[RESENHA #801] O HOMEM QUE LIA OS SEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS - ALEXANDRE SOARES DA SILVA

Sinopse: Esta é uma coletânea de contos inéditos acrescida de material esparso já publicado na internet em blogs e sites ao longo dos últimos anos. Pela primeira vez o leitor brasileiro poderá apreciar em um único volume toda a criatividade e o talento narrativo de Alexandre Soares Silva, um dos maiores ficcionistas do Brasil de hoje.

Resenha/Opinião: Publicado nesse ano de 2021 pela Editora Danúbio e escrito pelo autor e roteirista Alexandre Soares da Silva, "O homem que lia os seus próprios pensamentos" é um livro que apresenta mais de 30 contos de autoria do mesmo. Aliás, esse é o primeiro contato que tenho com a escrita do autor, livro esse que me foi recomendado por um amigo desse mundo literário.

Tão logo eu iniciei a leitura e pude perceber um pouco do tom que está presente em grande parte do livro, o cômico, pois no primeiro conto que dá título ao livro (O homem que lia os seus próprios pensamentos) acompanhamos um sujeito chamado Francisco Marcelino, ou melhor, Dr. Mentalis. Aos 40 anos de idade e divorciado, Marcelino identificou um sentimento pela primeira vez em sua vida, mas ele não sabe ao certo que sentimento é esse, não sabe dizer se é espanto ou frustação, ele só sabe que está sentindo algo de novo. Desse momento em diante ele passa a sentir os seus próprios pensamentos, bem como o que ele deve fazer e falar. Diante dessa capacidade inimaginável, ele realiza apresentações em que fala o que está imaginando e até mesmo demonstra a sua capacidade em prestar atenção no que as mulheres falam. Contudo, o seu sucesso e sorte estão com os dias contados.

O autor abre espaço para abordar uma figura nefasta e história, o Dr. Mengele. Esse está em um conto chamado Dr. Mengele gosta de Dawnson's Creek e o ex-integrante do terceiro Reich em um encontro de nazistas diz que se identifica com o personagem Dawson de Dawson's Creek e não é só ele que tem uma queda para cultura pop, pois o temido Paul Joseph Goebbels também gosta.

Em a Tetê Macabra e o Brasil secreto acompanhamos a vida de uma mecenas paulistana dos anos 50 e 60 que reunia-se em sua casa em Perdizes com alguns gênios da arte. Contudo, esse gênios da arte jamais haviam produzido de fato qualquer tipo arte. Aliás, nesse conto a Tetê é enaltecida pelos seus pares por sua inteligência e sagacidade. Uma mulher à frente do seu tempo. Aqui há uma dose de otimismo do autor em relação ao Brasil.

Dr. Palhinha de Taubaté, o maior detetive que o mundo já conheceu é um conto que apresenta daquele que é considerado o maior detetive, Palhinha, um homem fortão, bronco que passa o dia no banco da praça Calixto Bolinha na presença de seus amigos taxistas. Palhinha tem uma mania no mínimo curiosa, ele nada responde senão cuspindo tabaco no chão da praça. Ele utiliza do seu famoso método dedutivo e sabedoria ancestral pré-iluminista para solucionar os casos que lhe são apresentados.

Em Meu primeiro emprego acompanhamos os relatos de um jovem que conquista o seu primeiro emprego como entregador de pizza em uma forneria ou pizzaria italiana na cidade de Florença. Esse jovem precisa lidar com ativistas que acreditam que fazer pizza com quadros (obras de arte) é um atentado contra o patrimônio da humanidade.

Os contos apresentados são em grande parte divertidos, envolventes, cativantes e todos muito bem escritos. Aliás, o fato dos contos serem divertidos é algo extremamente positivo, pois no meu caso foi uma leitura leve entre leituras de estudos e literatura clássica, dando um equilíbrio no que estou lendo ultimamente.

Como eu disse no início dessa publicação, eu ainda não conhecia o autor e sua escrita, mas posso dizer com tranquilidade que foi uma grande descoberta, o Alexandre é realmente um escritor de grande valor e um ponto fora da curva na literatura nacional em se tratando de autores contemporâneos. Apesar de ter 30 contos, a leitura fluiu muito bem, pois os contos são curtos, envolventes e possuem normalmente entre 3 e 5 páginas em média. Aliás, fica claro que o autor é muito criativo ao criar situações, personagens e cenários bem distintos. 

Recomendo a leitura para quem curte por exemplo Mark Twain ou mesmo as películas de Woody Allen, pois o estilo do autor me lembra bastante os estilos desses dois grandes nomes. Aliás, em tempos que muitos andam tristes e reclusos por causa das restrições decorridas da pandemia, esse livro é uma luz no fim do túnel, é um livro que vai te deixar mais leve e bem humorado.

Sobre o autor: Meu nome é Alexandre Soares Silva, e nasci no ano de 68. Aquele, quando estavam proibindo proibir. Não sei bem o que isso diz sobre mim; mas, como a maior parte daqueles estudantes bobos, nunca gostei das aulas, e teria botado fogo na escola com muito prazer. Não acredito em "viver a vida intensamente". Acho tanto o conceito quanto a expressão um tanto bregas. Pra começar, sempre que se diz isso o sujeito era drogado ou bebia até o ponto de chutar bandejas das mãos de velhinhas. Não. Prefiro viver a vida suavemente, obrigado. Ser gentil e tirar soneca no meio da tarde. Ler um bocado. Acho que Tolstói é o maior escritor de todos os tempos (mas talvez eu só diga isso porque não sei grego para ler Homero). Meu filme preferido é "Gigi", de Vincent Minnelli. (Sério.)

Ficha técnica:
Título: O homem que lia os seus próprios pensamentos
Autor: Alexandre Soares da Silva
Editora: Danúbio
Páginas: 216
Ano: 2021
ISBN: 9786588248058
Onde Comprar: Amazon - Danúbio

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