[RESENHA #678] MULHERZINHAS - LOUISA MAY ALCOTT


Sinopse: Um clássico da literatura americana, Mulherzinhas reúne um drama familiar, traços de um romance histórico e inspirações autobiográficas de sua autora, Louisa May Alcott. Foi publicado pela primeira vez em 1868. Também conhecido como Adoráveis mulheres, gerou inúmeras sequências em livros e adaptações para o teatro e o cinema ao longo do tempo. A mais recente, um filme com estreia em dezembro de 2019 e a participação de grandes estrelas como Maryl Streep e Emma Watson. Alcott relata na obra quatro anos na vida das irmãs March — Meg, Jo, Beth e Amy. Enquanto o patriarca luta na Guerra Civil Americana e a mãe tem de trabalhar para sustentar a família, as quatro filhas precisam cooperar entre si para manter a unidade familiar. Mulherzinhas passou à história como a obra-prima de Louisa May Alcott. É um romance moderno e atemporal, que, junto a outros, fez sua autora ser reconhecida como uma escritora que abordou questões feministas de forma leve e aberta.

Resenha: A grande preocupação de Meg, Jo, Beth e Amy naquele natal era a pobreza em que estavam. Sem o pai em casa, pois a guerra o tinha clamado, não sabiam quando ele voltaria. Foi então que a senhora March sugeriu que naquele natal a família não trocasse os tradicionais presentes na manhã gélida de 25 de dezembro.

Claro que as meninas ficaram aborrecidas, pois já estavam cansadas daquela pobreza e cada uma delas sabia exatamente o que comprar para si mesmas de natal naquele ano com o dólar que tinham. Mas a senhora March estava preocupada com a penúria que a Guerra Civil vinha trazendo para as pessoas e por essa razão havia comentado com suas quatro filhas sobre os presentes de natal.

Jo, a "moleca" de quinze anos, adora livros e queria comprar um de contos de fadas. Beth, de treze anos, queria um disco novo, Amy, a caçula, queria uma bela caixa de lápis de cor da Faber e Meg a mais velha, com dezesseis anos, só queria se divertir depois de ter trabalhado o ano todo cuidando de "suas" crianças. Todas se achavam no direito de gastarem seu dólar da maneira que desejassem, pois todas haviam trabalhado muito e feito seus deveres, então achavam que era justo se presentearem.


Claro que, enquanto estavam reunidas, sempre aconteciam discussões sobre o quem havia trabalhado mais, sofrido mais e por aí vai. Quatro garotas da mesma família e totalmente diferentes umas das outras, mas todas elas "reclamonas" de mão cheia naquele final de tarde. Mas foi só o relógio bater as seis horas e todas elas se lembraram da coisa mais importante da vida delas: a mãe.

"Depois de varrer a lareira, Beth pousou um par de chinelos ali para que esquentassem. De alguma forma, a visão dos sapatos antigos deixou as meninas felizes, pois significava que a mãe estava chegando, e todas se animaram para recebê-la. Meg parou de repreender as meninas e acendeu o lampião, Amy saiu da poltrona sem que precisassem pedir e Jo esqueceu-se do cansaço e sentou-se para segurar os chinelos mais perto das chamas." p. 11.

Foi só pensarem na mãe que tudo se desvanecia. Todas se lembravam de seus ensinamentos e de seu amor irrestrito pelas filhas. Elas sabiam que a vida delas era a mãe e a vida da mãe eram elas. Foi quando Beth sugeriu que ao invés de se presentearem, deveriam cada uma delas comprar um presente para a mãe e esquecendo de si mesmas, um pouco envergonhadas até, foi exatamente o que fizeram, pois queriam que aquele natal fosse bom, pelo menos para a senhora March.

Tendo o assunto dos presentes sido resolvido, agora era hora de pensar nos preparativos da peça teatral para a noite de natal, pois as meninas contavam com uma companhia de teatro só delas e que só admitia mulheres tanto no elenco como na platéia. E foi assim, alegres e atuantes que a senhora March as encontrou quando chegou em casa. Feliz por estar ali com suas preciosas filhas, ainda não sabia tudo o que iriam passar naquele ano que logo se iniciaria. Dramas, tristezas, novas amizades, felicidade, medo e até morte, passariam pela experiência de vida de cada uma daquelas... adoráveis mulheres.


Opinião: Mais uma releitura que só confirma minha opinião de muitos anos, desde que li pela primeira vez Mulherzinhas de Louisa May Alcott numa edição de bolso que ainda tenho aqui na estante. Como antes, há mais de vinte anos, a história das irmãs Meg, Jo, Beth e Amy continuou a me encantar, talvez até mais.

A história por si só é bem simples, uma família fica sem o pai que vai ajudar na Guerra Civil como sacristão. Sua esposa e as quatro filhas precisam ficar em casa e fazer todo o possível para conseguirem sobreviver, depois que a família teve sua fortuna reduzida consideravelmente ao ponto de serem vistas como uma família pobre. Nesse cenário, as meninas precisam desempenhar seus papéis dentro da casa e ajudar a mãe que tem o maior peso de todos.


Alcott pode até apresentar uma história comum e rotineira para aquela época em que viveu, mas é sua habilidade na escrita, em fazer com que cada acontecimento e cada personagem se torne especial é que a faz a grande heroína de toda a trama em Mulherzinhas. 

É impossível não se envolver com o drama cotidiano que ronda a casa das March e mais ainda não se afeiçoar com cada uma de suas experiências mostradas durante a história. Alcott é brilhante em conseguir exaltar de uma forma animadora, aconchegante e muito marcante, aquilo que na mão de qualquer pessoa poderia se tornar apenas comum. 

Justamente nesse comum, é que percebemos a importância de muitas coisas em que Alcott nos apresenta na vida, principalmente, das meninas March. Pois, são coisas que muitas vezes podem "passar batido" para nós mesmos e ali na vida daquelas meninas tem uma importância muito grande. Talvez seja pelos valores que eram mais exaltados naquela época do que hoje em dia, mas o certo é que um simples começo de amizade em um passeio comum se torna extremamente importante na vida daquela família, por exemplo. É nesse ponto em que a autora nos informa que todos temos sonhos, deveres e diversas outras coisas na nossa vida, mas muitas vezes nos esquecemos daquelas coisas mais simples que podem transformar vidas de uma hora para outra.


Alcott retratou de forma brilhante a vida de uma família que teve seus altos e baixos na vida e fez questão também de mostrar as hipocrisias da sociedade daquela época. Não pensem vocês que não existem passagens que provavelmente foram escandalosas para aquele tempo nas páginas de Mulherzinhas, pois elas existem e não são poucas. A autora deixou muito claro em diversas ocasiões o tratamento injusto, por exemplo, dado as mulheres na sociedade em que viviam. Talvez seja por razão que ela diversificou tão perfeitamente as personalidades das meninas e mulheres em Mulherzinhas, principalmente da matriarca da família, a senhora March, que é apresentada de uma maneira que não tem como não compararmos com nossas próprias mães. Basta conferir.

Por fim, Mulherzinhas vem numa nova edição da editora Edipro que conta com uma capa muito bonita, no formato brochura, papel amarelado e fonte mais do que agradável para que todos que gostam de uma leitura aconchegante, muito bem escrita, sem deixar de lado as críticas sociais e outras mais. Resumindo, I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L.


Sobre a autora: Louisa May Alcott (1832-1888) nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos, em uma família dedicada à educação e à filosofia. Teve a oportunidade de conviver com personalidades como o filósofo Henry David Thoureau e o poeta Ralph Waldo Emerson, seguindo a carreira de escritora, apesar de suas aspirações de tornar-se atriz na juventude. Em seu trabalho, adotou principalmente a literatura infantojuvenil. Sua família chegou a abrigar escravos em fuga, e Louisa foi a primeira mulher a registrar-se como eleitora em sua região. Foi abolicionista e feminista, além de ter atuado como enfermeira durante a Guerra Civil Americana, ocasião em que quase morreu ao contrair febre tifoide. Seus relatos de guerra lhe renderam seu primeiro sucesso literário com a obra Hospital Sketches, mas o grande reconhecimento viria com Little Women (Mulherzinhas), cinco anos mais tarde. Faleceu em decorrência de um acidente vascular cerebral, aos 55 anos, dois dias após a morte de seu pai.

Ficha técnica:
Título: Mulherzinhas
Autor: Louisa May Alcott
Tradução: Giu Alonso
Editora: Via Leitura [Edipro]
Páginas: 256
Ano: 2019
ISBN: 9788567097749
Onde Comprar: Edipro

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4 Comentários

  1. Eu Tô lendo esse livro e esse jeito com que as irmãs são retratadas é o que eu mais estou gostando, tão realista e tão atemporal que não difere nada dos muitos papos que bati com minhas primas e amigas toda vez que a gente se reunia.

    www.revelandosentimentos.com.br

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    1. Jéssica, muito obrigado. Que bom que você está gostando, fico muito feliz. Beijos e volte sempre.

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  2. Estou doida para ler este livro, mesmo tendo 500 livros para ler, minha estante só aumenta.. rs mas adoro livros nessa Temática.. e essa capa então.<3

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    1. Aline, leia que não vai se arrepender. Beijos e muito obrigado pela visita.

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