[RESENHAS #752] AS FLORES DO MAL - CHARLES BAUDELAIRE

Sinopse: O poeta e crítico Charles Baudelaire marcou as últimas décadas do século XIX e As flores do mal é sua obra prima. Julgado imoral para a época, o livro levantou polêmica e despertou hostilidades na imprensa. Baudelaire e seu editor foram processados e, além de pagar multa, tiveram que reimprimir a obra, excluindo poemas da primeira publicação. Nesta edição, disponibilizamos para o leitor a versão completa de "As flores do mal", com os poemas censurados e os incluídos posteriormente. A primorosa tradução é de Mário Laranjeira, professor da Universidade de São Paulo. 

Resenha: Eu não tenho o hábito de ler poemas/poesias, na verdade eu tinha o hábito de ler e escrever durante a minha adolescência, algo que foi há mais de 15 anos e eu jamais imaginava que em algum momento da minha vida iria ler "As flores do mal" de Charles Baudelaire (poeta e crítico francês do século XIX), até porque eu desconhecia o autor naquela época e meu conhecimento no campo dessa literatura somente se expandiu após a criação do presente blog, pois foi desse momento em diante que eu passei a desbravar e realmente conhecer vários gêneros da literatura mais a fundo.


As flores do mal foi publicado originalmente em 1857 e na verdade trata-se de uma coletânea composta por centenas de poemas e naquela época a obra de Baudelaire sofreu com a censura, pois seis deles foram retirados da livro original por serem considerados ultrajantes, além disso o autor foi processado por atentado à moral pública. Aliás, Baudelaire foi um autor que escreveu durante a transição entre a decadência do romantismo e a ascensão do realismo.

Não vou mentir e falar que "As flores do mal" é uma leitura extremamente fácil, porque não é, pois os poemas apresentados por Baudelaire são ímpares ou peculiares se preferir, pois é necessário levar em conta a sociedade de sua época, a França e sua capital Paris começavam a mudar, mais especificamente rumo à modernidade. Paris de sua época era uma cidade em que o velho convivia e contrastava com o novo, havia um verdadeiro movimento de antropização, onde o ser humano interfere e transforma o meio ambiente.


Para melhor compreender a poesia de Baudelaire é necessário atentar-se as características de sua época, pois essas mudanças no ambiente refletiam especialmente nas relações sociais, tendo em vista que com o advento da modernidade, o perfil da sociedade também estava em mutação e o individualismo era valorizado.

É possível perceber durante a leitura que Baudelaire padecia de graves e profundos dilemas, pois em certos momentos o autor detestava a vida, mas em outros amava de forma profunda, em alguns momentos desejava a morte e em outros a vida de forma plena. Baudelaire apresenta poemas magistrais, alguns doces e lindos, mas outros são sombrios, falando de pesadelos e sonhos, tratando de temas que vão do sublime ao escabroso, passando pelo amor, morte, exílio, tédio e as mazelas dos seres humanos.


A leitura de "As flores do mal" em alguns momentos se mostrou difícil, pois as descrições são densas em algumas oportunidades, mas os versos do autor são cheios de significados. Em suma, "As flores do mal" de Baudelaire é realmente um grande clássico que tece críticas as convenções morais que estavam claras na sociedade de sua época. Esse é simplesmente mais um grande e belo livro da literatura francesa que merece a sua atenção!


Sobre o autor: 
Autor do clássico da poesia francesa moderna As flores do mal (1847) nasceu em Paris, em 1821. Abandonando cedo os estudos formais, vivia da herança deixada pelo pai morto quando ele tinha seis anos. De hábitos boêmios e filiação política simpática aos movimentos revolucionários iniciados em 1848 na França, não era bem-aceito pelo stablishment literário do país e sofreu um processo por obscenidade e blasfêmia, motivado pela publicação de As flores do mal. Morreu em 1867, sem conhecer a fama e deixando uma extensa obra que inclui poesia, ensaios, diários e cartas.

Ficha técnica:
Título: As flores do mal
Autor: Charles Baudelaire
Tradução: Mário Laranjeira
Editora: Martin Claret
Páginas: 273
Ano: 2020
ISBN: 9788544001912

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