[RESENHA #675] ROSAS DE MAIO - DOT HUTCHISON


Sinopse:
A eletrizante sequência do sucesso O jardim das borboletas Quatro meses se passaram após a descoberta do Jardim e de suas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. O inverno está chegando ao fim, e as Borboletas esperam ansiosamente por dias mais quentes e tranquilos. Para os agentes Brandon Eddison, Victor Hanoverian e Mercedes Ramirez, no entanto, a calma não parece valer: em outra parte dos Estados Unidos, mais uma jovem surge brutalmente assassinada. Os indícios apontam para a ação de mais um serial-killer psicopata, capaz não apenas de matar a sangue frio, mas também de elaborar a cena a ser descoberta: a jovem é descoberta no altar de uma velha igreja, com a garganta cortada e o corpo rodeado de flores uma afinidade que ultrapassa as convenções sociais, as diferenças de gênero e até a morte.

Resenha: Quando sua irmã Chavi é assassinada por um serial killer, a vida de Pryia e de toda sua família é totalmente destroçada. Pryia, tenta levar uma vida como outra qualquer, mas não consegue esquecer aquilo que a atormentará por muito tempo, pois foi ela quem encontrou o corpo de sua irmã mais velha.

Vivendo com sua mãe, de uma maneira quase nômade, pois sua mãe, Deshani, tem um trabalho que a faz se mudar constantemente, Pryia tenta seguir a vida como outra qualquer, mesmo com as lembranças de sua irmã e toda a dor que isso causou. Porém, Deshani consegue uma transferência para Paris, o que de certa forma, é um alívio para Pryia, mesmo tendo assuntos inacabados, ambas resolveram que o melhor é deixar tudo para trás e recomeçar ou assim pensaram.

"O primeiro beijo que deveria ser seu, pelo qual você esperou durante todos esses anos. Mas você a respeitou, em vez de beijá-la, sabendo de toda aquela pureza. Ela era muito inocente para ser maculada por essas coisas. Sim, ela era muito pura, muito inocente." pág.08.


Os agentes do FBI, Victor Hanoverian, Brandon Eddison e Mercedes Ramirez não param, mesmo após o caso das borboletas, eles sabiam que as coisas nunca ficam calmas. Quatro meses haviam se passado desde a descoberta das garotas "borboletas" e agora outro caso volta a ter a atenção dos agentes; mais uma jovem é encontrada morta em uma igreja, com a garganta cortada e rodeada de flores. Cena que mostra a brutalidade do assassino e ao mesmo tempo seu "cuidado" em deixar a vitima bem arrumada, com suas roupas dobradas ao seu lado e também deixando seu corpo rodeado de flores.

Em outro lado dos Estados Unidos, é exatamente essa cena que Pryia tenta todos os dias esquecer. Enquanto espera o tempo de ir para Paris, ela já tem aulas pela internet em francês, o que de certa forma, traz um pouco de normalidade a sua vida. Ela também resolve voltar a fotografar e conhecer a vizinhança de onde mora. Mesmo com um tempo frio e com a neve castigando a população de Huntington, no Colorado, Pryia quer se sentir viva novamente.


Foi nessas suas andanças que encontrou os veteranos jogando xadrez no parque. Mesmo com sua pouca idade, eles perceberam que Pryia era como um deles, pessoas que sofreram, mas que de certa forma deram a volta por cima e ainda estão vivos. Não que tenham resolvidos seus problemas, mas pelo menos estão tentando viver, assim como Pryia, que é recebida como a menina do cabelo azul. 

As coisas começam a se complicar quando outro assassinato acontece, mais uma garota e mais um mistério para se resolver, pois as vítimas não tem nada em comum a não ser a idade próxima ao final da adolescência, situação em que Pryia também estava. Ninguém imaginava que Pryia pudesse estar em perigo, pois um assassino serial atacar novamente uma mesma família era muito raro, até que Pryia começou a receber flores.

"Tiro mais algumas fotos segurando o cartão na frete do buquê, depois pego as flores e as compras. Minha mãe continua achando tudo divertido, até entrarmos na cozinha e eu mostrar o cartão. Então, seu rosto endurece, escondendo todas as emoções até ela decidir o que pensar sobre isso. - Ele está aqui, então." pág.90.  

Opinião: Quando terminei a leitura de O Jardim das Borboletas [resenha aqui], fiquei muito entusiasmado sabendo que logo sua sequência seria lançada por aqui e não pensei duas vezes em parar tudo que estava lendo para me "atracar" na leitura de Rosas de Maio, quando recebi meu exemplar da editora Planeta.

Quando se fala em sequências, todos pensamos que veremos a mesma "turma" do livro anterior em uma nova aventura, suspense, comédia ou seja lá o que for que a trama apresenta. Porém, a anteriormente denominada trilogia e agora série, O Colecionador, que engloba os livros O Jardim das Borboletas, Rosas de Maio e os ainda inéditos no Brasil, The Summer Children e The Vanishing Season, se enquadra no estilo onde se mantém os mocinhos e substitui-se os bandidos, o que não deixa de ser bem bacana essa escolha de continuidade.

Nessa nova visão de acontecimentos, o leitor acompanha a via crucis de Priya e sua mãe, após a perda de um ente querido para um assassino em série, cinco anos antes. Assim como em O Jardim das Borboletas é muito gratificante que a autora nos apresente mais duas personagens extremamente sofridas e ao mesmo tempo muito fortes no desenrolar de toda a trama.


Ao longo da história também podemos ver como funciona a mente do vilão da vez e quanto doentio são seus pensamentos e ações. Aliás, a autora gosta e muito desse tipo de situação, principalmente, onde é mostrada a incrível mesquinhez que se tem com as mulheres nesse mundo. Mas diferentemente de muitos suspenses onde as mulheres além de serem vítimas de assassinos violentos, estupradores e por aí vai, onde a mesma mulher, vítima [digo novamente], e mostrada como sexo frágil, em Rosas de Maio, Hutchison, mostra que elas podem ser vítimas, mas frágeis, praticamente nunca.

Também é muito interessante ver a "humanização" dos agentes do FBI durante a trajetória de Rosas de Maio. Mostra bem como o trabalho policial é muito desgastante para o emocional de cada um deles. Viver atrás de criminosos e correndo perigos todos os dias, pode ter a sua parcela de heroísmo como é pregado em muitas histórias, mas também tem seu preço emocional que é bastante elevado. 

Ainda dentro da "humanização" dos agentes, é bem bacana ver a interação que eles tem com Priya e sua mãe, personagem temido por todos aliás, mostrando que são humanos sim e se importam com cada vítima direta ou indireta de seus casos, que claramente, acabem se tornando pessoais para cada um deles.


Quem já conhece a escrita de Hutchison, sabe que os acontecimentos vão sendo apresentados de uma forma um pouco espaçada, dando aos personagens uma carga emocional bastante forte, o que te prende na leitura de uma forma bem difícil de se largar. É aos poucos que vamos conhecendo a história da família de Priya e como ela ficou após a tragédia que mudou totalmente sua vida.

Da mesma forma que tragédias mudaram a vida de Priya e sua mãe Deshani, ambas tiveram que tomar resoluções drásticas para continuarem a viver, o que não quer dizer que o sofrimento acabe, pelo contrário, ele está lá, todos os dias, em cada lembrança e em cada situação familiar que sempre será incompleta para elas. Nesse ponto, Dot mostra que é possível viver após tragédias, ainda mais se se tiver um objetivo a se cumprir.

Tenho que dizer que fiquei feliz e ver que Rosas de Maio manteve e muito bem todo o suspense, o psicológico e o "algo mais" que começou em O Jardim das Borboletas e tenho absoluta certeza que se vocês gostaram o primeiro livro, irão gostar muito desta sequência e, ainda mais que a editora Planeta manteve o padrão da edição anterior nessa nova ou seja, capa dura, papel amarelado, fonte agradavél e ilustrações durante toda a trama, realmente, IMPERDÍVEL.


Sobre a autora:
Dot Hutchison, é autora do livro A Wounded Name, um romance para jovens adultos baseado em Hamlet, de Shakespeare, além de O Jardim das Borboletas. Com experiência de trabalho em um acampamento para escoteiros, em uma loja de artesanato, em uma livraria e na Feira da Renascença (como peça de xadrez humana), Hutchison se orgulha por ter permanecido deliciosamente em contato com sua jovem adulta interna. Ela adora tempestades, mitologia, história e filmes que podem e devem ser assistidos sem parar. 

Ficha Técnica:

Título: Rosas de Maio
Autor: Dot Hutchison
Tradução: Débora Isidoro
Editora: Planeta
Páginas: 457
Ano: 2019
ISBN: 9788542216615
Onde Comprar: Amazon 







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12 Comentários

  1. Eu adoro o gênero, tenho certeza que eu mergulharia na leitura de cabeça. Não sabia que era continuação de Jardim das borboletas, que ainda não li, mas quero muito.Este já entrou para a lista, também.
    Bjos
    Vivi
    http://duaslivreiras.blogspot.com

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    1. Viviane, tenho certeza que vai adorar. Leia, pois vale cada centavo. Muito obrigado, beijos e volte sempre.

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  2. Olá!
    Adoro livro nesses estilos e sempre me prendo nessas leituras. Gostei bastante da resenha, é um livro que tem na loja onde trabalho e nunca parei para pega-lo, mas agora estou bastante interessada.

    Silviane, blog Memento Mori
    Conheça a siga @kzmirobooks e @Blogueiras.Cansadas

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    1. Silvana, fico feliz que tenha gostado. Leia e depois me diga o que achou. Muito obrigado pela visita. Beijos e volte sempre.

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  3. eu to bem curiosa em ler jardim de borboletas e nem sabia que tinha continuação kkkkk, fico pensando se saber disso me desanima um pouco ou anima kkk.

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    1. Barda, tenho certeza que vai te animar...kkk... Beijos e volte sempre.

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    1. Cooooorreeeee entãããããoooo. kkkkk. beijos, Li.

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  5. Olá

    Se eu dizer que achava que era um homem escrevendo? hahaha.
    É porque o nome e sobrenome da autora são masculinos na língua inglesa e remetem à isso haha
    Gosto de séries que mudam até os companheiros do detetive principal. Detesto a mesmice e esse parece está longe disso e como são sequências e confio muito em sua avaliação, me darei de presente esses dois primeiros volumes.

    Beijos e maravilhosa e detalhista resenha!

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    1. Jo, se eu te falar que quando peguei o Jardim, também pensei a mesma coisa e pelo mesmo motivo, você acredita? Mas tenho certeza que vai gostar. Muitíssimo obrigado pela visita, pelas palavras e mais ainda pela confiança. Beijos e volte sempre.

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  6. VocÊ não faz ideia do quanto eu quero esse livro, o anterior foi perturbador e ao mesmo tempo um dos melhores que já li. Adorei a sua resenha, espero ter a oportunidade de ler em breve

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    1. Bea, se gostou do primeiro, vai gostar sim desse. Tem suas diferenças, mas é bom demais. Muito obrigado pelas palavras e volte sempre. Beijos.

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