[RESENHA #783] PIANO MECÂNICO - KURT VONNEGUT

 

Sinopse: Em um futuro não muito distante, pós uma nem tão distópica Terceira Guerra Mundial, as máquinas finalmente venceram. Quase tudo foi automatizado e logo a sociedade se dividiu sob um novo sistema de estratificação não mais baseado em dinheiro, mas sim em inteligência. De acordo com seu QI e capacidade intelectual, os indivíduos são classificados e registrados em um cartão perfurado e sua posição social ― um destino de glória ou esquecimento ― só pode ser definida a partir da análise desses dados. 

Resenha: Após muito tempo fora do catálogo a Editora Intrínseca publicou no ano de 2020 o livro "Piano Mecânico" (Player Piano) de Kurt Vonnegut, anteriormente publicado aqui no Brasil em 1973 sob o título de "Revolução do Futuro" ou "Utopia 14" em Portugal. Talvez muitos não saibam, mas "Piano Mecânico" foi o primeiro romance de ficção científica escrito pelo autor, sendo publicado originalmente em 1952 no Estados Unidos.

Ambientado em uma sociedade distópica, Vonnegut nos apresenta os Estados Unidos pós-Terceira Guerra Mundial, onde ocorreu uma verdadeira revolução industrial, pois antes responsáveis por manter a sociedade em equilíbrio durante a guerra, agora as máquinas substituíram os humanos em grande parte dos trabalhos até então disponíveis. A bem da verdade é que os empregos não deixaram de existir, mas os empregos disponibilizados são mal remunerados, exceto alguns poucos cargos que remuneram muito bem, mas que ficam para a classe social dos mais abastados. 

Essa classe é constituída e formada através de uma prova empregada ao final da adolescência, algo que nos remete aos nossos vestibulares e através dela são selecionadas pessoas com alto QI. Após o teste, as informações ficam registradas nas fichas policiais dos candidatos e somente após isso aqueles considerados possuidores de um alto QI, podem ingressar na Universidade para almejar algo "maior" em suas vidas. Contudo, pessoas que apresentam um QI baixo possuem duas opções: ingressar nas forças armadas ou trabalhar na manutenção das cidades.

Nesse mundo com grandes mudanças conhecemos Paul Proteus, uma das pessoas mais inteligentes de seu tempo e a mais importante das Empresas Illium (Nova York). Apesar de muito jovem, ele tem um futuro brilhante, carrega o nome da prestigiada família que faz parte, leva uma vida confortável, está casado com uma linda mulher e vem sendo preparado para assumir o controle da usina de Pittsburgh, uma das mais importantes do país.

Apesar da vida de sucesso, Proteus sente que está faltando algo em sua vida, ele pensa muito sobre a vida que tem e principalmente sobre a sociedade em que vive. Ele está insatisfeito com tudo o que vê e sente um imenso desconforto na desigualdade que ocorre na sociedade em que vive. A vida de Proteus começa a mudar quando volta a ter contato com Ed Finnerty, um ex-colega de trabalho que vive uma realidade totalmente distinta da sua e isso abre os olhos de Proteus para a realidade que o cerca.

Opinião: Piano Mecânico foi publicado originalmente em 1952 e o mundo mudou drasticamente desde então, mas mesmo após tanto tempo, ainda é possível realizar uma grande reflexão sobre o avanço brutal da tecnologia, bem como sobre o desenvolvimento da engenharia de automação, pois a cada dia que passa estamos mais e mais dependentes desse mundo automatizado e avançado tecnologicamente em que as máquinas cada vez mais ganham espaço, cada vez mais tomam os lugares dos seres humanos nas indústrias. Fica claro as críticas em relação ao avanço tecnológico de forma descontrolada e como isso pode impactar negativamente no destino do homem.

Nessa sociedade criada por Vonnegut, a organização social e níveis hierárquicos de poder não ocorre mais pelo aspecto financeiro, mas pelo Q.I., pois aqueles que apresentam um Q.I. elevado são destinados aos cargos mais importantes e o mais importante deles é o de engenheiro, são eles que mandam nessa sociedade, são eles que gerenciam as indústrias e as importantes máquinas que foram inventadas para substituir o trabalho humano. Todos aqueles que não possuem um Q.I elevado são designados para trabalhar na manutenção da cidade ou no exército e esses moram no sul da cidade, ou seja, são separados, segregados do resto da população. Aliás, dá para perceber que nesse universo criado por Vonnegut todos aqueles que não possuem um Q.I elevado são considerados descartáveis.

Vonnegut criou uma trama incrível, pois ele aborda e questiona temas de suma importância como o avanço da tecnologia, a vida em sociedade, o controle social e a própria humanidade em si, pois cada vez mais perdemos o lado humano com o avanço tecnológico. É também interessante e triste ver o quanto o ser humano é descartado nesse universo criado pelo autor e também o quanto somos descartados na vida real por não ter experiência em determinado setor ou mesmo um estudo mais avançado em determinada área.

Um aspecto que me chamou atenção e está muito ligado a época do Vonnegut, é o fato de eu não ter visto mulheres como engenheiras nessa sociedade que nos é apresentada. A verdade, é que há apenas duas mulheres com certa relevância na história e são completamente diferentes entre si, ocupando papéis mais secundários.

Sobre o autor: Kurt Vonnegut nasceu em 1922 no estado de Indiana, nos Estados Unidos. Ainda jovem, alistou-se no exército e lutou na Segunda Guerra Mundial, onde presenciou bombardeios e até foi feito prisioneiro pelos alemães. Depois de voltar para os Estados Unidos, dedicou-se à literatura e, ao longo de mais de 40 anos, publicou 14 romances e diversos contos, peças de teatro e contos de não ficção, incluindo o romance best-seller Matadouro 5. Vonnegut faleceu em 2007.

Ficha técnica:
Título: Piano Mecânico
Autor: Kurt Vonnegut
Tradução: Daniel Pellizzari
Editora: Intrínseca
Páginas: 496
Ano: 2020
ISBN: 978-6555600223
Onde Comprar: Amazon

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19 Comentários

  1. Achei a capa desse livro muito interessante e também achei a premissa do livro muito interessante. Eu gostei da sua resenha e adoro o gênero. Parece ser uma leitura incrível. Dica anotadíssima!

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  2. Parem de indicar livros bons, por obséquio, eu mal tenho tempo de ler rótulo de shampoo, eu fico com comichão de ler e não consigo

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  3. Bacana o trabalho da Intrínseca em trazer a obra do Vonnegut. Na espera de Galápagos.

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  4. Que bom que curtiu a leitura. Ainda não conhecia essa obra, mas fiquei bem curioso. Espero poder ler em breve!!

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  5. Não tenho nenhum livro do autor em minha estante mas já conhecia,gosto desses temas futurista porque nos fazem sempre refletir sobre a nossa responsabilidade sobre as futuras gerações, sem dúvida um livro que merece ser lido,bjus.

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  6. Um lugar onde a riqueza não é baseada no dinheiro mas sim na inteligência? Já me interessei só por essa premissa.
    Beijos

    Quanto Mais Livros Melhor

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  7. Realmente é uma verdade estamos muito dependente da tecnologia, as máquinas estão no poder, é um livro para refletir muito, é uma obra maravilhosa do autor Kurt Vonnegut, abraços.

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  8. Só pela sinopse ja fiquei encantada eu amo ler essa tipo de livro ou ver filmes e séries desse genero

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  9. Parece muito interessante esse livro e eu fiquei curiosa para acompanhar a trama com tantos temas importantes abordados. Mesmo a obra original tendo sido publicada em 1952 eu não a conhecia. O avanço da tecnologia chega a me assustar às vezes.
    Abraço!

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  10. Parece realmente um prato cheio para quem gosta de leitura. Fiquei muito curiosa para saber como ele desenvolve essa história.. irei procurar para ler.
    Adorei a resenha.

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  11. Eu amei. Resenha,adorei também a capa deste livro muito criativa,não conhecia mis fiquei curiosa com certeza vou ler.

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  12. Tua resenha já me deixou com aquela vontade de quero mais, portanto nome anotado para um próxima compra! Me interessei pelo livro.

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  13. Capa interessante, história daquelas que te prende! Eu agora fiquei mega tentada em ler e desvendar essa obra! Magnífica resenha. Um abraço.

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  14. Parece ser uma leitura interessante. Gostei muito da capa e amo ler histórias futurísticas.

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  15. Uma dica ótima de leitura. Gostei de sua opinião em relação ao livro. Eu não conhecia mas vejo que é bem reflexivo em relação ao avanço da tecnologia.

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  16. Oiee! Que interessante esse livro, não conhecia, mas me interessei pois gosto muito de distopias.
    O título me lembrou Laranja Mecânica👏👏👏😉
    Beijos,
    Paloma Viricio💙💫

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  17. Olá!Até o momento não conhecia o autor Kurt Vonnegut,gostei de conhecer e fiquei encantada com sua obra,me parece um livro incrível,abordando esta tecnologia que se expande cada dia mais,creio que tem uma reflexão através deste livro.
    Grata por compartilhar!Abraço!

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  18. Preciso desse livro urgente! Gosto muito de livros que nos fazem pensar e este que você nos trouxe parece ser bem interessante! As distopias nos ajudam muito a refletir sobre a nossa realidade e acho isso incrível! Valeu mesmo por nos apresentar esta belezinha!
    Ótima resenha!

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  19. Olá, bem eu não conhecia o autor Kurt Vonnegut, gostei muito de conhece,
    e este livro parece ser bem interessante, e com temas bem atuais.
    obrigado pelo livro.
    beijos feizes

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