[RESENHA #755] MORTE NO VERÃO - SÉRIE QUIRKE - VOL.04 - BENJAMIM BLACK


Sinopse: Um magnata da imprensa encontra um fim violento. Teria sido suicídio ou assassinato? Numa onda de calor tórrida, segredos, mentiras e revelações na Dublin da década de 1950.Em uma sufocante tarde de verão em Dublin, o magnata Richard Jewell – conhecido por seus inúmeros inimigos como Diamond Dick – é encontrado com a cabeça estourada por um tiro de espingarda. Jewell era o proprietário de grande parte dos veículos de imprensa do país e diretor do sensacionalista Daily Clarion, o jornal de maior vendagem da capital. Embora tudo leve a crer que tenha sido suicídio, os jornais, por convenção, não mencionam essa possibilidade. Caberá então ao detetive inspetor Hackett tocar as investigações, nas quais irá contar com a ajuda de seu velho amigo, o patologista Garret Quirke. Quirke, que circula entre a alta sociedade e o submundo de Dublin com igual destreza, tem fortes suspeitas de que Jewell tenha sido assassinado. Na tentativa de solucionar a questão, Quirke confronta a elegante e enigmática viúva, Françoise, com quem tem motivações conflitantes e interesses amorosos; Dannie, a frágil irmã de Jewell que, em seu luto, procura apoio em David Sinclair, o ambicioso assistente de Quirke no laboratório de patologia; Carlton Sumner, um dos maiores rivais comerciais do magnata; além de todos que trabalham para a família, como o capataz Maguire e a esposa, Sarah, a governanta. Todos parecem saber um pouco demais a respeito de Jewell, e, quando uma onda de calor envolve a cidade e os negócios escusos que sustentam o império de Jewell começam a ser revelados, Quirke e Hackett se veem presos em uma sinistra rede de intrigas e violência que esconde atrocidades ainda maiores. Lançado em um redemoinho de surpreendentes eventos desconcertantes, Quirke irá descobrir que, em uma cidade em que o dinheiro e famílias intocáveis exercem total controle, ninguém está a salvo de perigos mortais.

Resenha: Quando o inspetor Hackett é chamado para uma diligência, já sabia que o dia não seria fácil. Uma das pessoas mais influentes no país acabara de se suicidar. Richard Jewell era o chefe do Daily Clarion, o maior jornal do país, em termos de vendagem e, ao menos naquele momento, Hackett não tinha ideia do porque um homem daquele naipe ter estourado seus miolos em sua casa. Mas, claro, apesar de achar que o dia já não estava começando bem, era apenas um caso de suicídio, então, por mais que ele demorasse naquele lugar chique, até então imaculado, poderia ir para casa mais tarde e ponto final.

"O cadáver foi encontrado naquela tarde de domingo em seu escritório acima do estábulo de Brooklands, propriedade em County Kildare que ele dividia com a mulher."

Mas Hackett não esperava que as coisas tivessem uma pequena mudança de rumo. Quando seu colega, o patologista Garret Quirke, é chamado para a cena na casa dos Jewell, esse já coloca os planos do inspetor por água abaixo. Quirke declara que Richard Jewell não cometeu suicídio e sim foi assassinado.

De qualquer modo, o inspetor já sabia disso pela cena do crime, mas a confirmação "oficial" pelo patologista Quirke o deixa ainda mais irritado, pois sabe que aquela investigação não iria ser fácil. Os ricos não abrem a boca e se protegem a todo custo, a não ser que sejam inimigos, aí as coisas ficam um pouco mais difíceis, pois é necessário descobrir a verdade da calúnia, o que leva além de bastante tempo, muita dor de cabeça para o inspetor.


Depois de estarem em sintonia novamente, Hackett e Quirke, velhos companheiros da polícia, já começam as investigações dando a notícia à viúva, Fraçoise d'Aubigny e sua cunhada, Dannie Jewell. Quirke tem uma surpresa ao reconhecer a viúva como uma velha amiga de escola, a qual era apaixonado na época, o que de certa forma não mudaria nada em seu modo de tratar aquele caso ou pelo menos era assim que deveria ser.

Dannie, por sua vez aparenta frieza com relação a morte de seu irmão, mas Quirke já percebe que isso é apenas uma fachada, pois logo depois ela deixa escapar seus verdadeiros sentimentos à respeito daquela tragédia. Mas algo intriga o patologista e ao longo da investigação esse comichão iria ficar cada vez mais incômodo e por ironia do destino, traria à tona velhas lembranças há muito esquecidas.

"Quando viu a coisa ali dentro, jogou na sarjeta, por instinto. Abaixou-se, olhando, torceu o envelope rasgado com uma vareta e o cutucou. Com alívio, viu que não era o que de início pensou ser. Era um dedo, branco com queijo, meio dobrado, com se acenasse."

Opinião: Histórias com aquele clima noir sempre me fascinaram, assim como a ficção científica, o terror e os clássicos, esse gênero faz parte da minha lista de gostos especiais. Então, quando recebi Morte no Verão, fiquei bastante curioso, pois não conhecia o autor e nem a série de histórias do patologista Garret Quirke. No começo fiquei com medo de não poder acompanhar a história, já que Morte no Verão é o 4º livro da série Garret Quirke, mas ficou claro que, fora algumas referências, mesmo que você não tenha lidos os anteriores, em nada atrapalha a leitura desse volume.

Bom, a escrita de Black [mesmo sendo pseudônimo, vamos chamá-lo assim mesmo] é bem aconchegante e está dentro da normalidade para esse tipo de trama, a policial. Ele diversifica bastante as visões dos personagens e às vezes parece que o foco está mais em construir a relação de todos os personagens na trama do que resolver ou mostrar a investigação propriamente dita, o que realmente acontece, pois chegando a mais da metade do livro, o leitor ainda fica se perguntando, onde está o inspetor e o seu caso?


Mas, pela destreza de Black [ou falta dela, diga-me você], quando se percebe, estamos rumo ao final de toda a trama, conhecendo todos os personagens e suas mazelas, pois todos eles são problemáticos em vários níveis. Black consegue levar uma trama de assassinato, prendendo a atenção do leitor, sem que se fale do assunto principal por mais da metade do livro. Se isso não é, no mínimo, interessante para você, então passe longe de Morte no Verão, pois é exatamente isso que Black faz nesse novo volume da série de Garret Quike.

Basicamente, Morte no Verão é um livro de rápida leitura e com uma escrita muito boa e um começo [o motivo da trama] espetacular, mas seus personagens, apesar de serem bem estruturados e bem colocados durante toda a trama, não são cativantes de uma forma que o leitor realmente se importe com eles. A impressão que eu tive foi a de que gostaria que o escritor passasse logo para os "finalmente" para se esclarecer o que aconteceu realmente com Diamond Dick [Richard Jewell] ao invés de focar em subtramas como o fez.


Apesar de ser necessário a inclusão de subtramas na história, me senti bastante irritado com o autor por ele ter levado a história por esse prisma. Mesmo sendo um escritor de mão cheia, a trama principal acaba se perdendo no meio de tantas relações entre seus personagens, fazendo com que toda história não passe de um drama familiar ao invés de ficção policial propriamente dita. 

Se Black tivesse explorado ou alongado um pouco mais a história dando mais atenção ao aspecto investigativo e especulativo, talvez Morte no Verão fosse um livro muito mais acima do que o esperado, porém, como disse antes, Black escolheu o lado mais "drama" do que o "policial" e trazendo um motivo e resolução para o crime tão pueris e cliché que realmente me fez parecer que toda a leitura foi uma baita perda de tempo. 

Não posso dizer se os outros volumes da série são escritos dessa forma também, pois não os li e provavelmente não os lerei, mas Morte no Verão de Benjamin Black e publicado pela editora Rocco, vem para saciar a vontade de lançamentos dos amantes do romance policial noir, mas infelizmente, é só isso mesmo: mais um lançamento.


Sobre o autor: Benjamim Black é o pseudônimo literário de John Banville - romancista irlandês vencedor do Man Booker Prize (O Mar). Do autor, também distinguido com o prêmio Príncipe das Astúrias das Letras, a Rocco publicou O pecado de Christine, O cisne de prata, Rastros na neblina e também A loura de olhos negros, onde o autor imagina um novo caso para o detetive Philip Marlowe, a imortal criação de Raymond Chandler.

Ficha técnica:
Título: Morte no Verão
Autor: Benjamim Black
Tradução: Ryta Vinagre
Editora: Rocco
Páginas: 256
Ano: 2020
ISBN: 9788532531650
Onde Comprar: Rocco

Postar um comentário

0 Comentários