[RESENHA #778] O GRANDE GATSBY - F. SCOTT FITZGERALD


Sinopse: Anfitrião das festas mais luxuosas de Nova York, Jay Gatsby é um jovem milionário que encarna o sonho americano dos anos 20. Admirado por todos e conhecido por ninguém, pouco se sabe sobre a origem da fortuna que fez com as próprias mãos.

É através dos olhos de Nick Carraway, seu vizinho e confidente, que nos aproximamos desse misterioso self-made-man, e enxergamos o rastro de poeira imunda deixado pelo glamour e materialismo desenfreados. Publicado pela primeira vez em 1925 e desde então adaptado diversas vezes para o cinema, esse clássico de F. Scott Fitzgerald capta o espírito de uma época ao mesmo tempo que faz uma crítica contundente e ainda atual à sociedade norte-americana. A nova edição da Antofágica foi traduzida por Rogerio W. Galindo e traz ilustrações de Virgílio Dias, além de textos complementares de Maria Elisa Cevasco, Facundo Guerra e Sergio Rizzo e apresentação de Rita von Hunty.

Resenha: Escrito pelo autor norte-americano F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby foi publicado originalmente em 1925 e em setembro de 2020 a editora Antofágica nos presenteia ao publicar essa bela edição. Ambientado em 1922, poucos anos após a Primeira Guerra Mundial, acompanhamos a história e vida de Jay Gatsby, narrado pelo ponto de vista de Nick Carraways, um corretor da bolsa de valores que mora nos arreados de um bairro de classe alta em Nova York. Aliás, Nick vem de uma família abastada do Meio-Oeste, os Carraways, que chegaram aos Estados Unidos por volta de 1851.

Nick é um homem observador e em determinado momento passa a frequentar as festas da alta sociedade de Nova York com a ajuda de sua prima Daisy Buchanan, uma mulher extremamente rica e extravagante. Nick fica atento e observa a vida que essas pessoas levam no pós guerra, algo um tanto quanto fútil e materialista. Durante esse período de festas, as bebidas alcóolicas eram proibidas nos Estados Unidos e muitas pessoas enriqueceram por meio de contrabandos para viver o famoso "sonho americano".

Em uma dessas muitas festas que frequenta ao lado de sua prima, Nick conhece Jay Gatsby, um milionário excêntrico que adora promover festas luxuriosas em sua mansão. O grande problema é que ninguém sabe suas origens ou de onde veio a sua fortuna, mas isso não é algo relevante para essas pessoas, todos querem aproveitar as grandes festas promovidas por Gatsby. Mas uma pessoa sabe que Gatsby nem sempre foi um milionário, tendo em vista que Daisy teve um relacionamento amoroso com o milionário quando ele ainda não tinha condições de levar uma vida de luxo e opulência, e ele nunca se esqueceu de Daisy.

"Durante todas as noites de verão, havia música vindo da casa do meu vizinho. Em seus jardins azulados, homens e moças iam e vinham como mariposas em meio aos sussurros e ao champanhe e às estrelas [...]" p. 87

Após se aproximar de Gatsby, Nick descobre que toda aquela vida de riqueza e luxo foi conquistado com apenas um objetivo, impressionar Daisy, o grande amor que Gatsby nunca conseguiu esquecer e superar. Na época em que levava uma vida simples de um pobre militar, Gatsby foi rejeitado pela amada e viu que a única forma de conquistar a mulher da sua vida era ser milionário, pois a vida de luxo é a única coisa importante para ela e agora ele tinha condições de conquistar o seu amor, mas será que isso seria suficiente?

Opinião: O Grande Gatsby é considerado por muitos o maior romance realista norte-americano e aqui conferimos uma forte crítica a sociedade dos anos de 1920, pois essa alta sociedade levava uma vida luxuriosa e desregrada, essas pessoas detentoras de status social e riquezas enormes sabiam apenas festejar, suas vidas eram fúteis e seus dias eram preenchidos com festas, álcool e drogas, o que denota um vazio existencial, além disso os acontecimentos do mundo afora eram completamente ignorados. 

Nesse cenário onde poucos tinham muito dinheiro, carros luxuosos e mansões, fica claro que havia muitos segredos, mentiras e traições, ganância e um pouco de culpa, mas sobretudo havia preconceitos e um ar de superioridade dessas pessoas ricas em detrimento das demais. Esses aspectos comportamentais me levaram a refletir, pois não é de hoje que pessoas com alto poder financeiro acham que podem fazer o que querem e quando querem, isso existe desde que o ser humano existe em uma sociedade movida pelo capital e dificilmente vai mudar. Outro aspecto interessante e que está ligado ao financeiro, é que há amigos que são amigos independente da sua condição financeira e há aqueles amigos por interesse, que estão contigo pela sua riqueza e possíveis benesses.

Algo interessante no enredo criado por Fitzgerald é que mesmo nessa sociedade com pessoas deslumbradas pelo luxo, vemos que Gatsby não está totalmente fadado a vida de solidão ou a ter falsos amigos, pois ele encontra em Nick Carraway não somente um cúmplice para alcançar o seu objetivo, conquistar Daisy, mas um amigo de verdade, uma pessoa que apesar de inserida nessa sociedade, a desprezava.

Quanto aos personagens, Daisy retrata muito bem o vazio existencial que comentei alguns parágrafos atrás. Ela é uma mulher mimada e age em determinados momentos como uma criança, é facilmente manipulada e extremamente fútil. Por outro lado, teve um casamento infeliz e era constantemente maltratada e traída pelo marido, Tom, um homem soberbo e arrogante que, na verdade, dispensa maiores comentários. Nick serve como o contador da história, mas também como o fiel amigo de Gatsby, o personagem principal da história, que é extremamente profundo, educado e apaixonante.

O Grande Gatsby é considerado um grande clássico da literatura norte-americana e fico feliz com a oportunidade de poder ter lido esse livro, pois apesar de ter quase 370 páginas, foi uma leitura rápida e envolvente, repleta de reflexões e com diversas críticas como relações superficiais, badernas, festas, uso de bebidas alcoólicas, drogas, status social, adultério e outras mais; problemas que após 100 anos ainda estão presentes em nossa sociedade. Em suma, eu gostei muito de conhecer um pouco da Nova York dos anos de 1920 através dos personagens e história de Fitzgerald. O Grande Gatsby é sensacional e recomendo para todos, principalmente para aqueles que gostam de clássicos.

Sobre o autor: Consagrou-se como um dos ícones da geração perdida e um dos mais importantes escritores da literatura americana. Afetado pelo alcoolismo e pela degeneração mental de sua esposa, afastou-se da literatura e morreu quase esquecido, trabalhando em Hollywood.

Ficha técnica:
Título: O Grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Rogério Galindo
Editora: Antofágica
Páginas: 368
Ano: 2020
ISBN: 978-6586490046
Onde comprar: Amazon

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4 Comentários

  1. Eu li esse clássico tem muitos anos, foi na minha juventude e na época eu adorei.

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  2. Eu li recentemente e gostei bastante de "O grande Gatsby", esse foi um dos clássicos que me motivou a ler mais livros do gênero.

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  3. Eu adoro clássicos, mas esse ainda não i!

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  4. Eu tenho acompanhado a Antofágica no instagram e fico maravilhado com tantas edições lindas que a editora está publicando. Ainda não li Gatsby, mas quero ler e sua resenha só me fez ficar com mais vontade.

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