[RESENHA #591] UM ACORDO E NADA MAIS - MARY BALOGH - Saga Literária

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27 de dezembro de 2018

[RESENHA #591] UM ACORDO E NADA MAIS - MARY BALOGH


Titulo: Um acordo e nada mais (O clube dos sobreviventes #2)
Autora: Mary Balogh
Tradução: Livia Almeida
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2018
ISBN: 9788580418798

Onde comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.

Resenha: Sophia Fry sempre se viu como ''a ratinha''. Com um duro início de vida, acabou passando de tutor a tutor até que se viu com uma tia que estava muito mais interessada em mantê-la no escuro e cuidar para que sua filha se casasse com um lord muito rico. Apesar dessa posição baixa, Sophia não podia deixar de ajudar o pobre Lorde Darleigh, e bonito rico visconde que ficara cego no campo de batalha e parecia encaminhar-se para ser fisgado pela sua prima.

"Era cedo demais para ter certeza. Ela aprenderia a gostar dele? Seria ele digno de ser amado? Achava que sim. Era cedo demais para saber se ela concordava com ele. Era cedo demais para pensar no futuro de longo prazo que ele oferecera de forma tão impulsiva. Sempre era cedo demais. O futuro tinha o hábito de nunca ser como o esperado ou planejado. Mas o futuro cuidaria de si mesmo." p. 89

Após o episódio, sua tia a expulsa de casa. Sem nenhuma perspetiva do que fazer, Sophia não viu alternativa senão aceitar a generosa oferta de Vincent: casamento pela libertação dos dois. Ele, da família que o queria casado com qualquer uma de bom nascimento que ''compreendesse'' sua situação, ela, da miséria. Sophia se convence de que ele fizera isso por piedade de sua situação e que ela tinha muito mais a ganhar nesse acordo, mas com a convivência os dois irão perceber que suas personalidades combinam muito mais do que jamais poderiam imaginar.

"Agora era sua esposa. Ela o conhecia intimamente - muito intimamente. Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente [...]" p. 174.
Opinião: Um acordo e nada mais é o segundo livro d'O Clube dos Sobreviventes. Infelizmente ainda não li o primeiro, mas a experiência de leitura não é estragada de forma alguma por isso. Para quem não conhece, esse clube é composto por várias vítimas da guerra, indo de alguém que perde membros até quem viu o marido ser torturado e morto pelos inimigos. Ou seja, pessoas com feridas físicas e psicológicas que encontraram-se para se ajudar uma vez que eles conseguem compreender-se. Os personagens principais de ''Um proposta e nada mais'' retornam nessa narrativa para amarrar as pontas do enredo e dar alegria à trama, junto com os outros participantes do Clube. A dinâmica do grupo é muito gostosa de ler e alia-se ao casal principal de tal forma que nada parece forçado. 

Eu sempre me perguntei como seria um romance de época sem a questão da beleza para fortalecer os interesses do par. Finalmente aqui posso ver uma ótima construção de como nem sempre as aparências importam de verdade, mas sim a necessidade de cada um e possibilidade do outro de dar o que você precisa, sem perder a si mesmo no meio do caminho. Sophia sempre esteve nos bastidores, mal falando até consigo mesma, mas ganha confiança à medida que se vê totalmente vital na vida do marido. Vincent se viu dependente de tudo e de todos após seu o acidente, sempre beirando à depressão, até que Sophia começa a dar-lhe a liberdade. As personalidades deles separadas são maravilhosas. Eles têm cenas um sem o outro e continuam carismáticos. Eu poderia ler um livro apenas sobre a história deles e ainda assim seria ótimo. É meio como Callie e Gabriel de Nove regras a ignorar antes de se apaixonar - são incríveis juntos, mas separados arrasam também. 

Os dois se encaixam perfeitamente sem precisar das inúmeras passagens de outros livros (que eu gosto, não me entendam mal) em que ficamos apenas admirando a incrível beleza da mocinha ou mocinho. Aqui o amor é construído a partir da noção do quão incrível é ter liberdade e ao mesmo tempo ter alguém que não se pode viver sem. Vincent é cego, então tudo que ele vê são os esforços de Sophia para devolver suas possibilidades de vida. Sophia não poderia encantá-lo pela visão, então tudo que Vincent faz por ela é por genuíno e vive com ela é por realmente apreciar sua companhia. E aos poucos eles vão percebendo que tudo o que realmente queriam na vida e está no outro. 

O mistério sobre a família de Sophia e como se deu o acidente de Vincent vai sendo mantido até um pouco antes do final do livro. É instigante, mas não é realmente a melhor parte do livro. De verdade, aqui a construção do amor do casal é o mais importante e não fica chato, além de claro, as cenas onde Sophia é apresentada e convive com os amigos e família de Vincent. Esse foi meu primeiro livro de Mary Balogh, mas assim que o terminei já estava com meu carrinho de compras cheíssimo de outros títulos. Estou completamente apaixonada.

Sobre a edição: Mantém a qualidade da primeira, com a capa no mesmo estilo, dessa vez num lindo vermelho bordô, diagramação delicada remetendo à epoca, folhas amareladas e ótima revisão. Lembro de ter visto um ou dois erros de digitação, nada mais. 
Sobre o autor: Mary Balogh nasceu e foi criada no País de Gales. Ainda jovem, mudou-se para o Canadá, onde planejava passar dois anos trabalhando como professora. Porém ela se apaixonou, casou e criou raízes definitivas do outro lado do Atlântico. Sempre sonhou ser escritora e tinha certeza de que, no dia em que escrevesse um livro, ele seria ambientado na Inglaterra do Período da Regência. Quando sua filha mais nova tinha 6 anos, Mary finalmente encontrou tempo para se dedicar ao antigo sonho. Depois de três meses, a primeira versão de sua obra de estreia estava pronta. Publicada em 1985, deu a Mary o prêmio da Romantic Times de autora revelação na categoria Período da Regência. Em 1988, ela passou a se dedicar apenas aos livros. Hoje é presença constante na lista de mais vendidos do The New York Times e vencedora de diversos prêmios literários. Sua série Os Bedwyns foi publicada no Brasil pela Arqueiro e já vendeu 100 mil exemplares.

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