[RESENHA #699] SHANGRI-lA - MATHIEU BABLET


Sinopse: A Terra tornou-se um planeta inabitável, e sua população agora vive em uma estação espacial governada por uma multinacional. Todos parecem satisfeitos com essa "sociedade perfeita", mas a realidade é muito diferente. Através da implementação de um programa para criar a vida a partir do zero, em Shangri-la, uma das áreas mais quentes de Titã, uma das luas de Saturno, eles pretendem reescrever o "Gênesis" à sua maneira. Enquanto isso, um homem está encarregado de investigar explosões misteriosas em certas estações de laboratório que estão estudando esse processo de criação da vida "do zero". 

Resenha: Shangri-la é a segunda graphic novel de ficção científica do quadrinista francês Mathieu Bablet que leio no ano, a primeira foi "A Bela Morte" e ambas foram publicadas pela editora SESI-SP. Para quem não sabe, o termo Shangri-la é descrito como um lugar paradisíaco localizado nas montanhas nos Himalais, lugar esse que promete saúde, felicidade e harmônia em abundância. Esse termo foi uma criação literária de do inglês James Hilton, autor do famoso romance Horizonte Perdido (Lost Horizon).

Em Shangri-la somos levados para centenas de anos no futuro, ou seja, um futuro bem distante, onde o planeta Terra foi totalmente devastado e tornou-se um lugar inabitável para a vida humana. Agora, os seres humanos vivem confinados em uma gigantesca estação espacial governada pela Tianzhu Enterprizes, uma mega-corporação que criou um ambiente propício para suprir todas as necessidades dos seus habitantes.

Mas há um grande problema em viver nesse lugar, pois essa corporação decide como os seus habitantes vão se comportar, o que devem pensar e usar. A bem da verdade é que essa empresa incentiva de forma desenfreada o consumo e isso vira algo extremamente doentio. Os habitantes dessa estação não tem outro objetivo em suas vidas a não ser trabalhar e trabalhar para cada vez mais poder consumir os produtos produzidos pela Tianzhu.

É nesse cenário espacial que conhecemos os irmãos Scott e Virgílio, eles habitam a estação. Scott trabalha para a Tianzhu e defende com unhas e dentes o estilo de vida propagado pela empresa, inclusive chega a brigar com aqueles que criticam a política adotada pela corporação. Virgílio vai na contramão do seu irmão, ele constantemente questiona o lugar dele no mundo, questiona o estilo de vida consumista pregado pela Tianzhu, ele é um subversivo e faz parte de uma célula que visa acabar com o estilo de vida estipulado pela Tianzhu.

Enquanto isso, acompanhamos um grupo de cientistas que estão trabalhando em um novo projeto para a corporação, eles querem descobrir como criar vidas humanas a partir do zero. Esses humanos considerados quase semi-deuses seriam criados dentro de laboratório e o objetivo é enviá-los para Titã, uma lua localizada na órbita de Saturno, em uma região chamada Shangri-la. Há também outra pesquisa científica em andamento e nessa os cientistas desenvolvem uma raça de animoides que vivem com os humanos na estação espacial. O problema é que no decorrer do tempo essas criaturas precisam enfrentar agressões físicas e assédios morais. Eles passam a ser uma espécie de válvula de escape para os seres humanos.


Opinião: Primeiro quero falar sobre a arte e coloração da graphic novel. A arte/ilustrações apresentada por Batlet é linda, um verdadeiro primor e seus traços são bem reais. As paisagens espaciais apresentadas são magníficas e podemos captar toda a sensação de solidão causada pela imensidão do espaço. As cenas de violência são fortes e brutais, e toda a ambientação dentro da estação espacial passa a sensação de claustrofobia, é algo sufocante e demonstra que a vida de certa maneira perdeu o sentido e objetivo.

A narrativa é super envolvente, consegue realmente captar a atenção do leitor, pois há muitos diálogos, mas também há momentos de quietude. Eu posso dizer com tranquilidade que o enredo foi bem construído, dá para notar o quanto Bablet se doou. Quanto aos personagens eu posso dizer que eles são únicos e possuem identidade própria. Mas não há como dizer que eles são profundos e em determinado momentos falta um pouco de carisma neles. Contudo, isso não é algo que prejudique todo o trabalho apresentado por Bablet.

Shangri-la é uma graphic novel que me surpreendeu de forma positiva, pois o autor aborda diversos temas como: discriminação, intolerância, violência, racismo, religião e muitos mais. Sem sombra de dúvidas essa é uma graphic novel que vai tirar muitos leitores da zona de conforto, vai fazer cada leitor pensar um pouquinho e refletir sobre as coisas que o cerca, principalmente o materialismo/consumismo, que é uma das grandes críticas da obra e é algo bem presente nos dias de hoje. O mais legal é que todos os temas apresentados e críticas levantadas pelo autor são apresentadas aos poucos e de forma bem natural. Em suma, Bablet critica o nosso estilo e modo de vida. Essa foi uma das melhores leituras que realizei em 2019!!

Sobre o autor: Mathieu Bablet, nascido em 9 de janeiro de 1987, é quadrinhos francês e seus trabalhos focam no gênero da ficção científica. No Brasil dois dos seus quadrinhos (A Bela Morte e Shangri-la) foram publicados pela editora SESI-SP.

Ficha técnica:
Título: Shangri-la
Autor: Mathieu Bablet
Tradução: Fernando Paz
Editora: SESI-SP
Páginas: 224
Ano: 2018
ISBN: 9788550407500
Onde Comprar: Amazon


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2 Comentários

  1. oi!
    Eu adorei a dica :D sou uma grande fã de ficção e shangri-la parece ser bem interessante...

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  2. Que interessante, adorei a dica. Não conhecia o autor, porém amo esse estilo e pretendo ler.

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