[RESENHA #807] A ODISSEIA DE PENÉLOPE - MARGARET ATWOOD

 

Sinopse: “Agora que todos os outros perderam o fôlego, é minha vez de fazer meu relato.”Na Odisseia de Homero, Penélope – mulher de Odisseu e prima da bela Helena de Troia – é retratada como a esposa fiel por excelência, e sua história é tida como um exemplo de fidelidade e da obediência feminina ao longo dos tempos. Deixada sozinha por vinte anos, quando Odisseu sai para lutar na Guerra de Troia após o sequestro de Helena, Penélope consegue, em meio a rumores escandalosos, assegurar o reino de Ítaca, criar Telêmaco, seu filho rebelde, e manter distância de mais de cem pretendentes. Quando Odisseu finalmente chega em casa, após sobreviver aos desafios do mar Egeu, vencer monstros horripilantes e dormir com deusas, ele mata todos os pretendentes de sua esposa – e, de maneira ainda mais espantosa, doze de suas criadas. Em uma surpreendente releitura contemporânea de uma das maiores obras da Antiguidade, Margaret Atwood decide dar voz a Penélope e suas doze criadas enforcadas para responder duas grandes perguntas: Qual o real motivo dos enforcamentos? E o que Penélope estava realmente planejando? Ao reimaginar o episódio, a autora se utilizou de várias fontes – já que a Odisseia de Homero não é a única versão da história – para criar uma obra ao mesmo tempo inteligente, bem-humorada e reflexiva. Em A odisseia de Penélope, Atwood subverte a narrativa original e concede a sua heroína uma nova vida e realidade, e se propõe a dar uma resposta a um antigo mistério.

Resenha/Opinião: Os mitos bem-sucedidos são aqueles que foram contados e recontados inúmeras vezes e de diferentes ângulos ao longo dos séculos e mesmo assim conseguem se comunicar ao público contemporâneo da mesma intensidade dos séculos passados. Agora, Margaret Atwood reconta as aventuras de Ulisses (Odisseu) e seu regresso a Ítaca, sob o ponto de vista de Penélope (na condição de morta), esposa de Ulisses.

Penélope é descrita por Homero com uma esposa fiel, uma mulher que esperou pelo regresso do seu amado durante cerca de 20 anos, mas também é vista como o símbolo da obediência feminina. Após Ulisses embarcar em suas aventuras, Penélope se viu sozinha na obrigação de criar seu filho e tinha uma tarefa ainda mais complicada e certamente perigosa, governar um reino. Complicada porque ela não foi treinada ou criada para isso e perigosa por causa da ganância e desejo de poder de outros homens.


Nesse tempo em que se viu sozinha, Penélope foi pressionada pelo pai para se casar novamente, algo recusado por ela. Contudo, diante da insistência do pai e para não afrontá-lo, ela resolveu aceitar a corte de pretendentes à sua mão, mas ela impôs uma condição, ela decidiu que se casaria novamente apenas após terminar de tecer uma mortalha para o pai de Ulisses. Contudo, foi através desse estratagema que Penélope passada os dias tecendo e a noite desfazendo a mortalha para o seu sogro e com isso foi ganhando tempo.

Penélope aos poucos é assombrada pelas escravas que a ajudaram a ludibriar e enganar todos os pretendentes que queriam desposá-la, bem como usurpar o trono e lugar de direito de Ulisses. Contudo, o grande problema é que essas escravas foram injustamente condenadas e enforcadas, agora ela precisa lidar com essa nuvem de mortes que paira sobre ela e isso demonstra ser um grande fardo em sua vida.


Em "A Odisseia de Penélope" Margaret Atwood nos mostra como era difícil e frágil a vida no tempo de Penélope, período em que abusos e estupros aconteciam de forma constante, ao tempo que a impunidade imperava. É interessante acompanhar Penélope, ela não tem apenas a fidelidade como característica ou qualidade ao meu ver, mas apresenta outras comuns aos heróis gregos como: honra, virtude, coragem, bravura e perseverança e tudo isso fica claro ao ela lutar para permanecer sozinha (sem outro esposo) enquanto espera pelo amado Ulisses, tudo isso serviu para ela vencer nesse seu desejo.


A "Odisseia de Penélope" trata-se de uma releitura pós-moderna dos acontecimentos da sequência de Iliáda e essa narrativa foi formada e organizada por estilos narrativos distintos como o dramático e poético. A autora também utiliza da comédia para amenizar o conteúdo trágico que é apresentado na história. Margaret em sua trama faz uso de intrigas palacianas, mas também de conflitos familiares, isso por sinal é muito interessante. Outro aspecto interessante é que o leitor não precisa ter um conhecimento prévio sobre a narrativa e história da Odisseia de Homero, pois a autora nos traz informações importantes e indispensáveis sobre esse clássico no decorrer da história. 

Recomendo a leitura de "A Odisseia de Penélope" para todos que gostam de uma boa e rápida leitura, mas também para aqueles que gostam de mitologia, Grécia antiga e uma visão feminista sobre a Odisseia. Em suma, esse é um livro incrível e imperdível! Você vai adorar!


Sobre a autora: Uma das maiores escritoras de língua inglesa, Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais, como o Man Booker Prize (2000) e o Príncipe de Astúrias (2008), pelo conjunto de sua obra, além de ter sido agraciada com o título de Cavalheira de L’Ordre des Art et Lettres, na França. Tem livros publicados em mais de 30 idiomas e reside em Toronto, depois de ter lecionado Literatura Inglesa em diversas universidades do Canadá e dos Estados Unidos e Europa. Transita com igual talento pelo romance, o conto, a poesia e o ensaio, e se destaca por suas incursões no terreno da ficção científica, em obras como O conto da aia e Oryx e Crake, ambos publicados pela Rocco.

Ficha técnica:
Título: A Odisseia de Penélope
Autora: Margaret Atwood
Tradução: Celso Nogueira
Editora: Rocco
Páginas: 128
Ano: 2020
ISBN: 978-8532531681
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