[RESENHA #777] BLACKSAD VOL. 2 - JUAN DÍAZ CANALES

 

Sinopse: John Blacksad, nesta segunda aventura, deve solucionar o desaparecimento misterioso de uma criança. Ao longo da investigação, ele descobre que uma seita fascista está por trás do crime.

Resenha: Juan Díaz Canales em Artic-Nation nos leva para os Estados Unidos da década de 1950 e acompanhamos a jornada do guarda-costas e detetive particular John Blacksad (um gato preto). Apenas para relembrar aqueles que leram a resenha do primeiro volume há muito tempo, mas também para aqueles que estão lendo pela primeira vez uma resenha sobre o universo de Blacksad, os personagens da série são representações antropomórficas de animais (possuem comportamentos e características dos seres humanos), então você verá um detetive como um gato, um bandido como crocodilo ou um delegado como um pastor alemão.

Nessa nova aventura, o detetive é contatado pela professora Sra. Grey após o desaparecimento de Kayleigh, uma de suas alunas. Blacksad deve investigar esse misterioso desaparecimento e o mais curioso é que ninguém dá a mínima para o sumiço de Kayleigh, seja a polícia, a sua mãe ou até mesmo os moradores do bairro e isso desperta a curiosidade de Blacksad, pois apenas a professora é quem demonstrou real interesse sobre o paradeiro dela.

Enquanto John Blacksad emprega seus esforços para descobrir o que aconteceu com Kayleigh, nós acompanhamos as fortes tensões raciais que ocorrem na cidade por meio de manifestações de uma organização formada exclusivamente por animais de pelagem branca. A verdade é que esses animais querem realizar uma limpeza racial, mas eles vão encontrar resistência, pois há uma organização chamada Black Claws, formada por animais de pelagem negra que se posicionam contra a extrema violência que é praticada.

Durante as investigações, Blacksad decide ir até a casa de Kayleigh e questiona Dinah, sua mãe, do motivo dela não ter procurado a autoridades e descobre que ela argumenta que não confia neles, pois a polícia é essencialmente formada por brancos. Por outro lado, a polícia acredita que o responsável pelo desaparecimento da jovem está na organização Black Claws, mas Blacksad tem as suas próprias dúvidas e não acredita no envolvimento dos Black Claws no desaparecimento da aluna. Em meio a traições, segredos, relações escusas e sociedades secretas, Blacksad corre contra o tempo para descobrir o paradeiro da jovem Kayleigh.

Opinião: Blacksad: Artic Nation, de Juan Díaz Canales e o ilustrador Juanjo Guarnido, apresentam uma trama que aparenta ser bem simples. Mas logo se percebe que estamos no meio de uma história que aborda questões raciais, políticas e sociais, que escancara o racismo e o preconceito presente na sociedade criada para Blacksad. O que já é uma belo tapa na cara da sociedade em que vivemos, pois esses temas, infelizmente, são bastante recorrentes em muitas outras sociedades, sejam reais ou não. 

Outro aspecto abordado em Artic Nation e que também não deixa de ser uma contundente crítica sobre a sociedade moderna, são as ideologias extremistas, que todo mundo saber ser algo extremamente tóxico, perigoso e que sempre apresenta resultados catastróficos,  mas que ainda, infelizmente mais uma vez,  persiste em existir por todos os cantos do mundo.

Os movimentos raciais nessa graphic novel nos remete e está ligado ao próprio EUA das décadas de 50 e 60, período marcado pelos movimentos dos negros em busca de direitos civis e igualdade e que tinham assim como inimigos o grupo que lutava pela supremacia branca Ku Klux Klan, que é representada em Artic Nation através de diversas referências durante a trama.

A arte de Black Sad: Artic Nation é realmente maravilhosa e conta com detalhes incríveis. Seus personagens possuem expressões faciais ímpares e aliadas as suas características distintas, seus autores nos presenteiam com criações pra lá de interessantes. O humor ácido está novamente presente na série e demostrado através de John Blacksad, que manteve todas as características que o fizeram ser amado por muitos. 

Black Sad: Artic Nation é uma excelente Graphic Novel e que apresenta um thriller policial que, além de tirar o fôlego, também nos faz pensar em todas as diversas críticas mostradas durante toda a trama. Portanto, além de ser uma leitura incrível, eu realmente tive um enorme prazer em revisitar o universo de Blacksad. Impossível não recomendar.


Juan Díaz Canales: Artista de quadrinhos espanhol e diretor de animação, conhecido como o co-criador de Blacksad, nascido em 1972. Em tenra idade, Juan Díaz Canales se interessou por quadrinhos e sua criação, que progrediu e se ampliou para incluir filmes de animação. Na idade de 18 anos, ele entrou em uma escola de animação. Em 1996 fundou, junto com outros três artistas, uma empresa chamada Tridente Animation. Com isso, ele trabalhou com empresas europeias e americanas, fornecendo enredos e roteiros para quadrinhos e filmes de animação, além de dirigir séries animadas de televisão e filmes de animação. Durante este período, ele conheceu Juanjo Guarnido , com quem Canales decidiu criar quadrinhos baseados em torno de um investigador particular, Blacksad.

Juanjo Guarnido: É um ilustrador espanhol e co-autor da série de quadrinhos Blacksad, nascido em 1969. Guarnido colaborou em vários fanzines e produziu trabalhos para a Marvel Comics. Infelizmente, o pequeno tamanho do mercado espanhol obrigou-o a recorrer a outros meios de ganhar a vida. Em 1990, ele deixou Granada e se mudou para Madri, onde trabalhou em uma série de TV por três anos. Lá ele conheceu Juan Díaz Canales, com quem ele discutiu a produção de quadrinhos. Em 1993, Guarnido candidatou-se a um emprego no Walt Disney Studios em Montreuil, na França, e consequentemente mudou-se para Paris. Ele foi o principal animador do jaguar do filme da Disney, Tarzan.

Ficha técnica:
Título: Blacksad Vol. 2: Artic-Nation
Autor: Juan Díaz Canales
Ilustração: Juanjo Guarnido
Tradução: Miguel Del Castillo
Editora: SESI-SP
Páginas: 56
Ano: 2017
ISBN: 9788550405421
Onde Comprar: Amazon

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