
Editora: Rádio Londres
Páginas: 384
Ano: 2018

ISBN: 9788567861234
Onde Comprar: Amazon - Rádio Londres

Sinopse: O terceiro grande romance de John Williams acompanha a trajetória de Caio Otávio, conhecido mais tarde como Augusto, primeiro imperador de Roma e figura fascinante. Sua história é contada por meio de um complexo enredo de cartas, fragmentos de diários, anotações pessoais e documentos, todos fictícios, mas com autoria atribuída a personagens históricos reais. À primeira vista, Augusto é um personagem distante de William Stoner ou do jovem bostoniano protagonista de Butcher’s Crossing, porém, com ele, o autor volta a propor, com grande força e imensa habilidade, seu tema clássico, ou seja, o fato de que, independentemente de nosso caráter, a vida que acabamos vivendo é o resultado não previsível das circunstâncias e do acaso, da fricção entre as imposições do mundo e nossos desejos mais íntimos. A aceitação estoica dessa verdade por parte dos protagonistas dos romances de John Williams é o que os deixa tão relevantes e tocantes para todos nós.


Resenha: Com uma narrativa conduzida através de cartas, documentos e pontos de vista diversos, John Williams nos apresenta a história de Caio Otaviano (Caio Otávio), sobrinho-neto de Júlio César e que posteriormente veio a ser conhecido como Augusto (Augustus), o primeiro imperador romano. Tudo começa no ano de 45 a. C. quando Júlio César envia uma carta para a sua sobrinha Ácia informando sobre os cuidados que o filho dela Caio Otaviano recebeu durante as suas campanhas militares de César e que por fim deixou o acampamento deste em Cartago para retornar à Roma.

"[...] Estava com ele em Ácio quando as espadas geraram faíscas se chocando no metal, e o sangue dos soldados inundou a ponte, manchando o azul do Mar Jônico, e as lanças zuniam no ar, e os cascos em chamas sibilaram sobre a água, e a manhã ressoou dos gritos dos homens, cuja carne era tostada dentro da armadura que não conseguiam tirar [...]" p. 15.

No ano seguinte uma notícia abala as estruturas do jovem Caio, pois ele recebe uma carta informando que o seu amado tio Júlio César morreu e deixou um testamento nomeando Caio como o seu herdeiro, mas não somente dos seus bens, mas também como herdeiro da principal potência desse mundo até então conhecido, Roma. Aos 18 anos, pouco experiente e imaturo na política romana, Caio não sabe muito bem o que fazer, mas movido pelo desejo de vingança ele vai até a capital da República e conta com o apoio de boa parte do exército, bem como dos seus amigos pessoais.

Nessa busca por vingança e fazer valer os desejos do seu tio, Caio consegue o apoio de Marco Antônio e Lépido e criam o segundo triunvirato na história da república romana. Mas nem tudo era flores entre eles e após algum tempo o triunvirato é dissolvido. É através do senado e pela aclamação popular que Caio Otaviano torna-se o primeiro Imperador de Roma, passando a ser chamado pelo povo de Augusto (Augustus). 

Na segunda parte do livro conhecemos a vida de Júlia e a sua descoberta pelos prazeres e feminilidade, a filha do imperador. Ele por sinal investe em sua educação para que pudesse expandir o horizonte e ver o mundo diferente das mulheres da sua época, porém os usos e costumes falaram mais alto e para a sua tristeza ela é utilizada como moeda de troca para manter os interesses do império, o poder da sua família. Por fim, na terceira e última parte da trama acompanhamos o final da vida do Imperador Augustus que é um tanto melancólica.
Opinião: Eu sou um grande amante de ficção histórica e já li inúmeros livros do gênero, o que incluí livros sobre história antiga e é claro sobre Roma, mas não consigo me lembrar de ter lido algum livro do gênero no formato de romance epistolar, ou seja, por meio de cartas e isso me surpreendeu de forma positiva. A impressão ao realizar a leitura é que nada está acontecendo, mas na verdade está tudo em movimento, são guerras e busca pelo poder, o autor demonstra os bastidores da política romana e a sua corrupção arraigada, as conspirações e a evolução do direito, mas também os usos e costumes. Aqui o autor demonstra o quanto Caio Otaviano ou Augustus dispôs da sua vida em prol de Roma, em prol do Império, abdicando por exemplo da sua família e sua felicidade para a ascensão de Roma.

Augustus é um livro melancólico, demonstra a submissão da mulher imposta pelo sistema, demonstra a solidão de pessoas poderosas, aqui retratada na figura do Imperador que tinha apenas três amigos e tanto ele quanto a sua família corriam riscos de vida. Essa é uma trama simples e de fácil compreensão apesar dos inúmeros fatos históricos que estão mesclados com os fatos ficcionais inseridos pelo autor. A leitura foi envolvente e dinâmica, gostei muito dessa oportunidade de embarcar em uma viagem ao passado da cidade de Roma e conhecer um pouco mais sobre o Império Romano, bem como figuras históricas como Marco Antônio e Cleópatra.

Sobre a Edição: A Rádio Londres editora está de parabéns pelo projeto gráfico elaborado. A edição é muito bonita e segue os padrões dos outros livros do John Williams que a editora publicou e também receberam capa dura. Falando em capa, eu vi algumas poucas pessoas comentando que não gostaram da capa, eu por outro lado curti esse retrato do protagonista. A capa tem diversos detalhes sobre Augusto. A história está dividida em três livros ou capítulos, mas é uma leitura rápida, pois foi dividido em cartas, pequenos subcapítulos que dão uma boa dinâmica. As folhas são amareladas e apresentam uma boa gramatura, a revisão ficou muito boa e o espaçamento está confortável.
Sobre o Autor: John Edward Williams foi um escritor norte-americano, nascido em Clarksville no Texas, em 1922. Serviu a aeronáutica de seu país durante a Segunda Guerra Mundial, sendo enviado a países distantes como Índia e Myanmar. Ao retornar da Guerra, foi beneficiado com a G.I. Bill (lei que compensava veteranos da guerra) que permitiu seu ingresso na faculdade em Denver e na Universidade do Missouri. Leccionou na Universidade de Denver por vários anos, publicou romances e escreveu poesia. Suas obras mais conhecidas são Stoner (1965) e Augustus (1973), seus terceiro e quarto romances respectivamente. Conseguiu grande reconhecimento em 1973, ao vencer o prestigiado National Book Award.

6 comentários:

  1. Oi Yvens, tudo bem?

    Ainda não conhecia a obra, mas achei muito bacana, principalmente por se tornar de uma ficção histórica. Adoro obras com esta pegada, pois sempre me proporcionam ótima leitura e reflexões, então já fiquei bem curiosa para ler. Muito bacana se tratar da história de Augustus e de como ele se tornou o primeiro imperador romano. Esse tom melancólico e submissão da mulher, me deixam mais animada para realizar a leitura. Adorei conhecer sua opinião!

    Beijos!

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  2. Eu achei a premissa interesse, eu gosto muito do formato também, mas nunca li um romance histórico assim. A leituras foi lenta? Eu costumo demorar mais, porém acho bem mais intenso e real esse sentimento de ler cartas.

    www.popsicle.com.br

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  3. Oi, tudo bem?
    Eu adoro esse tipo de obra e ja havia visto esse título em uma livraria quando fui a SP esse ano e simplesmente fiquei morrendo de curiosidade e coloquei na minha listinha. Espero lê-lo em breve!

    Bjs
    blog Tell Me a Book

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  4. Olá!
    Também gosto de ficção histórica e esse me trouxe a curiosidade sobre Cleópatra, tenho certeza que nunca li nada ficcional que a tivesse como personagem, vou guardar e obrigada pela dica! BjsBjs

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  5. Oi, Yvens! Tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas fiquei muito curiosa para ler. Eu quase não leio ficção histórica, apesar de ter gostado bastante dos poucos livros que li. Como eu sempre fui apaixonada por história antiga, acho que iria adorar essa leitura, ainda mais por ser envolvente e com uma trama de fácil compreensão.
    Adorei a resenha e vou anotar a dica.
    Beijos!

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  6. Não conhecia o livro e na verdade não li nada do autor ainda. Adoro quando há esta mistura de ficção e realidade. Vou anotar esta dica.
    Bjs, Rose

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