[RESENHA #575] O RETRATO DE DORIAN GRAY - OSCAR WILDE - Saga Literária

Breaking

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

[RESENHA #575] O RETRATO DE DORIAN GRAY - OSCAR WILDE

Título: O Retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Tradução: Alexandre Barbosa de Souza
Editora: ViaLeitura [Edipro]
Páginas: 224
Ano: 2018
ISBN: 9788567097572
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse:
Único romance escrito por Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray foi publicado em 1890 na revista Lippincott’s Monthly Magazine. Na ocasião, sem avisar o autor, os editores optaram por suprimir mais de quinhentas palavras do romance, por considerá-lo indecente. Esse ato revoltou Wilde, que republicaria o texto em livro no ano seguinte, revisado e ampliado – esta é a versão que trazemos nesta edição. Dorian é um homem que se encanta com a visão de mundo hedonista do aristocrata Henry Wotton, que considera que a beleza e a satisfação sexual são as únicas coisas que importam na vida. Ele deseja então vender sua alma para que apenas um retrato seu pintado a óleo envelheça e desapareça, mantendo sua juventude eternamente. Como Fausto, Dorian tem seu desejo atendido e parte para uma vida libertina e amoral. A obsessão estética e a vida de aparências são temas centrais de O retrato de Dorian Gray. Ao retratar uma questão humana que persiste por séculos, Wilde criou uma obra-prima da literatura que merece seu lugar entre os maiores clássicos da história.

Resenha: Quando lorde Henry Wotton visitava seu amigo e artista, Basil Hallward, ficou admirado com seu último trabalho, um retrato de corpo inteiro de um jovem de beleza extraordinária. Intrigado, Wotton, não descansou enquanto seu amigo Basil não concordasse em apresentá-lo ao tal rapaz. Mesmo a contragosto, pois sabia da personalidade diferenciada do lorde e temia que o amigo tomasse para si toda a atenção do rapaz que, até então, era toda dele, o pintor acabou concordando e numa tarde todos se reuniram em seu ateliê. 

Dorian Gray era o nome do tal rapaz que serviu de modelo para Basil e que ele tinha tanto receio de apresentar ao seu amigo, lorde. Reforçando seus temores, Gray ficou encantando com Wotton, especialmente com seu modo de ver a vida e suas opiniões geralmente ácidas e diretas. Dessa forma, lorde Wotton e Gray começavam ali uma amizade que influenciaria bastante a forma com que o jovem rapaz encararia a vida dali em diante.
Lorde Wotton começou a introduzir o jovem Gray em seu encontros com amigos da alta roda com que se relacionava e como era de se esperar, Dorian fez muito sucesso entre eles. Mas o que realmente prendia a atenção do rapaz era seu novo e sagaz amigo. Gray não perdia mais nenhuma oportunidade de ficar perto do novo amigo e com isso ia aprendendo e absorvendo a visão diferenciada que o lorde tinha.

Mas as coisas também estavam acontecendo para Dorian Gray. Em um belo dia, em um encontro com os amigos, Gray informou que estava perdidamente apaixonado por uma atriz de baixo escalão que estava jogada em uma companhia de teatro de quinta categoria. Porém, Dorian jurava que ela era uma pérola entre os porcos, que tinha uma interpretação magnifica, que todos tinham que vê-la atuando, pois ele estava além de apaixonado, resoluto que iria desposar aquela linda e talentosa atriz.

"(...) toda experiência tem seu valor, e, diga-se o que se disser contra o casamento, certamente é uma experiência. Espero que Dorian Gray faça dessa menina sua esposa, que ele a adore apaixonadamente por seis meses e depois, subitamente, fique fascinado por outra pessoa. Seria um estudo maravilhoso." p.75.

Obviamente que lorde Wotton foi contra, mas concordou em conhecer tal bela e talentosa atriz. Nesse interim, Basil pediu para que Dorian posasse mais uma vez para ele, pois tinha a certeza de que poderia fazer um trabalho ainda melhor. Sua inspiração foi tamanha que ao terminar, chegou a espantar o jovem rapaz tamanha beleza de sua obra. A princípio, Dorian, não gostou, pois ficou enciumado com o quadro poder guardar toda sua beleza intocada pelo tempo, enquanto ele, o original, não teria essa mesma sorte. Logo, suas feições jovens seriam afetadas pelo implacável tempo e sua pele se enrugaria, perderia a inocência da tenra idade e, logo, todos perderiam o interesse nele. 
Quisera ele que as coisas fossem ao contrário, onde a pintura carregasse todo o fardo do tempo e ele se mantivesse da mesma forma sempre, intocável. Esse era o desejo de Dorian Gray, que acabou aceitando aquele quadro belíssimo como presente de seu criador e amigo, Basil. Mal sabia ele que seu desejo seria plenamente aceito e que descobriria da pior forma possível: uma morte.

"Era uma paródia suja, alguma sátira infame, ignóbil. Ele jamais fizera aquilo. Ainda assim, era o seu quadro. Ele sabia e sentiu como se seu sangue tivesse se transformado, de um momento para o outro, de fogo em gelo imóvel." p. 152. 

Opinião: Uma das literaturas mais ácidas da era vitoriana, O Retrato de Dorian Gray, único romance publicado de Oscar Wilde, também pode ser classificado com um exemplo da literatura gótica e foi, e ainda é, um estrondoso tapa na cara da aristocracia com suas hipocrisias e falsos moralismos. Curiosamente, o personagem mais crítico de todos na história é Lorde Wotton com sua visão diferenciada da vida e da sociedade, que traz em tons hedonistas suas opiniões que ressaltam a beleza e o prazer como principal direcionamento de vida, pelo menos a que vale a pena ser vivida.

Talvez, Lorde Wotton, seja o alter ego de Wilde, por onde ele expressa livremente todos seus sentimentos de uma forma direta e altamente crítica. Não faltam parágrafos onde o Lorde destila sua visão da vida e alfineta toda uma sociedade e suas regras sufocantes. Não tem como o leitor ficar indiferente com esse personagem tão cheio de respostas e objetivos tão diretos e resolutos que muitas vezes acabam até nos desconcertando, tamanho grau de veracidade e atualidade de sua visão.
Por outro lado, temos o personagem principal, Dorian Gray, que exprime toda a beleza da juventude e sua inexperiência de vida. Dorian se apaixona pela visão de Wotton e a partir dessa premissa, traça seu destino de uma forma muito peculiar. O narcisismo de Gray quando jovem, é aquele natural que atinge a todos numa certa idade de nossas vidas, porém é o sustento desse narcisismo como motriz de sua vida é que traz todos os infortúnios para a alma de Dorian. Ora, em uma sociedade que vive de aparências e regras estapafúrdias, quem em sã consciência não aceitaria um acordo como o vivido pelo personagem?

Saber que sua aparência não seria afetada por suas escolhas, sejam elas certas ou não, e que o tempo nada lhe significaria, por si só, já seria uma oferta tentadora demais para qualquer mortal conseguir se desvencilhar. E é nesse contexto que Wilde nos apresenta o horror do poder sem consequências. Ele nos mostra até onde alguém poderia chegar quando suas ações têm consequências apenas para os outros e não para si mesmo.
Wilde é brilhante em nos mostrar as fases de seu personagem, Gray, que começa como um jovem extremamente belo e puro, com suas dúvidas e incertezas, sonhos e desejos, cheio de amigos que se encantam com sua pureza característica dos jovens e termina externamente imaculado, mas diabolicamente execrável em seu interior. É também muito interessante ver a progressão de seus personagens ao longo da história, onde alguns se mantêm presos às regras impostas naquela sociedade e se acomodam no limiar de suas vidas insossas, e outros que ousam a cada dia mais, na tentativa de se sentirem livres utilizando-se das falhas ocultas nas referidas regras da época, mas que no fundo ainda têm seu grilhão na corrente da dita sociedade.

Nesse ponto, Wilde demonstra que Dorian Gray foi o único personagem que sempre foi livre de toda e qualquer imposição de sua época e que escolheu viver sem regras e sem se importar com nada além de si mesmo e seus prazeres. A deterioração da índole do personagem é uma das coisas mais impressionantes em toda a história de Gray, que não se incomoda em frequentar antros de uso de ópio, prostíbulos, influenciar pessoas e até induzir suicídios por seus atos cruéis e insensíveis ao próximo.
Mas ainda assim, Wilde demonstrou que mesmo na liberdade de escolha sem consequências, um dia, mesmo que demore, a cobrança é feita, fazendo com que o leitor perceba que tudo é como uma ilusão onde o herói ou o vilão somos nós mesmos. Talvez a principal mensagem de toda a história de Dorian Gray, seja a que por mais que você ache que está seguro atrás de seus estratagemas de proteção, não quer dizer que esteja imune as reações de suas próprias ações, ou seja, a invencibilidade é apenas temporária, uma ilusão com começo meio e fim e nesse mesmo fim, todos devemos pagar por nossos atos.

O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, publicado pela editora Edipro, é um presente que deve ser lido, relido, apreciado e estudado hoje e sempre na qualidade de um clássico universal, espetacular e que consegue ser incrivelmente atual e absolutamente IMPERDÍVEL.
Sobre a edição: Mais uma vez, a editora Edipro, através do selo Via Leitura, nos apresenta uma edição enxuta, bonita e muito bem acabada. O Retrato de Dorian Gray vem no formato brochura, com uma capa muito bacana e bem interpretada quanto à história em si. A edição vem com fonte agradável, papel amarelado e no formato 21x14. Realmente, um trabalho muito bacana da editora para esse ótimo clássico. Realmente, vale à pena.
Sobre o autor: Oscar Wilde (1854-1900) nasceu na Irlanda em 1854. Ao longo de sua carreira como escritor, produziu poemas, contos, ensaios e um único romance: O retrato de Dorian Gray. As peças teatrais alçaram-no ao sucesso na última década do século XIX. O êxito literário também lhe rendeu uma situação financeira abastada, que lhe proporcionou, consequentemente, uma vida desregrada e extravagante. Em maio de 1895, acabou condenado a dois anos de trabalhos forçados por cometer sodomia – a homossexualidade era considerada crime na época. A prisão foi sua ruína. Em 1897, mudou-se para Paris e passou a usar o pseudônimo Sebastian Melmoth. Morreu em 1900, de meningite – agravada pelo alcoolismo e pela sífilis.

26 comentários:

  1. Olá, tudo bem? Ainda não tive a oportunidade de ler essa obra, mas parece ser incrível, principalmente por toda essa crítica inclusa no pacote. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Larissa, é um clássico que gosto demais. Arrisque-se. Muito obrigado pelas palavras. Beijos e volte sempre.

      Excluir
  2. Oi, Yvens! Acredita que ainda não li esse livro? Gostei muito da sua resenha, fiquei com vontade de reparar esse erro e ler esse autor pra lá de peculiar.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lucy, quem fez a resenha não foi o Yvens..kkkk... Fui eu... mas mesmo assim, muito obrigado pelas palavras. Leia, pois é um espetáculo. Beijos e volte mais vezes.

      Excluir
  3. Olá
    Infelizmente, a resenha não me instigou a leitura não conhecia o autor.
    Vou passar a leitura dessa vez, mas ressalto que a resenha está muito bem escrita e desenvolvida.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado assim mesmo. Volte mais vezes. Abraços.

      Excluir
  4. Não tem como não conhecer esta obra. Me faz muitos anos na época de escola ainda. Em relação a editora que publicou esta versão, eu não li nada dela ainda.
    Bjs Rose

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rose, a Edipro é cheia de clássicos. Se você gosta, vale a pena dar uma olhada. Já resenhei vários livros deles. Esse, então, me é muito caro. Muito obrigado e volte mais vezes. Beijos.

      Excluir
  5. Olá!
    Esta edição pela Edipro está linda! Não sabia muito sobre este livro e as criticas e mensagens que ele traz até nos dias de hoje. Espero poder ler em breve também

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Jaque, manda bala....kkkkk. Vai gostar, tenho certeza. Beijos e volte sempre.

      Excluir
  6. Olá!
    Já vi vários comentários sobre a obra e me parece ser uma leitura bem interessante. Ver as nuances de Dorian, o que o motivava a ser a frente de seu tempo.
    Para os fãs de um bom clássico é sem dúvidas uma dica e tanto.
    Beijos!

    Camila de Moraes

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Camila, Camila!! Arrisque-se, vai que gosta. Beijos e volte mais vezes.

      Excluir
  7. Oi Jeffa, tudo bem?
    Apesar de muitos considerarem a obra como imperdível, pela crítica que ela apresenta, o estilo de vida ressaltado na história me incomoda, não me sentiria bem lendo. Mas sua resenha ficou muito bem argumentada, parabéns.
    beijinhos.
    cila.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cila, muito obrigado pelas palavras. Beijos e volte sempre.

      Excluir
  8. É vergonhoso, mas eu nunca li nada do autor!
    Esse livro está na minha lista há tempos e adorei a sua resenha, essa edição parece estar encantadora. Gostei bastante de poder conhecer um pouco mais sobre a obra e espero não demorar muito para comprar e matar a minha curiosidade com a leitura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Beatriz, nunca é tarde, fia. Mas não deixe de ler essa "belezura" que vale cada centavinho investido. Beijos e muito obrigado pelas palavras. Volte sempre. tá?!

      Excluir
  9. Olá, eu comprei esse livro numa edição da Folha há alguns meses, mas achei essa que foi resenhada tão mais bonita. É um clássico que quero muito ler. Gostei muito de conferir suas considerações sobre a obra, achei super interessante as reflexões sobre a sociedade da época, além da relação do personagem com o quadro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mari, sem palavras. Muito obrigado e leia sim, pois sei que vai adorar. Beijos.

      Excluir
  10. Que pena que meus amigos que leram sua resenha não deixaram suas impressões. Estão falando super bem lá no grupo. E eu, como sempre, fico boquiaberta com sua interpretação e perfeita colocação da análise da obra. Meus parabéns, meu amigo. Me abriu ainda mais os olhos para certos detalhes desse livro maravilhoso. Nosso debate lá no grupo foi enriquecido.
    Grande beijo e sucesso sempre

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carol, minha amiga. Fico imensamente feliz que tenha gostado e mais ainda por saber que de alguma forma lhe ajudei e seus amigos na interpretação desse clássico maravilhoso. Agradeço muito mesmo. Beijos e volte sempre que puder.

      Excluir
  11. Oi, Jeffa.
    Li esse livro ainda jovem e adorei. São tantas as metáforas e lições nessa história, que agora fiquei com vontade de reler para ver se hoje em dia eu perceberia mais coisas do que naquela época!
    Achei essa edição linda! Se não achar o meu livro aqui na estante, vou procurar por ela!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Camila, muito obrigado. Essa foi minha segunda leitura, pois assim como você, o li quando era muito jovem. Nessa nova empreitada, foi muito mais interessante e prazerosa. Releia sim que vai ser bem bacana. Beijos e muito obrigado. Volte sempre que puder.

      Excluir
  12. Oie!
    Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas acredito que vou achar a história muito interessante. Já conheço um pouco da história, mas mesmo assim quero saber mais detalhes.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carla, vai fundo, minha filha...kkkkk!! Leia sim, pois é uma história fantástica. Beijos e volte sempre.

      Excluir
  13. Ola!!

    Um livro se torna um classico por um motivo e lendo a sua resenha a gente pode observar o porque essa obra o é! Tenho muita curiosidade de ler esse livro, mas infelizmente tenho um problema com classicos que nao sei como, mas pretendo corrigir em breve haha

    beijos
    http://www.livrosetalgroup.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  14. May e Ana, não qual das duas kkkkkk, corrija sim, pois perde histórias maravilhosas e que nos arrebatam para o resto da vida. Leiam, arrisquem-se, pois sei que vão gostar e muito. Além de abrir um novo caminho a se trilhar no grande mundo das histórias. Beijos e muito obrigado pelas palavras. Voltem sempre.

    ResponderExcluir