Sinopse: Numa favela do Rio de Janeiro, Serginho, um menino de apenas 12 anos, é executado com um tiro na cabeça dentro de sua própria casa por cinco homens fardados de preto. Segundo a mãe do garoto, os assassinos são policiais da tropa de elite. 

O crime está envolto em mistério. Afinal, os caveiras, integrantes do respeitado batalhão, executaram o menino? E por que teriam feito isso? 

Ivo, um jovem repórter do jornal O Carioca, começa, então, uma busca para saber a verdade por trás dessa história. E, quanto mais ele aprofunda a investigação, mais se aproxima de um terrível segredo que envolve a tropa de elite. Agora, a vida de Ivo e de sua família está em risco. 
Caveiras é um suspense policial com elementos de horror sobrenatural que mergulha na violência do Rio de Janeiro. 

Resenha: As operações da Tropa de Elite, o BOPE, batalhão de operações especiais do Rio de Janeiro, são muito comuns nas áreas carentes do estado. Os moradores sabem que quando o carro preto aparece, é bom que todos sumam, pois confrontos podem acontecer e alguém se ferir, ainda que sem essa intensão. E, aparentemente, é o que acontece com Serginho, um menino de 12 anos que foi morto durante uma dessas operações. O problema é que a mãe do menino tem outra versão sobre isso. 

“Os policiais tinham várias formas de encobrir suas cagadas: ou diziam que tinham matado a vítima em legítima defesa; ou davam um sumiço no corpo; ou afirmavam que a vítima havia sido morta por uma ‘bala perdida’.” p. 16 

O repórter, Ivo, acredita que irá fazer apenas mais uma cobertura comum do caso, anotará a declaração da PM e fará uma nota com o ocorrido. Porém, saindo da delegacia, ele encontra a mãe do garoto morto e ela afirma, em desespero, que estava em casa, que viu quando o seu filho entrou correndo em casa, assustado, e, pouco tempo depois, cinco homens do batalhão entraram no local e executaram seu filho, levando o corpo e jogando em um córrego, para parecer que havia sido uma bala perdida. 

De início, o jornalista não acredita a história da mulher, mas decide seguir o seu instinto e vai em busca de informações sobre o garoto. A cada nova descoberta, mais a versão da mulher parece ser real, especialmente quando as provas antes descobertas, começam a sumir, assim como o médico legista. 

“Mas sabia que, apesar de meu esforço, não seria capaz de mudar a realidade. A indignação da imprensa e da população, em geral, durava apenas alguns dias. Depois disso, tudo era esquecido.” p.17 

Decidido então a descobrir o que realmente aconteceu, Ivo passa a investigar o caso por conta própria. O que ele não esperaria era descobrir muito mais do que isso. Ao que tudo indica, o batalhão especial possui um segredo muito pior do que o assassinato do garoto, um que criou um caminho de sangue que o jornalista conseguiu seguir. O problema é que o BOPE também sabe dos passos de Ivo e ele, assim como sua família, corre perigo. 
Opinião: Comecei a ler “Caveiras” esperando por um suspense policial, cheio de emoções e só. Não me liguei muito na parte “sobrenatural” que foi mencionada na sinopse. Os primeiros parágrafos me prenderam logo de cara sem esse fator, me fazendo ficar grudada nas páginas para poder entender porque tudo aquilo estava acontecendo. 

A cada nova descoberta de Ivo, mais o meu receio aumentava, porque ele não fazia questão nenhuma de esconder o fato de estar investigando o batalhão do BOPE. E a gente, especialmente moradores do Rio de Janeiro, sabe que quando a mídia investiga a polícia, coisas ruins costumam acontecer de verdade. Por que no livro seria diferente? E não é mesmo. O autor consegue passar essa tensão das descobertas e ameaças a cada parte do livro, deixando a gente angustiado e com medo do que vai acontecer. 

“O ser humano era mesmo capaz de elaborar as teorias mais absurdas na tentativa de compreender aquilo que desconhecia (...).” p. 139 

E quando o sobrenatural acontece, é para completar a trama, e acontece de forma tão verossímil, que é até fácil imaginar que alguns desses batalhões do BOPE realmente podem fazer isso na realidade. Fiquei tão envolvida na trama que conseguia me arrepiar ao imaginar algumas cenas e quando terminei a leitura, foi quase como um grito de socorro, pois a tensão fica até a última palavra. 

“E os policiais são o pior tipo de inimigo que qualquer pessoa pode ter. Eles são organizados, não têm receio de matar e conseguem ter acesso fácil a todos os seus dados, inclusive endereço.” p. 162 

Sem dúvidas uma leitura que vale a pena ser feita, seja você amente do suspense policial, do sobrenatural, ou de obras nacionais. E, caso não seja, tenho certeza que o livro também é capaz de te conquistar, pois ele nos envolve a acaba se tornando uma leitura rápida e cheia de emoções. 
Sobre a Edição: O livro conta com páginas brancas e com fonte de tamanho e espaçamentos muito confortáveis. Para separar as partes do livro, uma página preta é usada, dando uma estética muito bonita a ele. Não encontrei nenhum desvio gramatical ou ortográfico, mostrando o cuidado da editora em sua revisão, tanto quanto com a parte estética. Além do mais, a capa passa bem o lado suspense sobrenatural que o livro carrega. 
Sobre o autor: Nascido no Rio de Janeiro, em 1981, Vitor Abdala é jornalista e especialista em políticas de justiça criminal e segurança pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Como repórter, desde 2004 faz coberturas sobre ações policiais no Rio de Janeiro. É membro da Horror Writers Association (HWA), sediada nos Estados Unidos, e conselheiro da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst). É autor de Tânatos: contos sobre a morte e o oculto (2016) e Macabra Mente (2016), além de organizador da antologia Narrativas do Medo (2017). Também participou de várias antologias brasileiras e internacionais.

Ficha técnica:
Título: Caveiras
Autor: Vitor Abdala
Editora: Generale
Páginas: 192
Ano: 2018
ISBN: 9788584611836
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