[RESENHA #772] INTERNACIONALISMO OU EXTINÇÃO - NOAM CHOMSKY


Sinopse: Em seu novo livro, Noam Chomsky alerta sobre as grandes ameaças à sobrevivência do planeta. Reconhecido como um dos principais intelectuais contemporâneos, defensor ferrenho da democracia e crítico da política externa dos Estados Unidos e do poder global das grandes corporações, Chomsky mostra-se preocupado com o futuro e explica detalhadamente o porquê. Segundo ele, os estados nacionais não têm mais a capacidade para controlar o futuro e preservar o planeta. Só movimentos populares vão conseguir acordos mundiais em defesa do clima e da paz. Como este livro foi originalmente escrito antes do coronavírus, oferecemos na edição brasileira um prefácio onde Chomsky comenta como a pandemia vai alterar a ordem política e econômica global. Também questiona por que a indústria farmacêutica não se preocupou em fazer uma vacina contra este tipo de vírus depois do SARS. Quanto ao futuro, ele acredita que, se por um lado, talvez haja uma emergência de estados autoritários, por outro a sociedade pode exigir uma reforma em favor da assistência universal à saúde e a emergência do estado de bem-estar social. 

Resenha: Eu já conhecia por alto o autor Noam Chomsky por meio de um amigo que gosta de leituras econômicas e políticas, contudo mesmo após diversos elogios tecidos pelo mesmo, eu postergava em ler as obras do professor, filósofo, sociólogo, cientista e ativista político norte-americano Chomsky. Porém, nesse ano de 2020 eu tive a oportunidade de conhecer a escrita do autor por meio do Grupo Planeta de Livros e não pensei duas vezes para ler "Internacionalismo ou Extinção". Esse é de fato o primeiro livro que leio do autor e, creio que este não é o principal livro ou a sua contribuição de mais relevância para o pensamento humano ou mesmo para a ciência, mas ainda assim o livro me chama atenção pelo prefácio apresentado, tendo em vista que fala sobre a Pandemia.

Chomsky nos chama atenção e coloca em debate a necessidade de focarmos sobre o internacionalismo, bem como na necessidade de uma maior aproximação entre os países, há um senso de urgência na cooperação internacional, pois na verdade o que há de fato é uma divisão entre os países e essa divisão pode se desdobrar em três principais ameaças ao ser humano: guerra nuclear, mudança climática e um movimento geral que leva ao afastamento da democratização.

O autor defende a cooperação internacional em prol da sobrevivência do ser humano, pois se os países agirem de forma individualista, nós podemos estar à beira da extinção, pensamento esse que ganhou força pela primeira vez no autor em 6 de agosto de 1945 por vivenciar e ver a destruição ocasionada pelo lançamento da bomba atômica de urânio em Hiroshima (o que leva o autor a pensar sobre novas guerras nucleares). Chomsky é favorável a cooperação entre as nações, pois a capacidade de destruição que as nações possuem é enorme e qualquer isolamento e desentendimento entre elas pode acarretar guerras de proporções globais.

"[...] Naquela data, constatamos que a inteligência havia inventado meios para dar fim ao experimento humano de 200 mil anos de existência."

A defesa pela cooperação internacional também passa para enfrentar situações de mudanças climáticas, bem como para enfrentar situações como a que estamos vivenciando agora em pleno 2020 com a pandemia, pois a Covid-19 está ceifando milhões de vidas mundo afora, está quebrando economias e levando famílias ao nível da pobreza e somente através dos esforços de cientistas e das nações que podemos evitar a extinção do ser humano, só através da cooperação internacional que podemos evitar cenários apocalípticos (visão do autor).

Por fim, Chomsky fala sobre o perigo que é o esvaziamento da democracia e o quanto isso pode contribuir para a propagação do fascismo, mas ao mesmo tempo ele não acredita que a história esteja se repetindo, pois ele lembra dos movimentos que ocorreram na década de 1930 com o esvaziamento da democracia em alguns países, principalmente na Europa daquela época. É nessa época segundo o autor que os Estados Unidos começou a pensar como a propagação do fascismo poderia ser algo incontrolável e extremamente perigoso.

Opinião: Esse na verdade é um livro composto de entrevistas concedidas por Noam Chomsky e aqui em "Internacionalismo ou Extinção", o autor aborda diversos temas importantes que se traduzem em verdadeiras ameaças a sobrevivência dos seres humanos como as mudanças climáticas, a sombra que paira sobre nós com possíveis e futuras guerras nucleares, mas também os movimentos políticos que atentam contra a democracia.

Esses temas abordados são interessantes, mas em certo momento algumas das colocações do autor são repetidas ou mesmo carecem de profundidade, ainda assim me fez refletir e questionar sobre a conduta humana em décadas passadas, bem como o que podemos fazer não somente em tempos de pandemia para que possamos coexistir de maneira mais harmoniosa, mas também para nos preservarmos enquanto seres humanos diante das inúmeras ameaças que possamos enfrentar.

Chomsky nos incita a tomarmos uma posição e enfrentar qualquer tomada de decisão dos nossos líderes políticos que possa nos levar ao caminho da destruição. Em suma, "Internacionalismo ou Extinção" é uma leitura rápida e interessante, mas também aguça o nosso senso político. Recomendo para quem gostar de leituras questão políticas.


Sobre o autor: Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo, sociólogo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna", também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.

Ficha técnica:
Título: Internacionalismo ou extinção: Reflexões sobre as grandes ameaças à existência humana. Com prefácio sobre o corona vírus
Tradução: Renato Marques
Editora: Crítica (Planeta de Livros)
Páginas: 128
Ano: 2020
ISBN: 978-6555350296
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5 Comentários

  1. Olá Yvens!
    Não conhecia a obra, mas achei bem interessante. Vários pontos ressaltados na resenha são bem pertinentes, acho que vale a leitura. Concordo com a visão de que a união entre os países seria a melhor forma de lidar com muitos problemas, até porque muitos deles nem existiram... mas é algo complicado demais. Fiquei bem curiosa pela leitura, só ao ler sua resenha fiquei reflexiva.
    Abraços

    http://lendoeapreciando.blogspot.com/

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  2. Oiii!

    Eu não sou o publico alvo do livro, mas acho necessário ver opiniões sobre a obra. Gostei da sua opinião sobre o livro, mas não faria a leitura, pelo menos não no momento.

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  3. Olá, tudo bem? Imaginei que seria um livro onde deveríamos tomar posição sobre os assuntos tratados, e é interessante encarar essas perspectivas na literatura. Uma pena não ter uma grande profundidade no que fala, o que pode ser um problema para mim, porém de modo geral deve cumprir seu papel de nos tirar da zona de conforto. Fiquei curiosa! E ótima resenha!
    Abraços

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  4. Olá! Não conhecia o autor ou a obra, mas a indicação é muito interessante e pertinente para os dias atuais (aliás, sempre, porque o ser humano gosta de repetir seus erros, né?). Enfim, uma pena que em certo momento tenha se tornado um pouco repetitivo, mas acho que era a intenção do autor para enfatizar seu objetivo. Ótima resenha!
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  5. Conheci Chomsky na faculdade, não dá para estudar Literatura a fundo sem antes passear pela filosofia e política e outros conhecimentos. Nunca cheguei a ler uma obra inteira dele, apenas fragmentos. Inclusive você me deu uma boa ideia, ler algo dele, quem sabe não comece por esse.

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