[RESENHA #574] O SOL NA CABEÇA - GEOVANI MARTINS - Saga Literária

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

[RESENHA #574] O SOL NA CABEÇA - GEOVANI MARTINS



Título: O sol na cabeça
Autor: Geovani Martins
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 112
Ano: 2018
ISBN: Amazon - Saraiva
Onde Comprar: 9788535930528

Sinopse: Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. Nos treze contos de O sol na cabeça, deparamos com a infância e a adolescência de moradores de favelas – o prazer dos banhos de mar, das brincadeiras de rua, das paqueras e dos baseados –, moduladas pela violência e pela discriminação racial. Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI. 


Resenha: O Sol na Cabeça foi escrito pelo autor carioca Geovani Martins e para quem não sabe ele é considerado "fenômeno literário brasileiro vendido para 8 países", o seu livro foi publicado pela Companhia das Letras nesse ano de 2018 e conta com treze contos ao todo. O primeiro texto é "Rolezim" e aqui acompanhamos o protagonista aproveitando o dia em uma praia, mas que ao voltar para a sua casa, ele na companhia dos seus amigos, é parado pela polícia.

"Acordei tava ligado o maçarico! Sem neurose, não era nem nove da manhã e a minha caxanga parecia que tava derretendo. Não dava nem mais para ver as infiltrações na sala, tava tudo seco. Só ficou as manchas: a santa, a pistola e o dinossauro [...]" p. 9.

"Espiral" é o segundo conto aqui acompanhamos os olhares reprovadores de outras pessoas sobre a pessoa do personagem principal, não obstante as pessoas também fogem dele, apenas por ele morar em um local considerado "diferente" das outras pessoas e ao perceber o comportamento das outras pessoas ele fica uma sensação de incredulidade. Já em "Roleta-russa" conhecemos a vida de Paulo. O pai do jovem tem em sua casa uma arma de fogo, armamento que ele utiliza no trabalho e aos poucos o protagonista demonstra sentimentos como admiração e medo pela arma, ele deseja a arma, mas não quer trair a confiança do seu pai.

"O caso da borboleta" é um conto em que acompanhamos o menino Breno, ele tem um grande sonho que é voar, seja como piloto de avião ou como jogador de futebol e essa vontade surgiu quando ele começou a admirar uma borboleta voando. Breno é uma criança observadora e repara tudo a sua volta, inclusive o ciclo da vida da borboleta. Em seguida conhecemos o conto "O rabisco" em que acompanhamos um pichador em fuga, ele está decidido a largar a vida de pichador para o benefício do seu filho, mas o vício e a necessidade falam mais altos, assim ele volta para a sua atividade e é flagrado pela polícia que vai ao seu elcanço.

"Não era para estar ali. De repente, tudo se confundia: tomava cerveja, sentia saudade, orgulho, vontade. Um moleque brotou com tinta, uns papos de escolta, a bola de metal dançando na lata, o cheiro forte de adrenalina. Quand viu, já subiu na direção do terraço do prédio assustado pela mulher aparavorada que gritava: Pega ladrão!". p. 51.


No conto "O Cego" conhecemos Matias, ele é um homem que nasceu com cegueira e querendo ganhar algum dinheiro, o rapaz ganha a vida nos coletivos da cidade tocando o coração de todos ao contar a sua história. Mas, com o passar do tempo, a sua história já não toca tanto mais o coração das pessoas, ele não consegue emocionar mais os seus ouvintes e ele para de lucrar com a sua deficiência.
Opinião: Nunca é fácil resenhar um livro de contos, primeiro pelas histórias diferentes e que raramente são interligadas, segundo pela quantidade de contos e com O Sol na Cabeça não foi diferente. O grande ponto positivo desse livro é podermos acompanhar pessoas diversas e comuns que fazem parte do nosso cotidiano. Geovani Martins lança mão do uso de gírias e expressões locais na construção do enredo, para alguns desavisados ou pessoas que não estão habituadas por exemplo com a cultura e sociedade carioca pode ser um problema. Martins narra acontecimentos e fatos das favelas (comunidades) cariocas (Rio de Janeiro) de forma leve, natural e próxima ao leitor. O autor simplesmente me passou a sensação de que eu estava inserida nesses cenários e situações descritas.

O Sol na Cabeça é um livro que nos permite conhecer um pouco das condições e situações que as pessoas menos favorecidas economicamente precisam enfrentar no dia a dia. Eu gostei realmente de grande parte dos contos escritos pelo autor e a forma como ele os conduziu. Essa foi uma leitura rápida e deliciosa, mas ao mesmo tempo dolorosa, é lírica e tocante. O autor trata de temas como infância, tráfico de drogas, violência e discriminação. Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do Geovani e amei a experiência. Fica a dica!

Sobre a Edição: O projeto gráfico é simples e elegante, a capa é bonita, chama atenção e ao toque passa a sensação de emborrachada. A fonte está em tamanho agradável, o espaçamento ficou confortável. As folhas são amareladas e são de boa gramatura. Esse é um livro bem elaborado e a Companhia das Letras merece os parabéns pela bonita edição que apresentou.
Sobre o Autor: Geovani nasceu em Bangu e atualmente mora no Morro do Vidigal, em São Conrado, Zona Sul do Rio. O jovem começou a se interessar pela literatura por meio de histórias em quadrinhos, como os gibis da Turma da Mônica. Antes de ser escritor, ele já fez diversos “bicos” e disse que nunca teve a carteira assinada. Geovani já foi garçom, homem-placa e distribuidor de papéis.

Em 2014, ele se destacou em uma oficina na Biblioteca Parque da Rocinha, quando escreveu um conto sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, que foi atingido por um rojão durante um protesto no Centro do Rio. Depois, Geovani foi convidado para participar da Feira Literária das Periferias (Flupp) e da Flip, em 2015. Com “O Sol na Cabeça”, o autor se consagra e preenche uma lacuna no meio literário contemporâneo. Ele dá voz e visibilidade aos moradores que precisam lidar com a discriminação social (inclusive na literatura) todos os dias.

19 comentários:

  1. Olá!! :)

    Realmente nao e facil resenhar um livro de contos, que bom que gostaste de fazer a leitura, seja como for!!

    Nunca tinha ouvido falar do livro, mas fico contente que o tema das dificuldades do dia a dia dos mais desfavorecidos seja bem conseguido!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  2. Oi, tudo bem? Já ouvi falar do livro e do autor. Tenho curiosidade de ler, porque gosto dessa experiência sobre outra realidade. Não tenho problema com o fato de o livro ter contos, acho a ideia bem bacana, porque passa mais a realidade em que o autor vive, o leitor pode montar na sua cabeça o espaço em que se passa a narrativa. Já li algumas resenhas, mas gosto bastante do blog de vocês, adorei a resenha!

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  3. Olá, tudo bem? Eu tenho visto vários canais no youtube recomendando esse livro e, fiquei muito interessada na história mas, confesso que não tinha percebido que ele é escrito em formato de contos, porque estou lendo vários contos esse ano, para um projeto pessoal.

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha dele e, gostei muito do seu texto sobre o livro! Espero que os leitores não tenham preconceito por ter vários contos nele e, consiga dar uma chance para conhecer a história. Livros de poesias e contos são, muito desvalorizados por alguns leitores em especial, os jovens que ainda não compreendem a beleza dessas obras.

    Beijos e Abraços Vivi
    Resenhas da Viviane

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  4. Nossa!!
    Surpresa estou, como o mundo é pequeno ele o autor mora perto da minha casa ele mora na zona sul e eu moro na zona norte. Fiquei muito feliz de conhecer a obra dele
    Abraços, 🌻keilycesporkeilalucia🌻

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  5. Fiquei genuinamente interessado pela natureza dos contos! Os pequenos trechos que você postou dão uma ideia do tipo de linguagem da escrita e achei muito bom.
    Me interesso por contos e a temática tão real e próxima me interessa muito.
    Vou, com certeza, procurar pra comprar!

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  6. Uau! Eu tenho este livro há um tempo mas ainda não li, mesmo assim imagino que deve ser mesmo tocante como você mencionou. O conto "O caso da borboleta" me chamou muito atenção e vou tentar ler este livro em breve!

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  7. Eu tenho o livro, mas não li ainda. Também acho mais difícil resenhar livros de contos, e no caso deste em questão, as gírias locais me atrapalharam um pouco quando fui dar uma folheada. Você fez bem em alertar sobre isso.
    Bjs Rose

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  8. Adoro o formato contos e esse livro me interessou em especial por abordar a dura realidade de milhões de brasileiros. Imagino que seja mesmo muito tocante, só de ler a sinpose de O Cego já fiquei emocionada.

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  9. Olá! Sou apaixonada por esse livro, eu já li ele e é maravilhoso a escrita. Amo crônicas e esse ganhou meu coração de tão bom que é.

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  10. Olá!

    Eu não sou muito fã de livros formados por contos, justamente pelas histórias não terem ligações entre si e realmente deve ser difícil fazer resenha de livros assim.
    Algo que você destacou na resenha que eu gostei, foi o fato das histórias trazerem fatos cotidianos de várias pessoas.
    Anotada a dica!

    Bjo.
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  11. Olá, tudo bem? Eu acompanhei o sucesso desse livro quando foi lançado e é realmente muito bom ver um autor nacional sendo uma das apostas de grandes editoras, ainda assim, li alguns dos contos e a leitura pra mim foi meio maçante, pareceu tudo meio forçado, o que é uma pena.

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  12. Achei bem interessante, eu particularmente gosto muito de contos e me parece um bom livro. Realmente é bem difícil resenhar livros assim né? muitas histórias variadas, mas sua resenha ficou muito boa.

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  13. Olá, me parece pela resenha que a sua experiência com o livro foi um pouco mais agradável do que a minha, que acabei não me empolgando tanto com alguns elementos repetitivos nas histórias, mas é inegável o talento do autor.

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  14. Estou chocada! =O
    Nunca tinha ouvido falar desse autor!! Não imaginava esse fenômeno editorial!
    Adoro livros de contos e gostei bastante da premissa desses! Não conheço muito da cultura do Rio de Janeiro, porém gosto bastante de conhecer coisas novas =D

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  15. Olá! Eu adoro livro de contos. Ainda que, de fato, sejam difíceis de resenhar, são livros que nos fazem conhecer diversas histórias e situações. Não conhecia o autor e o livro, mas pelo o que você pontuou das tramas, me despertou bastante interesse. Até pela forma de abordar pessoas em situações mais difíceis. Parabéns pela resenha. Beijos

    https://almde50tons.wordpress.com

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  16. Eu estou bem curiosa com esse livro, eu gosto muito de livros de contos e achei a premissa dos contos desse livro bem interessantes. Adorei ver que é uma obra nacional, temos autores maravilhosos e vê-los ganhando espaço é muito bom.

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  17. Gostei demais da sua resenha, eu ainda não me motivei a conhecer a escrita do autor seja porque a escrita está voltada mais para o Rio de Janeiro, seja por se tratar de contos que não é um gênero de curto. Mas, quem sabe mais pra frente eu me anime a conhecer a escrita do autor.

    Bjo
    Tânia Bueno

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  18. Olá Mayara, eu não conhecia esse autor e nem seu livro, mas pelos seus comentários os contos parecem bem trabalhados mostrando diversas situações para nos fazer refletir *-* Dica anotada, espero ter a chance de lê-lo em breve.

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  19. Hey. Juro que eu pensava que esse livro era de algum autor internacional, acho que o nome e a capa me fizeram confundir com outro.
    O legal desses contos sobre cotidianos brasileiro é porque nos apresenta, geralmente, uma história diferente da nossa realidade. Assim a nossa mente abre em relação aos outros, suas realidades, dificuldades etc, além de entender mais um pouco sobre outras culturas que existem no br. :)

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