[RESENHA #616] A GUERRA: A ASCENSÃO DO PCC E O MUNDO DO CRIME NO BRASIL - Saga Literária

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26 de fevereiro de 2019

[RESENHA #616] A GUERRA: A ASCENSÃO DO PCC E O MUNDO DO CRIME NO BRASIL


Título: A Guerra - A Ascensão do Pcc e O Mundo do Crime no Brasil
Autores: Bruno Paes & Camila Dias
Editora: Todavia
Páginas: 344
Acabamento: Brochura
Ano: 2018
ISBN: 9788588808034
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Uma reportagem de alta temperatura, que comprova a falência da segurança pública no Brasil. Os autores entrevistaram diversos integrantes do PCC e revelam as entranhas das organizações criminosas. Este livro é uma reportagem capaz de fixar a fisionomia do crime no Brasil. Os autores obtiveram relatos inéditos de integrantes das facções e contam essa história sob um ângulo inédito e revelador. Geridas de dentro dos presídios, as facções criminosas se profissionalizaram. Quem assumiu a dianteira desse processo foi o PCC, responsável por um grau inédito de organização nos presídios brasileiros. Criada em 1993, meses após o Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela polícia, a facção passou a ditar as regras do crime nos presídios de São Paulo, impôs sua influência sobre outros estados e agora se internacionaliza a uma velocidade vertiginosa. Nunca essa realidade foi retratada com tintas tão fortes. 

Resenha: Escrito por Bruno Paes e Camila Dias, A Guerra foi publicado em 2018 pela Todavia e os autores nos levam a conhecer o submundo do crime e seu funcionamento. Nos demonstram quais são as principais organizações criminosas, como elas atuam, como elas se organizam e administram os seus respectivos impérios que possuem como foco e atuação no campo do tráfico de drogas. O livro começa de fato com relatos de Carlos (nome ficcional), o líder da facção criminosa Comando Vermelho do estado do Mato Grosso, local onde ele está preso.

"Na sala reservada de uma penintenciária de Mato Grosso do Sul, depois de muita insistência e tratavias com as autoridades locais, um preso aceita conceder entrevista para uma pesquisa. Ele é apresentado por um agente penitenciário, desconfortável com a quebra da sua rotina de trabalho [...]" p. 7

Após ser brutalmente agredido por cerca de vinte integrantes do PCC, Carlos decide levar ao conhecimento da imprensa e do público o que ele precisou enfrentar no presídio, mas ele mal sabe que as duas maiores facções criminosas do país (PCC x CV) acabaram de entrar em guerra e o principal motivo foi o desejo do PCC ter a hegemonia do tráfico, bem como dominar as outras facções criminosas nacionais. No dia 16 de Outubro de 2016, na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo em Roraima, foi onde ocorreu o primeiro de muitos conflitos entre essas facções, conflito que colocou o Brasil em destaque nos noticiários mundo afora, pois essa e as seguintes rebeliões estiveram entre as maiores da história, devido os inúmeros e brutais conflitos.

"Os ânimos mudaram com os cadávares acumulados das semanas anteriores. O salve do PCC era claro: não seria permitida a convivência dos irmãos com os membros dos grupos rivais. A decisão marcaria de vez o fim da guerra fria entre as gangues." p. 33

Os autores no decorrer da leitura demonstram como é feita a organização e convívio nos presídios, deixando bem claro que são os próprios presos que regulam os espaços, incluindo o controle de pátio para banho de sol, celas e oficinas. Além disso, qualquer outro lugar localizado entre os muros dos presídios é controlado pela facção dominante.  As facções praticamente controlam tudo, fazendo o papel de administradores, com isso as autoridades estaduais terceirizam de forma indireta o controle delas, economizando com funcionários.

Querendo aumentar ainda mais o poder e influência, o PCC encerrou os conflitos contra o CV e decidiu abranger a sua área atuação para o Paraguai. Para realizar a sua expansão enviou importantes figuras da organização administrativa para analisar a região e relatórios bem convincentes foram apresentados, não havia oportunidade melhor para expansão do que a apresentada naquele momento. Como sempre o PCC não conseguia dominar por meio da sua idelogia e precisou utilizar da força bruta e entrar em guerra com um grande barão local, Rafat. A resistência durou um certo tempo, mesmo com suas riquezas, Rafat não foi capaz de manter-se no poder durante muito tempo, pois ele precisou enfrentar uma organização meticulosa e inescrupulosa.
Opinião: A Guerra é um livro repleto de detalhes e informações, os autores nos apresentam o quão complexo são as organizações criminosas no Brasil, em especial o PCC. Bruno e Camila demonstram o que ocorre no submundo do crime, demonstram a realidade dos presídios e a alta taxa de criminalidade nas cidades de fronteiras, cidades essas que apresentam importantes rotas para entrada e saída de drogas, algo essencial para o controle do tráfico de drogas. Eles também deixam claro que muitas vezes o estado age com descaso em relação ao funcionamento dos presídios e ao trato com os presidiários. Os presídios normalmente super lotados e que apresentam condições extremamente precárias, facilitando fugas e até mesmo guerras entre facções rivais. Outro aspecto interessante é entender o funcionamento do PCC, facção foco do livro. Em suma, A Guerra é um livro extremamente interessante, pois permite ao leigo conhecer um pouco de como é o mundo do crime e como é extremamente perigoso.
Sobre a Edição: Essa é uma edição em brochura, conta com ótima revisão, folhas amareladas, bom espaçamento e fonte confortável. A imagem na capa tem tudo a ver com o conteúdo do livro. Fica claro que a Todavia caprichou na edição e merece os parabéns por isso.

9 comentários:

  1. Tudo bem? O livro me parece bem interessante, com uma premissa curiosa. Não é o que estou buscando agora, mas sem dúvidas, fiquei interessada em ler mais para frente.

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  2. Oi, ainda não conhecia esse livro mas achei muito interessante termos uma obra que foca nessa organização criminosa do país que volta e meia é destaque nos noticiários. Com certeza é uma leitura bem informativa. Ótima resenha.

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  3. Olá!

    Um livro que conta mais a respeito das facções mais famosas do Brasil??? Fiquei chocada!
    Ainda mais por ser contada por uma pessoa que presenciou tudo isso, imagino que tenha sido algo bem louco dentro da cadeia quando a guerra entre as duas facções foi declarada!

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  4. Oi, Yvens.
    Adoro esse tipo de livro reportagem e com certeza é um assunto que me interessa, principalmente por questões profissionais. Vou anotar a sua dica e ver se encontro um exemplar. Não é algo que eu leria para resenhar no blog, mas com certeza me interessa bastante!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  5. Oi!
    Não é o tipo de leitura que gosto, mas lendo sua resenha me deu uma curiosidade de saber como o Pcc atua nos presídios, parabéns pela resenha, obrigado pela dica. Bjs!

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  6. Oi! Tudo bom? Apesar de curtir sua resenha, esse tipo de leitura não faz muito meu tipo. Mas gostei de saber sobre a obra, e se eu souber de alguém que gosta desse tipo de tema com certeza vou indicar.
    beijos

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  7. Estou muito interessada em ler esse livro. É como um submundo em nosso país, uma organização estruturada que não conhecemos. Como você disse, é uma leitura que nos faz entender o quão complexas e perigosas as organizações criminosas realmente são.
    Quero ler e entender mais.
    Obrigada pela indicação e pela resenha.
    Beijos

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  8. Olá!
    Achei interessante a proposta do livro, mas não curto muito leituras políticas, apesar de gostar de algumas partes da História do Brasil. Acho que é o tipo de enredo que daria uma boa série.
    Gostei das suas considerações!
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  9. Olá!

    Nossa, Confesso que não conhecia esse livro, mas achei muito interessante a sua premissa. Sempre tive uma curiosidade sobre esse assunto, por isso me interessei demais!

    Anotei a sua dica e vou procurar mais sobre ele por Ai

    Beijos

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