[RESENHA #630] A LISTA DO ÓDIO - JENNIFER BROWN

Sinopse: E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista das pessoas e das coisas que ela e Nick odiavam. A lista que ele usou para escolher seus alvos.

Agora, depois de passar o verão reclusa, se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas. A lista do ódio, de Jennifer Brown, é um romance instigante; leitura obrigatória, profunda e comovente. 

Resenha: A Lista do Ódio já começa bem por uma ação da própria editora: o nome antigo, '' A Lista Negra'' utilizava termo racista, então a Gutenberg achou que estava na hora de deixar o título do livro mais parecido com o original ''The Hate List'' e acabar com o incentivo a esse termo. Mandaram muito bem. 

A história começa no dia 2 de maio de 2008, nesse dia Nick Levil entrou no refeitório do colégio e atirou contra os alunos que lá estavam presente. Nick tinha alvos específicos, ele atirou contra pessoas que estavam na "Lista do Ódio", essa foi uma lista elaborada por ele e a sua namorada Valerie Leftman. O casal colocou na lista todas as pessoas que eles odiavam profundamente e após cometer o crime, Nick cometeu suicídio.

“Isso era apenas outra coisa que Nick tinha roubado de mim, de todos nós, naquele dia. Ele não roubou apenas a nossa inocência e sensação de bem-estar. Ele também conseguiu roubar nossas memórias.” p. 30

Já no presente, Valerie que apenas sabia da existência da lista que ajudou a criar e ela não tinha qualquer noção ou conhecimento dos planos por trás da listinha que elaborou com seu amado. Agora a jovem fica remoendo o passado, ela tenta se lembrar e pensar como não descobriu os planos de seu namorada a tempo de impedir tamanho desastre. Valeria carrega um grande fardo, tem que enfrentar os olhares acusadores das outras pessoas, precisa lidar com a culpa por tudo o que aconteceu naquele triste 2 de maio.


Opinião: Essa leitura foi minha segunda experiência com a escrita de Jennifer Brown, comecei por As Mil Palavras, lançamento do ano passado que você pode conferir minha resenha clicando aqui, mas esse é um livro escrito em 2012, logo eu li primeiro um livro com uma escrita mais amadurecida e depois um livro de 7 anos atrás. Comento isso porque é perceptível que a autora melhorou em termos de construção de narrativa e tramas, usando um pouco mais de casos reais e críveis em As Mil Palavras, mas em A Lista do Ódio ainda tem umas escorregadas.

O livro é extremamente relevante, especialmente pelo período no qual eu estive o lendo - durante uma leitura coletiva promovida por uma amiga do instagram. Enquanto líamos aconteceram os massacres da escola de Suzano e na Nova Zelândia. Claro que o primeiro terrível caso tem mais a ver com o livro. Ficamos chocadas com o timing dos eventos e pudemos discutir bastante refletindo sobre os atentados.

A construção da atmosfera da escola, o bullying, o egoísmo, a falta de percepção dos parte dos pais, familiares e professores, é bastante real. A relação entre os adolescente, os amigos e ''inimigos'' também. É compreensível que Valerie só conseguia ver Nick, o atirador, como seu querido namorado, que a confortava e compreendia. Ela passa o livro inteiro tentando entender quais são seus novos sentimentos para com ele e se deveria os ter. É confuso, é duro e cruel e isso é uma realidade. Pais, mães e namoradas (os) nunca conseguem compreender o que levou os atiradores àquilo uma vez que eles nunca demonstram e na maioria das vezes nós não estamos realmente prestando atenção naquilo. Essa parte foi muito bem construída. Meu problema é com a construção do próprio Nick e o que foi dado como motivação para o ataque: bullying.


Sobre a Autora: Jennifer Brown nasceu em Kansas, passou boa parte de sua vida no subúrbio, mas também morou em Nova Jersey, mesmo assim se considera totalmente uma garota do centro-oeste rural dos Estados Unidos. Ela diz que teve muitos amigos imaginários, o que pode ser bom, porque teve que se mudar muito e o conviver com amigos reais era difícil. Ela se formou em Psicologia e conseguiu alguns trabalhos de Recursos Humanos, mas não demorou muito para ela perceber que essa não seria sua profissão.

O que é inusitado é que Jennifer apesar de ter escrito um livro tão intenso como A Lista Negra, na verdade ela escrevia colunas de humor para um jornal. Inclusive ganhou dois Erma Bombeck Global Humor Award (2005, 2006), mas deixou de ser colunista e agora se dedica em tempo integral para os livros jovem-adulto.

Ficha técnica:
Título: A Lista do Ódio
Autora: Jennifer Brown
Tradução: Nilce Xavier
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Ano: 2019
ISBN: 9788582355725
Onde Comprar: Amazon

Postar um comentário

6 Comentários

  1. Eu gosto muito da escrita da Jennifer Brown. Concordo com a evolução na escrita da autora.
    Esse livro é muito procurado no Skoob. Tem uma boa aceitação.

    ResponderExcluir
  2. Oi!
    Ainda não conhecia esse livro e adorei também a mudança do título, em minha opinião ficou bem mais chamativo.
    A história parece ser bem pesado e ao mesmo tempo muito interessante por mostrar o lado de quem era próximo da pessoa e não percebeu. Uma pena que o personagem e motivo não foram tão bem construídos, seria muito bacana.
    E que timing assustador para essa leitura hein? hahaha

    ResponderExcluir
  3. Oi Grazi,
    Eu tinha esse livro, mas acabei passando adiante. Não achei que ia ler por causa do tema ser mais pesado. Não curto muito, mas sua resenha acendeu aquela vontade de ler novamente. Também achei bacana a editora alterar o título. Se aproxima mais do original e evita o termo racista.
    Com amor, André
    Garotos Perdidos

    ResponderExcluir
  4. Não li nada dessa escritora ainda, mas a resenha me chamou muito a atenção no estilo de narrativa que ela possui e isso aguçou demais minha curiosidade. Anotada a dica, espero estar lendo essa obra em breve.

    ResponderExcluir
  5. Eu nem vou comentar a explicação dada para a mudança de título, já imaginava que fosse por algo parecido. Que bom que o título atual "casou" com o título original.

    Já ouvi falar bastante do livro, mas não decidi ainda se irei realmente dar uma chance a ele. Acho os temas tratados muito importantes, sobretudo porque são bastante reais, coisas assim acontecem, e aconteceram este ano e no próprio Brasil, como você mesmo mencionou. Seria interessante acompanhar a recuperação dos personagens, o que passa pela cabeça da mocinha e como ela lida com a dor e a culpa que sente. Mas não pretendo lê-lo em breve, não.

    Bjs!

    ResponderExcluir
  6. Oi Grazi!

    Tudo bem? Então, eu tenho um super problema com a Brown. Ano passado li dois livros dela (Amor Amargo e Mil Palavras) e acontece que em ambas as obras fiquei bem angustiada com o fato de parecer que ela sempre estava culpando a vítima pelo que tinha acontecido. Não sei como ela aborda a questão do bullying dentro de A Lista do Ódio, porém eu desisti de ler qualquer coisa dela depois desses dois livros, mesmo assim fico feliz que tenha se surpreendido tão positivamente com a obra.

    Uma coisa muito louvável é essa questão da Gut ter trocado o nome do livro por causa de expressões racistas. Eu fiquei muito feliz com o posicionamento da editora a este respeito.

    Beijinhos

    ResponderExcluir