[RESENHA #697] FIQUE COMIGO - AYOBAMI ADEBAYO


Sinopse: Yejide espera por um milagre: um filho. É o que seu marido deseja, o que sua sogra deseja, e ela já tentou de tudo para engravidar. Mas, quando seus parentes insistem que seu marido receba uma nova esposa, Yejide chega ao limite. Tendo como pano de fundo a turbulência política e social da Nigéria dos anos 1980, Fique comigo relata a fragilidade do amor matrimonial, o rompimento de uma família, o poder do luto e os laços arrebatadores da maternidade. Uma história sobre as tentativas desesperadas que fazemos para salvar a nós mesmos, e a quem amamos, do sofrimento.

Resenha: Tudo corria muito bem no casamento de Yedjide e Akin, ainda mais pelo motivo de que Akin havia resolvido ir contra a cultura de seu país e havia adotado a monogamia como forma de viver com sua esposa Yejide. Porém, alguns anos se passam sem que Yedjide consiga engravidar, o que, a partir desse ponto, começaria a avalanche de seus problemas no futuro.

Inconformados com essa situação e cansados de esperar, os pais de Akin resolvem intervir e forçar seu filho aos costumes de seu país. Quando a sogra de Yedjide leva para sua casa uma segunda mulher, Funmi, sua vida começa a ruir. Dali em diante, seu marido teria uma outra mulher, uma outra esposa mais nova e que muito provavelmente geraria a tão desejada criança herdeira.

“Fechei os olhos. Eu estava prestes a despertar do transe. Quando os abri, a mulher amarelo-manga ainda estava lá, um pouco embaçada, mas ainda lá. Fiquei atordoada.” Pág. 14.

Tomada pelo desespero, Yedjide busca de todas as formas ajuda para que consiga engravidar e realizar o sonho de ser mãe e dar orgulho ao seu marido Akin, que mesmo tendo resolvido viver uma vida monogâmica não pôde, seguindo os costumes, recusar a vinda da segunda mulher e tampouco Yedjide poderia dizer qualquer coisa que fosse em contrário, apenas aceitar. Mas os problemas de Yedjide ainda estavam apenas no começo.


Opinião: Antes de qualquer coisa, quando se começa a ler este livro, tem que se ter em mente um tópico principal para não se destruir [totalmente] com a história de Yedjide: Cultura. Se você entender que o que se passar em Fique Comigo, está inteiramente relacionado a uma cultura, mesmo que arcaica, então, tenho certeza que conseguirá chegar ao final desse drama.

Fique Comigo é dramático ao extremo, mas também é duro, cruel, irredutível e injusto, pois tendo como epicentro o homem, toda a cultura feminina é demonstrada como uma “máquina de fazer” crianças e subserviência, como disse, ao homem. Porém, Fique Comigo é sim uma história de amor. Um amor que extrapola seus deveres e coloca seus protagonistas em situações inconcebíveis e intoleráveis, mas é uma história de amor.

Talvez seja somente esse sentimento que tenha feito com que a personagem principal conseguisse sobreviver todas as humilhações e rejeições que passou durante toda a trama. Claro que suas emoções saíram da amada esposa para a rejeitada, traída e ainda ter que ser submissa a tudo que tenha sido  resolvido tanto por seu marido quanto pela família.


Aliás, Akin surpreende muitas vezes ao longo da história e eu gostaria muito de poder dizer que de forma positiva, mas a autora nos leva a uma montanha russa de sentimentos e pressões que só tendem a piorar a situação de Yedjide. Aliás, nesse quesito, a autora não tem um pingo de dó de seus leitores. Ela expõe todos os nervos possíveis e até os não tão possíveis assim, no relacionamento de Akin e Yedjide. A forma de sofrimento, principalmente, é tão intensa que, tenho certeza, não vão faltar lágrimas, raiva, indignação, ódio e um tanto de amor também.

Pode-se dizer que Fique Comigo é um romance atual e que traz assuntos espinhentos e nada fáceis de engolir, principalmente se vermos a condição da mulher nos dias de hoje, que, como sempre digo, mesmo não sendo ainda o ideal e também de não estar livre de todos os preconceitos carregados por milhares de anos, é bem melhor do que a vida que nossa protagonista levava nos anos 80, mas exatamente por isso mesmo ainda nada totalmente degustável.

Fique Comigo pode te enganar pelo seu título que remete àqueles romances suaves e emocionais, mas tenha certeza que mesmo não sendo um romance propriamente dito, ele vai te fazer pensar no quanto uma situação, ou situações no caso, seriam suportadas por você. Visceral, inquietante e totalmente IMPERDÍVEL.


Sobre a autora: As histórias de Ayobami Adebayo aparecem em muitas revistas e antologias, e uma delas foi altamente recomendada na Commonwealth Short Story Competition de 2009. Ela se graduou e fez mestrado em literatura aglófona na Universidade Obafemi Awolowo, em Ifé, e trabalha como editora da Saraba Magazine desde 2009. Adebayo também tem mestrado em escrita criativa pela Universidade de East Anglia. Fique Comigo, seu primeiro romance, foi eleito um dos melhores livros de 2017 por veículos como The New York Times, The Guardian e The Economist. A autora nasceu em Lagos, Nigéria, no dia 29 de janeiro de 1988.

Ficha Técnica:
Autor: Ayobami Adebayo
Tradução: Marina Vargas
Editora: Harper Collins
Páginas: 240
Ano: 2018
ISBN: 9788595083202
Onde comprar: Amazon

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