[RESENHA #766 ] WHITESNAKE | A FANTÁSTICA JORNADA DE DAVID COVERDALE - MARTIN POPOFF


Sinopse: Em busca de fama, fortuna e grandes produções, o jovem David Coverdale deixou o frio do Reino Unido rumo à ensolarada costa oeste dos Estados Unidos. Lá, a música do jovem músico explodiu. Seu álbum de 1987, “Whitesnake”, recebeu nada menos que oito certificações de platina, explodindo nas rádios e conquistando a cultura pop americana. 

Escrita por Martin Popoff, um dos mais importantes jornalista e biógrafos de rock do mundo, WHITESNAKE: A FANTÁSTICA JORNADA DE DAVID COVERDALE é a primeira e única biografia completa já escrita sobre a lenda do rock, David Coverdale, de suas raízes no Deep Purple às duas encarnações distintas de sua criação mega popular, o Whitesnake.

Trazendo entrevistas com os principais músicos que já passaram pela banda, incluindo, claro, o próprio Coverdale, Martin Poppof conseguiu percorrer toda a montanha-russa da história do Whitesnake, com suas contratações, demissões, divisões e reuniões, elaborando um quadro completo, afetuoso e realista de um dos gigantes do rock mundial. 

Seja você um aficionado pela história do rock, do Deep Purple e suas ramificações, ou apenas uma pessoa que já se pegou assobiando ou cantarolando músicas como “Here I Go Again”, “Is This Love?”, “Fool For Your Loving” e “Still Of The Night”, você vai se entreter bastante com esta leitura, além de um livro essencial para sua estante.

Resenha/Opinião: "Are you ready?!?!" "It's a song for ya!". Quem conhece o bom e velho mundo do rock, hoje chamado de clássico, não deixa de se arrepiar cada vez que escuta essas duas frases em algum show, seja na tv, no dvd, no blu-ray, onde quer que seja, essas duas frases tem um imenso poder quando ditas pelo espetacular, David Coverdale, cantor e fundador de uma das maiores bandas de rock do mundo, o Whitesnake.

"Então eles pediram uma fita da minha voz e a única que tinha era uma na qual eu cantava bêbado em uma festa. Eu achei que já tinham desistido de mim, mas fui chamado para uma audição em Londres e consegui o trampo."

Foi lá nos idos dos anos 70 que um cara totalmente desconhecido do grande público foi ousadamente contratado para ser o frontman da, talvez, maior banda de rock daqueles tempos, o Deep Purple. David Coverdale fez sua estreia em um disco que até hoje é um dos pilares do rock no mundo todo. Depois da saída de Ian Gillan [vocal] e a demissão de Roger Glover [baixo], os purples tiveram a grande coragem e ousadia de contratar Coverdale, totalmente novato para a voz principal e o já experiente Glenn Hughes, baixo e "segunda" voz; dessa união formou-se o que se chamou de MK III na linha temporal do Deep Purple e, assim como disse, nasceu em 15 de fevereiro de 1974, a estreia de David Coverdale no disco Burn.


A estrutura de uma grande banda como o Deep Purple foi um ótimo e sólido alicerce para que David Coverdale começasse a pensar em montar uma banda somente sua. Depois de três discos em estúdio [Burn - 1974, Come Taste the Band - 1974 e Stormbringer - 1975] e dois discos ao vivo [Made in Europe - 1976 e Last Concert in Japan - 1977], além de diversos shows pelo mundo afora, Coverdade se deu conta que já poderia ter uma "casa" só sua.

"De volta à minha cidade natal, em 1968, havia um garoto chamado David Coverdale. Como já disse, viemos da mesma cidade. Estávamos em um café e vi David sentado lá; tinha acabado de voltar da escola de artes. Conversei com David e ele me disse que estava tocando em uma banda local. Eu estava na melhor banda da região, chamada Tramline, que ressonava influências da costa oeste. Foi assim que eu conheci David".

Depois de ter juntado grandes músicos como Micky Moody, Simon Phillips e até mesmo Roger Glover, em 09 de fevereiro de 1977 é lançado "White Snake", o primeiro disco solo de David Coverdale, que não teve nenhuma turnê, tendo em vista problemas contratuais com sua antiga banda, o Deep Purple. Mas nem por isso Coverdale ficou estagnado, pois pouco mais de um ano depois, em Março de 1978, Northwinds seria lançado como seu segundo disco solo. Contando com praticamente o mesmo time anterior, também teve a participação ilustre de Ronnie James Dio e sua esposa Wendi Dio em uma das faixas da "bolacha".


Depois de Northwinds, Coverdale reformulou tudo e deu origem a sua verdadeira banda, a qual ainda é o capitão até os dias de hoje, o Whitesnake. Com um time de dar inveja a qualquer um, em outubro de 1978 é lançado o primeiro disco oficial, "Trouble", que contava com David Coverdale nos vocais, Micky Moody, na guitarra, Bernie Mardsen, na guitarra, Neil Murray no baixo, Dave Dowle na bateria e Jon Lord nos teclados. Começava ali a grande saga de uma das bandas mais queridas do mundo do Rock e, obviamente, fantástica jornada de David Coverdale.

É muito interessante ver como uma biografia pode ser feita através de entrevistas e depoimentos de pessoas que tiveram contato direto ou indireto com David e o Whitesnake. Essa fórmula é bem bacana e Martin Popoff soube explorar isso muito bem, como se pode ver em sua extensa bibliografia de bandas pelo mundo afora. 

O mais legal disso tudo é que a leitura flui muito bem e só vai aumentando nosso interesse a cada virada de página. Pode parecer que é apenas um livro que conta a história dos lançamentos do David e do Whitesnake, mas mesmo que seja, e o é, tem muita coisa nesse meio que é apresentada ao leitor. Tenho certeza que quem se aventurar nessa jornada vai ter algumas boas surpresas durante a leitura, assim como eu tive.


Biografias, na verdade, foram feitas para isso mesmo, "matar" a curiosidade de fatos de bastidores e afins dos seus ídolos mais queridos e essa biografia não é diferente. Tem muitas curiosidades e o próprio David nos apresenta algumas surpresas que, acredito, poucas pessoas sabiam antes dessa publicação. Claro, que para os fãs, qualquer coisa que leve o nome de um desses dois pilares do rock já seria muito válido e aqui nos temos de ambos, Coverdale e Whitesnake.

Popoff não deixa de lado os porquês de cada formação ter se dissolvido, principalmente aquela que é uma das mais aclamadas de toda a história da banda, onde tínhamos David Coverdale nos vocais, Neil Murray no baixo, John Sykes na guitarra e Cozy Powell na bateria. Um verdadeiro "Dream Team" dos anos oitenta, mas que, infelizmente, teve uma vida muito curta. Popoff continua e nos leva a conhecer mais curiosidades e fatos ate o disco "Slip of the Tongue", lançado em 07 de novembro de 1989. Mesmo porque o Whitesnake só voltaria a gravar um novo trabalho em 1997, "Restless Heart"; que nasceu sob a alcunha de "David Coverdale's & Whitesnake", mas não deixou de ser um grande disco novamente assim como seus antecessores.

Popoff é um escritor prolífico e tem muitas biografias no mercado editorial no mundo todo, mas a editora Estética Torta, além de acertar em cheio trazendo essa bela biografia da "Cobra Branca", também fez um trabalho espetacular na edição nacional que é em capa dura, guardas pretas, papel amarelado, fonte mais do que agradável e com ótima revisão, nos entregando assim, um trabalho editorial de tirar o fôlego. Portando, se você é fã não tem como deixar passar, mas se você é alguém que gosta de biografias de músicos e bandas, tenho certeza que Whitesnake: A Fantástica Jornada de David Coverdale, publicado pela editora Estética Torta, vai te conquistar. E, claro, não tem como não dizer que essa edição está absolutamente I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L.


Sobre o autor: Chamado de “máquina de escrever do rock/metal”, Martin Popoff é autor de dezenas livros já lançados no Brasil, incluindo: Black Sabbath: Destruição Desencadeada, 2 Minutes To Midnight: Atlas Ilustrado Do Iron Maiden e Where Eagles Dare: Iron Maiden: Iron Maiden nos anos 80.


Ficha técnica:
Título: Whitesnake: A Fantástica Jornada de David Coverdale
Autor: Martin Popoff
Tradução: Rúben Vieira & Marcelo Vieira
Editora: Estética Torta
Páginas: 312
Ano: 2020
ISBN: 9786599025556


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