[RESENHA #623] O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA - ANGIE THOMAS - Saga Literária

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19 de março de 2019

[RESENHA #623] O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA - ANGIE THOMAS

Título: O Ódio Que Você Semeia
Autora: Angie Thomas
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Galera
Páginas: 378
Acabamento: Brochura
Ano: 2018
ISBN: 9788501116130
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: 84 semanas na lista dos mais vendidos do The New Times. Durante o dia, Starr estuda numa escola cara, com colegas brancos e ricos. No fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia. Ainda muito nova, Starr aprendeu com os pais como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas, Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho. 

Resenha: Para escrever "O ódio que você semeia", a autora Angie Thomas teve como fonte de motivação o assassinato de Oscar Grant, um jovem negro de 22 anos que em 2009 teve a sua breve vida interrompida. Grant foi morto a tiros pelo policial Johannes Mehserle, em Oakland, Califórnia. Desde então, diversas outras pessoas negras foram mortas pela polícia e dessas mortes surgiu o movimento #BlackLivesMatter (Vidas negras importam). Partindo dessa premissa, a autora nos apresenta Starr Carter, uma jovem negra de dezesseis anos que mora em um bairro de negros nos Estados Unidos.

Desde nova Starr aprende algumas regras que seus pais lhe ensinaram sobre como se comportar durante as operações e rondas policiais, pois os negros sofrem constantemente com a violência e brutalidade deles. Contudo, uma certa noite Starr está retornando de uma festa na companhia de seu amigos Khalil e eles são abordados pela polícia local, mas Khalil não segue nenhuma das regras que Starr aprendeu. Os policiais abordam os jovens de forma despropositada e violenta e para a infelicidade de Starr, o seu amigo Khalil é assassinado.

Esse assassinato não é a primeira brutalidade cometida pela força policial que ela presencia, pois quando era bem nova, viu sua amiga Natasha ser baleada. Após esse incidente os seus pais transferem ela e seus irmãos de escola, para um bairro que é mais seguro. O problema é que eles passam a viver em mundos tão opostos, algo que constrasta com a realidade do bairro em que vivem. Com dois amigos vitimados, Starr tenta criar forças e coragem para lutar contra a injustiça que presenciou contra o seu amigo e movimentar toda uma comunidade em prol dos negros que vivem momentos de insegurança e medo.
Opinião: O ódio que você semeia tem como ponto central a violência praticada pelos policias contra os negros. Esse é um tema de profundo debate, é um assunto sério na sociedade americana, tendo em vista os crimes que vem ocorrendo ao longo das últimas décadas por lá, servindo de base para livros e filmes diversos. Apesar do "ativismo" da autora, ela não coloca o tema acima da própria história e isso é bom, pois ela poderia perder o rumo, mas nem por isso ela deixa de colocar o dedo na ferida e falar de diversos temas e assuntos que carecem de atenção.

Ainda sobre a conduta de muitos policiais, é claro que tal conduta violenta não pode ser generalizada, fica claro que ainda há na sociedade norte-americana um racismo ainda enraizado, um fantasma que sempre volta para atormentar muitos. A narrativa elaborada pela autora é tocante e envolvente e ocorre na primeira pessoa, sob a perspectiva da protagonista Starr Carter. O início da leitura é um pouco lento, mas isso logo se transforma e ficamos completamente envolvidos. Aos poucos a narrativa apresenta um ritmo frenético e fica praticamente impossível de largar o livro.

Sobre os personagens, fica claro a capacidade da autora em construir personagens com profundidade. Starr é uma garota que cativa e apesar de todas as dificuldades ela se mantém tranquila e demonstra a capacidade de ser meiga. Ela demonstra toda a preocupação e amor por sua família, mas também apresenta as diversas preocupações que aparecem na vida de uma adolescente. Starr aos poucos vai desenvolvendo uma consciência política e racial por tudo que vivenciou, vai aprendendo com a vida e tudo isso serve para enriquecer ainda mais esse belo livro. Chris é outro personagem que merece destaque, ele é o namorado de Starr, é uma pessoa branca e que mora em um condomínio de luxo e jamais foi ao bairro onde Starr mora, dessa forma ele não conhece de perto os problemas que cercam a vida da garota. Porém, ele é uma pessoa carinhosa e completamente apaixonado por Starr.

O desfecho está de acordo com o que foi apresentado pela autora, me deixando com o coração apertado e um tanto emocionada. Angie Thomas nos faz refletir sobre o preconceito que os negros enfrentam há séculos, mas principalmente o preconceito e injustiça que precisam enfrentar em seu país natal (Estados Unidos), além é claro da violência sofrida que em algum momento surge na vida de muitos. Esse é um livro que merece ser lido, eu simplesmente amei. Fica a dica!
Sobre a Edição: Essa edição é bonita, a capa é do filme. O livro conta com uma lombada vermelha e título na cor preta, isso chama atenção. As folhas são amareladas, não encontrei erros de revisão.
Sobre a Autora: Angie Thomas nasceu e foi criada em Jackson, no Mississippi, o que se percebe pelo seu sotaque. Quando adolescente, era rapper e sua maior conquista foi ter escrito um artigo sobre si mesma na Revista Right On! (com foto). É bacharel em escrita criativa pela Belhaven University e possui um diploma não oficial em Hip Hop. Ela ainda sabe fazer rap, se for preciso. Seu livro de estreia, O Ódio Que Você Semeia (The Hate U Give), foi o primeiro a vencer o Walter Dean Meyers Grant, em 2015, na categoria We Need Diverse Books.

5 comentários:

  1. Eu acho a temática desse livro bem atual e forte. Deve ser tão difícil para a personagem ser criada dessa forma justamente por ser negra, e é uma tristeza saber que as coisas realmente são assim na vida real.
    Apesar de eu não ter vontade de ler o livro, eu espero que Starr tenha encontrado conforto em seu coração por presenciar essas tragédias horríveis.

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  2. Este é um livro que preciso ler urgentemente!

    Apesar de tratar da realidade dos Estados Unidos poderia muito bem se passar aqui no Brasil, o que é terrível. A verdade é que o racismo, o preconceito e a violência estão presentes no mundo inteiro, em maior ou menor grau e precisam ser combatidos. Não é aceitável que alguém morra só por conta da cor da pele, ou do gênero ou da classe social. É por isso que muitas pessoas lutam todos os dias e livros assim são extremamente importantes.

    Sei que é uma história que vai mexer muito comigo. Espero conseguir ler em breve!

    Bjs!

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  3. Li este livro ano passado com o objetivo de conhecer a história antes de ver o filme. Adorei o livro e me senti muito impactada pela mensagem que ele traz, mas depois, fiquei decepcionada porque não consegui ver o filme ainda.
    Beijos

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  4. Olá!
    Eu adoro esse história. Acho necessário abordar temas que perduram durante gerações, mas aqui se mostra em uma linguagem que jovens e adultos conseguem ler. É uma história reflexiva, revoltante em grande parte, mas que deveria também ser abordada como leitura em sala de aula.
    Uma leitura que emociona e que vale a pena ser lida.

    Camila de Moraes

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  5. Olá Mayara, eu tenho bastante vontade de ler esse livro, pelos seus comentários a autora conseguiu trabalha muito bem o tema e desenvolver uma boa critica sem deixar o enredo apenas nisso *-* Sem duvida pretendo lê-lo esse ano.

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